Introdução
O altar é um dos elementos mais antigos e persistentes na narrativa bíblica, servindo como um ponto focal para o relacionamento entre Deus e a humanidade.
Longe de ser uma estrutura monolítica e imutável, o altar evoluiu em forma e significado ao longo das Escrituras, refletindo a progressão do plano redentor de Deus. Desde as simples pilhas de pedra dos patriarcas até os elaborados altares do Tabernáculo e do Templo, cada tipo de altar na Bíblia nos oferece uma visão única sobre a natureza de Deus, a necessidade do sacrifício e o caminho para a verdadeira adoração.
Compreender esses diferentes tipos de altar nos ajuda a apreciar a culminação de todos eles em Jesus Cristo, o Altar definitivo da Nova Aliança.
Tópicos
I. O Altar Primitivo/Patriarcal: O Altar da Resposta e da Memória
A. Construção Espontânea:
Estes altares eram frequentemente construídos em resposta a uma manifestação divina ou a um ato de obediência e gratidão, servindo como memoriais.
Noé (Gênesis 8:20): O primeiro altar registrado após o dilúvio, marcando um novo começo para a humanidade e um ato de gratidão e reconhecimento da soberania de Deus.
Abraão (Gênesis 12:7-8; 13:18; 22:9): Abraão construiu vários altares em locais onde Deus lhe apareceu ou fez promessas. Eles simbolizavam seus encontros com Deus, sua adoração e sua obediência (como no sacrifício de Isaque).
Isaque e Jacó (Gênesis 26:25; 35:1-7): Seguiram a tradição de seu pai e avô, construindo altares como lugares de invocação do nome do Senhor e renovação de pactos.
B. Significado: Representava o início de um relacionamento pessoal, adoração, gratidão e memorial da fidelidade de Deus e da resposta humana. Não havia regras rígidas para sua construção, mas sim um coração disposto.
II. Os Altares Levíticos (Tabernáculo e Templo): O Altar da Expiação e da Intercessão
A. O Altar de Holocausto (Êxodo 27:1-8; 38:1-7):
Material e Localização: Feito de madeira de acácia coberta de bronze, era o maior e mais proeminente altar, localizado no pátio externo do Tabernáculo/Templo.
Função Central: Usado para a queima de ofertas de animais (holocaustos, ofertas pelo pecado, ofertas pela culpa), simbolizando a expiação. O derramamento de sangue era essencial para a remissão de pecados (Levítico 17:11).
Simbolismo: Apontava para a necessidade de um sacrifício substitutivo e a santidade de Deus que exigia purificação.
B. O Altar do Incenso (Êxodo 30:1-10; 37:25-28):
Material e Localização: Feito de madeira de acácia coberta de ouro, ficava no Lugar Santo, logo antes do véu que separava o Santo dos Santos.
Função Central: Usado para queimar incenso aromático diariamente, cujo fumo subia como um cheiro agradável a Deus.
Simbolismo: Representava as orações e louvores do povo de Deus que subiam à Sua presença (Salmo 141:2; Apocalipse 5:8).
C. Significado dos Altares Levíticos:
Essenciais para a vida religiosa de Israel sob a Antiga Aliança, eles enfatizavam a necessidade de expiação para se aproximar de Deus e a importância da oração contínua.
III. Jesus Cristo: O Altar Perfeito e Definitivo da Nova Aliança
A. Jesus como o Sacrifício Final (Hebreus 7:27; 9:11-14):
O Fim dos Sacrifícios: Cristo, ao oferecer-Se a Si mesmo uma única vez e para sempre, cumpriu e aboliu a necessidade de todos os sacrifícios de animais. Ele é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.
Redenção Eterna:
Seu sangue não apenas cobre, mas purifica e perdoa completamente o pecado, providenciando uma redenção eterna.
B. Jesus como o Altar do Crente (Hebreus 13:10-12):
Acesso Direto e Ousado: Nós temos um "altar" do qual os sacerdotes do Antigo Testamento não podiam comer (se referindo à realidade espiritual de Cristo). Através de Jesus, temos acesso direto ao Pai, sem a necessidade de um altar físico ou de rituais contínuos.
A Nova Adoração: Nossa adoração não está mais presa a um local ou a objetos, mas é focada na pessoa e obra de Cristo.
C. Nossas Vidas como "Sacrifício Vivo" (Romanos 12:1-2):
Ofertório Espiritual: Com Cristo sendo o Altar e o Sacrifício perfeito, somos chamados a oferecer a nós mesmos – nossos corpos, mentes e vontades – como "sacrifícios vivos, santos e agradáveis a Deus", o que é o nosso "culto racional".
Adoração em Espírito e Verdade: A adoração verdadeira agora é um estilo de vida, caracterizado pela obediência, santidade e um relacionamento pessoal com Deus através do Espírito Santo (João 4:23-24).
Ilustração
Imagine que você está tentando se comunicar com alguém que vive do outro lado de um vasto e perigoso cânion.
Altar Patriarcal:
No início, vocês simplesmente se encontravam em pontos altos perto da borda do cânion, acenavam um para o outro e faziam sinais de fumaça (adoração e memória). Era um contato esporádico e simbólico, mas marcava a tentativa de comunicação.
Altar de Holocausto/Incenso:
Mais tarde, vocês construíram uma plataforma elaborada com uma tirolesa complexa que atravessava o cânion. Para usá-la, era preciso seguir regras estritas: enviar uma oferta específica na tirolesa para demonstrar a seriedade do desejo de comunicação, e depois enviar mensagens perfumadas para que a comunicação fosse agradável. Era um sistema eficaz, mas muito ritualístico e custoso.
Jesus Cristo como o Altar Perfeito:
Finalmente, o próprio Filho da pessoa importante vem, constrói uma ponte sólida e permanente através do cânion com o próprio corpo Dele como fundamento. Não há mais necessidade de sacrifícios complexos ou rituais custosos na tirolesa. A ponte está ali, aberta para todos que desejam atravessar. Agora, a comunicação é direta, constante e pessoal, sem barreiras.
Você pode simplesmente caminhar sobre a ponte e encontrar a pessoa do outro lado.
Jesus é essa ponte e essa conexão. Ele é o Altar que torna a comunhão com Deus direta, pessoal e não dependente de rituais ou sacrifícios repetitivos, pois Ele foi o sacrifício perfeito.
Ensino Prático
A compreensão dos diferentes tipos de altar nos traz valiosas lições para a nossa fé hoje:
A Progressão da Revelação de Deus:
Reconhecemos que Deus sempre buscou um relacionamento com a humanidade, adaptando a forma do altar para revelar mais de Si mesmo e de Seu plano de redenção.
O Fim dos Rituais sem Sentido:
Entendemos que os sacrifícios e rituais do Antigo Testamento apontavam para Cristo e foram cumpridos Nele. Não precisamos mais de altares físicos para expiação.
Centralidade de Jesus Cristo:
Jesus é o Altar, o Sacrifício e o Sacerdote. Toda a nossa adoração e acesso a Deus é mediada por Ele. Devemos sempre direcionar nossa fé e devoção a Ele.
Adoração como Estilo de Vida:
A verdadeira adoração hoje não está ligada a um lugar ou a um objeto, mas à entrega completa de nossa vida a Deus.
Nosso corpo é o "altar" onde oferecemos a nós mesmos diariamente.
Acesso Direto à Presença de Deus:
Pelo sangue de Jesus, temos acesso ousado e livre à sala do trono de Deus. Devemos aproveitar esse privilégio através da oração, da leitura da Palavra e da comunhão com o Espírito Santo.
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Conclusão
Os tipos de altar na Bíblia nos oferecem uma rica tapeçaria da história da redenção. Dos altares primitivos que marcavam encontros divinos, passando pelos altares levíticos de sacrifício e oração que prefiguravam a redenção, até a culminação em Jesus Cristo, o Altar perfeito e definitivo. Ele é o sacrifício que removeu o pecado de uma vez por todas e o caminho que nos dá acesso direto à presença de Deus.
Que a nossa compreensão desses diferentes altares nos leve a uma adoração mais profunda, a uma fé mais firme em Cristo e a uma vida que se oferece diariamente como um sacrifício vivo e agradável ao nosso Deus.
Como você tem oferecido sua vida no altar de Cristo hoje?
Prompt: Robernane Ferreira Lima - Gemini.

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