sábado, 4 de abril de 2009




O SILÊNCIO DE DEUS (Isaías 42:10-17)


· Todos nós enfrentamos situações de crise nessa vida. E quando passamos por dificuldades, por lutas, por momentos de desespero, como cristãos, o que mais poderia nos trazer alento e conforto seria o falar de Deus ao nosso coração.


· Quando Deus fala – seja através das Escrituras, da pregação ou de um comunicar à nossa consciência – é certo que nos enchemos de ânimo e de esperança, pois assim conseguimos encontrar algumas respostas para os nossos dilemas. Mas precisamos ser realistas: isto nem sempre acontece!


· Em determinadas fases da vida espiritual acabamos por nos deparar unicamente com o silêncio, o silêncio de Deus. Falo daquele tempo em que Deus se cala, em que Deus não nos dá respostas. Falo daquele tempo em que Deus não fala ao nosso coração. E isto nos deixa perplexos, desorientados, sem saber o que fazer.


· Contudo, de antemão posso adiantar que este é apenas uma das vias da espiritualidade, e é precisamente sobre ela que vamos tratar hoje.


I. O SILÊNCIO DE DEUS PROJETA A REALIDADE DA NOSSA FÉ

1) Segundo a Bíblia, a dinâmica do falar de Deus e do não falar é um acontecimento sempre presente na vida do povo de Deus.

2) O silêncio de Deus gera em nós o vazio, o sentimento de abandono.

3) Era este vazio e abandono que o povo de Israel experimentava no cativeiro na Babilônia. Foi para este povo que o profeta anunciaria a mensagem de Deus

4) Quando Deus se cala os homens tendem a tomar duas atitudes:

1) Decidir por não mais buscar a Deus; ou

2) Clamar a ele para que fale e não permaneça calado. Com respeito a esta segunda atitude, o salmo 28:1.

5) No silêncio de Deus, os crentes podem desenvolver intensa atividade espiritual.

6) Veremos que o silêncio de Deus tem o poder de trazer à tona o nosso interior. Assim saberemos quem somos, como estamos em Deus ou se estamos em Deus.

7) Nestas circunstâncias trava-se uma batalha pelas respostas de Deus. E nisto, há um grande crescimento no conhecimento de Deus.


8) Nestas situações deixa-se de lado a passividade e o conformismo.

9) Em seu silêncio Deus quer que falemos, que tomemos iniciativas de fé.

10) No silêncio de Deus saberemos da profundidade e da força dos nossos alicerces espirituais.

11) No silêncio de Deus saberemos da realidade da nossa fé, ou seja, se ela esta em atividade ou não.

II. O SILÊNCIO DE DEUS SEMPRE É SEGUIDO PELO FALAR DE DEUS

1) Deus sabe até quando suportamos ficar sem o seu falar ao nosso coração.

2) Após a crise e o silêncio – isto é, quando o homem cai por terra sem recursos – a Bíblia sempre nos mostra de que o Deus misericordioso falará conosco.

3) No texto de Isaías, Deus agora passa a gritar, a berrar como uma mulher em dores de parto (v.14).

4) Deus não se conteve para estabelecer comunicação com seu povo. Essa questão era urgente para ele.


5) Nada impedirá Deus de se comunicar com seus filhos. É como se Deus estivesse dizendo: “Não suporto mais ficar em silêncio, vou falar aos meus, vou gritar e mostrar que estou aqui!”

6) As nossas vidas constituem uma questão urgente para Deus.

7) A fala de Deus ao nosso coração é carregada de esperança, de ânimo, de conforto, de direção.

8) Por isso lemos em Is.43:1.

9) Assim entendemos que Deus fala por meio da palavra pregada, fala à nossa consciência, fala por meio da leitura bíblica trazendo alento aos corações cansados.

10) Os períodos de silêncio, reafirmando, nos prepararão para o momento sublime do falar de Deus. E este falar de Deus é a única palavra do mundo capaz de nos levantar dos nossos fracassos e nos fazer vencer.

III. O SILÊNCIO DE DEUS NOS PREPARA PARA A AÇÃO LIBERTADORA DE DEUS

1) Somente palavras não serão suficientes para saciar um coração sedento de respostas.

2) Os filhos e filhas de Deus agradam-se do ouvir, mas se satisfazem ainda mais quando contemplam mudanças ou libertação.

3) Este ponto se torna claro com o episódio do Êxodo: Deus fala a Moisés, mas em seguida liberta o povo do cativeiro egípcio. Neste capítulo de Isaías um novo Êxodo está por acontecer: O povo cativo voltará para a cidade de Jerusalém.


4) O falar esperançoso de Deus, portanto, antecedeu a libertação integral.

5) Com isso podemos ter a certeza que Deus nos conforta e nos enche de esperança por via de sua palavra, mas que igualmente atenderá nossas necessidades físicas, emocionais e espirituais.

6) Tratam-se de ações concretas da parte de Deus que se realizam entre aqueles que crêem.


7) Falo de respostas que lhe serão dadas após o período de silêncio. Tomo como exemplo aquele que permaneceu um bom tempo sem emprego (silêncio de Deus). Quando Deus lhe abre as portas e lhe dá o emprego entendemos que aí está presente uma ação libertadora.


8) O silêncio de Deus, portanto, é um prenúncio do recomeço para o povo de Deus.

9) O silêncio de Deus educa o nosso interior para que possamos desfrutar plenamente a grande ação libertadora da parte de Deus.

CONCLUSÃO:

Por fim podemos dizer que em seu silêncio, Deus está tão presente como se estivesse falando. O silêncio divino não toma a forma de total falta de atividade ou desinteresse por seus filhos.

Há um propósito para todas as coisas debaixo do céu, inclusive no calar de Deus. Se experimentamos a ausência de palavras, é certo que simultaneamente poderemos experimentar a presença constante do amor. Afinal, mesmo calado, Deus continua sendo aquele que ama.


FONTE: Pr. Adilton Foyzer & Silva - IPR

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