quarta-feira, 4 de novembro de 2009


Dízimo na
Lei do
Antigo Testamento
Lv 27:28-34; Nm 18:20-21;Dt 14:28-29;26:12-18; Ml 3:8-10


- Como já ensinamos, o sistema de contribuição em suas diversas variáveis surge junto com as primeiras adorações do homem a Deus como único Senhor e proprietário do mundo, bem como doador de todas as coisas - Sl. 24:1

- Nesta lição veremos que o dízimo, anteriormente praticado pelos patriarcas por liberdade e voluntariedade pessoal, foi incorporado pela lei de Deus, que fundou a nação israelita e normatizou a conduta do povo, tanto nos campos espiritual (Êx 20, decálogo), moral (Lv 18, estabelece normas de conduta no casamento, na família e na sociedade) quanto nos social (Lv 19 leis civis) e religioso (Lv. 16,17: norma de culto, liturgia).

- O dízimo, como já vimos, pertence ao Senhor, por ser Ele legítimo dono e possuidor de todas as coisas; quando os patriarcas entregavam suas contribuições, eles estavam reconhecendo o direito de Deus sobre os frutos produzidos na terra que era Dele.

- Após mais essa lição, aumentaremos a consciência que, não somente os nossos dízimos, mas tudo que está em nossas mãos pertence ao Senhor e, portanto, somos somente responsáveis pela devolução do dízimo.

- Além disso, devemos entender que somos, acima de tudo, privilegiados ao receber 90% das rendas que o próprio Senhor coloca nas nossas mãos.

1- O CONCEITO DE DÍZIMO

- Derivado do latim décima, idéia de décima parte, ou 10%; logo, o dízimo não pode ser um percentual qualquer maior ou menor que 10%, pois a própria palavra dízimo em sua raiz etimológica significa décima parte.

- A igreja romana prega a entrega do dízimo, mas, dizem eles, que não precisa ser 10%, principalmente se a pessoa for pobre; nesse caso, pode entregar 3 ou 4 %. Contudo, a exigência de Deus é a décima parte Lv 27.30.

- Então, podemos afirmar que o dízimo consiste na devolução, ao Senhor, da décima parte de toda nossa renda, na casa do tesouro, quer seja gado, ovelhas, quer seja frutos da lavoura, da hortaliça, quer seja dinheiro etc. Ml 3.10; Lv 27.30; Mt. 23.231.

1 - DAR, DEVOLVER OU ENTREGAR O DÍZIMO?

- Há muitas pessoas que gostam de polemizar acerca do termo a ser usado em relação à entrega dos dízimos, esquecendo-se que o importante não é tanto descobrir a que título devolvemos o dízimo, mas que o façamos com fidelidade e liberdade.

- A Bíblia usa todos os termos:

Dar (Gn 14.20; 28,22);

oferecer (Nm 18.24,26; Dt 12,13,14);

receber (Ne 10.38);

trazer (Ne 13.12; Ml 3.10);

pagar (Hb. 7.9); lembramos que a décima parte do que ganhamos pertence a Deus e a Ele devemos devolver.

2 - QUAL O PROPÓSITO DE DEUS AO INSTITUIR A DEVOLUÇÃO DO DIZIMO?

Podemos enumerar vários propósitos, dos quais destacamos alguns:

2.1- LEMBRAR-NOS QUE ELE É DONO DO MUNDO

- Dentre as várias afirmações bíblicas de que o mundo pertence a Deus apontamos o Salmo 115.16 que diz “os céus são os Céus do Senhor, mas a terra deu-a ele aos filhos dos homens”.

- Todo o capítulo 45 de Isaías é uma apologia ao criador, uma reivindicação do seu direito sobre a criatura criada, Is 45.12

- Todas as sementes de arvores frutíferas, todos os animais e todas as riquezas pertencem ao Senhor e Ele as dá a quem quer- Vs. 3.

- Quando um crente se recusa a devolver, ou pagar, o dízimo ao Senhor é porque ainda não reconheceu o pleno senhorio e a bondade de Deus. Egoisticamente usufrui dos bens do seu Senhor; todavia, agindo como posseiro ou grileiro, que se apossa da terra e dos bens, sem reconhecer qualquer direito de propriedade alheia.
O princípio do reconhecimento de propriedade de outrem sobre o bem do qual usufruímos é o pagamento do arrendo; logo, quando pagamos os dízimos ao Senhor estamos automaticamente reconhecendo o senhorio de Deus (1Co 10.26)

2.2 - ELIMINAR A AVAREZA DO CORAÇÃO DO HOMEM

- A avareza é o apego sórdido ao dinheiro, o desejo ardente de adquirir riqueza. Esse sentimento inundou o coração do homem desde a queda e tornou-se tão forte a ponto de fazer o crente deixar de adorar a Deus para adorar as riquezas Cl 3.5.

- Esse sentimento tem impedido alguns crentes de serem fiéis contribuintes da obra do Senhor.

A Bíblia ensina que:

a) o avarento maldiz ao próprio Senhor- Sl 10.3, Lc. 16.14;

b) o avarento não herdará o Reino de Deus, Ef 5.5 I, Co. 6.10;

c) a avareza procede de um coração impuro, Mc 7.21,22;

d) o avarento não serve para o Ministério, Êx 18.21; I Tm. 3.3
O avarento não consegue entregar o dízimo com alegria, pois ama tanto a riqueza que se entristece, mesmo quando está devolvendo o que não lhe pertence.

2.3 - TESTAR NOSSA HONESTIDADE

- Regra geral o homem sem Deus é desonesto; (claro que existem exceções a essa regra, pois há pessoas que não são crentes e são extremamente honestas), e, em se tratando de vida espiritual, o dízimo é a ferramenta de Deus para testar o verdadeiro convertido.

- O Senhor deu-nos 90% de nossas rendas e exigiu que devolvêssemos 10%, sob pena de nos tornarmos ladrões (Ml 3.8) e amaldiçoados, caso retenhamos a parte que lhe é devida (Ml. 3.9: “com maldição sois amaldiçoados, porque me roubais a mim”).

- A Bíblia afirma que todos os instrumentos do avarento são maus, ele maquina invenções malignas, para destruir os mansos com palavras falsas,... Is 32.7.

- Como os avarentos não gostam de dizimar, mas nunca assumem o apego que tem pelo dinheiro, eles acabam maquinando um meio de se justificar para não devolverem o dízimo ao Senhor.

- Aconteceu na cidade de Niquelândia que certo crente, após ter recebido, separou, com muito pesar, o dízimo para entregá-lo no culto à noite; contudo, ao se dirigir à igreja, verificou tê-lo perdido; entretanto, foi à tesouraria e pediu ao tesoureiro que emitisse o recibo do valor do dízimo dele; de posse do recibo, sem entregar o dinheiro, o tesoureiro pediu-lhe a quantia lançada em credito a ele, mas o referido irmão retrucou o tesoureiro dizendo que havia separado o valor como primícias do Senhor, mas, como Deus não o guardou de perder exatamente o dízimo que iria entregar na casa do Tesouro, seria de Deus o prejuízo e não dele, pois ele não tinha obrigação de entregar outro valor e nem de ficar sem anotá-lo naquele mês.

3 – A LEI ESTABELECE NORMAS PARA A ENTREGA DOS DÍZIMOS

- No período que antecede a lei, os homens piedosos (de Adão à lei Mosaica) ao entregar suas dádivas (ofertas, dízimos, sacrifícios etc.), obedeciam a critérios próprios, isto é, conforme suas vontades e como melhor lhes parecia; seguiam as regras consuetudinárias (costumes dos pais).

- Assim, acabavam ofertando coisas que não agradavam ao Senhor, tais como animais defeituosos, impuros; além disso, ofertavam somente quando sobejava, pois não havia determinação do quando deveriam fazer suas contribuições; e, ainda, com freqüência resgatavam as coisas do dízimo por valor inferior ao real etc.

- Conhecendo o Senhor o anseio do homem em agradá-lo com suas ofertas, mas fazendo-o de forma errada, ele (Deus), deu a lei do dízimo conforme segue.

- A natureza do dízimo – Lv 27.28.
Essa natureza afirma que os objetos, os cereais ou os animais destinados ao dízimo (décima parte) eram santíssimos ao Senhor, o que evidencia sua natureza espiritual.

- Proibição de alienação – Lv 27.29-31.
Por ser coisa santíssima ao Senhor, não poderia ser vendida, exceção para as coisas do campo, da semente do campo, do fruto das árvores ou animais; contudo, o preço seria aumentado em 20% do valor real – Vs 31.

- Alguns crentes que têm resgatado ofertas de dízimos, ao invés de aumentar em 20% na hora de comprar, eles avaliam por valor inferior ao valor que entregaram.

- Impossibilidade de trocar o animal ou a coisa
- A lei não admitia que o animal, ou coisa, objeto do dízimo fosse trocada, isto é, permutada ou vendida, fosse ela boa ou ruim; contudo, se o ofertante não quisesse entregar a coisa, ou animal, por ser ruim, ambos seriam entregues ao Senhor, o bom e o mau.

- Conhecendo Deus o homem e seus sentimentos perversos, ele o cercou de uma lei que o impediria de ser desonesto com as coisas de Deus por meio de negociatas e de atitudes vigaristas.

- Caso fosse permitido, o homem faria um negócio consigo mesmo, avaliando, inclusive, o objeto, ou animal, alheio e nunca entregaria os bons animais para o Senhor, mas somente os fracos e doentes.

4 – DÍZIMO – HERANÇA LEVÍTICA

- A tribo de Levi foi escolhida para ser a oficiante do ministério de culto ao Senhor e a família de Arão para família sacerdotal, Nm 3.5-13. Em função disso, não receberam herança na terra de Israel e Deus se fez a herança deles, Nm 18.20.

- Quando o povo entregava os dízimos fielmente, os levitas prosperavam e o povo era abençoado; q

- Quando se tornava infiel todo o Israel padecia necessidades e faltava pão, Rt 1.1,2 (falta pão até em Belém – que significa casa de pão).

4.1 – Dízimo – sustento dos estrangeiros, dos órfãos e das viúvas, Dt 26.12-13

- Além de servir para o sustento dos levitas, os dízimos eram usados para alimentar os estrangeiros, os órfãos e as viúvas visitantes;

- os dízimos poderiam ser usados na casa do ofertante para a alimentação dessas pessoas necessitadas.

Dízimo – uma lei a ser obedecida, Dt 26.12-13

- O israelita tinha consciência da necessidade de observância dessa lei; sabia que ele mesmo não poderia comer dos cereais ou animais pertencentes ao Senhor e, portanto, a lei o obrigava a fazer declarações perante o Senhor que havia retirado de sua casa as coisas consagradas e entregues aos levitas, ao estrangeiro, ao órfão e à viúva, conforme o mandamento e que não havia comido as coisas consagradas do dízimo.
Função pelo não cumprimento da lei do dízimo, Ml 3.8-10 -

- O direito patrimonial de Deus sobre o dízimo e as ofertas é tão real que o profeta Malaquias, além de chamar os judeus que deixaram de entregar os dízimos e as ofertas, de ladrões, ainda proclamou que eles seriam amaldiçoados, Ml 3:9.

5 – COMO ALCANÇAR AS BÊNÇÃOS PELA ENTREGA DOS DÍZIMOS? Ml 3.10

Enquanto há maldições aos crentes não dizimistas e não ofertantes, há bençãos abundantes aqueles que são fiéis.

5.1 – Os passos para a bênçãos resultantes de entrega dos dízimos

a) Levar os dízimos à casa do tesouro.

Os dízimos e ofertas devem ser entregues na tesouraria da igreja e não nos orfanatos, nos asilos, nas creches etc. Embora o crente generoso deva ofertar para manutenção de tais obras assistenciais, os dízimos só podem ser entregues a quem tem autonomia para recebê-los na casa do tesouro.

b) Prover a casa de Deus

Diz o profeta Malaquias que o Senhor deseja que haja abundância em sua casa “para que haja mantimento na minha casa”... como Rei do universo e provedor de todas coisas e dono do mundo é legítimo o desejo de Deus de ter abundância de víveres em sua casa.

c) Fazer prova

AS BÊNÇÃOS PROMETIDAS AOS DIZIMISTAS, Ml 3.10

Se por um lado há punição com maldições aos não dizimistas e ofertantes, por outro lado há promessas grandiosas para aqueles que são fiéis contribuintes.

6.1 – As conseqüências da obediência ao mandamento e fé na recompensa

Malaquias revela que o Senhor abre as anelas no céu sobre a vida dos contribuintes fiéis; essas janelas são abertas nos celeiros celestiais. Sempre que obedecemos a um mandamento do Senhor, por menor que seja, isso resultará em bênção sobre nossas vidas e nossa família, Mt. 5.18,19; no caso do dizimo não é diferente.

Diz o Senhor:

a) Abrirei as janelas do céu;

b) Derramarei uma benção grandiosa sobre vós;

c) Lhes darei uma grande abastança;

d) Repreenderei o devorador.
Entendemos, então, que nossas propriedades serão frutíferas, se formos fiéis nos dízimos e nas ofertas.

CONCLUSÃO:

- Se ao aceitar a fé o crente faz uma promessa de submissão e obediência total e irrestrita ao Senhor, deve considerar, em seu coração, o mandamento do Senhor quanto à devolução dos dízimos de suas posses, sob pena de roubar do próprio Deus.

-Devemos considerar a soberania de Deus e respeitar sua vontade e determinação; nesse caso, a bíblia nos ensina a devolvermos as primícias de nossas rendas e a não cobrar para sustento do ministério.

- Uma vez cumprida nossa obrigação, nada mais nos interessa saber quanto ao destino de nossas contribuições; administrá-las não é nossa função, mas da de autoridades a quem Deus levantou para isso.

- Devemos nos conscientizar de que, se cumprimos os mandamentos, seremos abençoados abundantemente; ao contrário, seremos amaldiçoados com maldições. Sejamos fiéis.


AUTOR: Pr. Olivar Basílio


Nenhum comentário:

Postar um comentário