COMO NOSSA
VISÃO DE DEUS
AFETA NOSSA
ADORAÇÃO
TEXTO BÍBLICO: Atos 2:42-47
INTRODUÇÃO
- Não há como fugir deste fato: “A visão que tivermos de Deus, fatalmente afetará as nossas atitudes de Adoração”!
- Considerando que “Adorar” é “prestar culto”, como poderemos cultuar um Deus que desconhecemos ou então, que conhecemos com uma visão errada?
- Vamos observar alguns conceitos errados sobre quem é e como age o Senhor; conceitos que podem ser conscientes ou não, mas que afetam a muitas pessoas negativamente, dificultando o seu relacionamento e sua Adoração a Deus.
1. VISÕES ERRADAS SOBRE DEUS
- J. B. Phillips, no seu livro “Seu Deus é Pequeno Demais” (também editado anteriormente, com o nome “Deus e deuses", Ed. Mundo Cristão, pp. 9 a 50), nos mostra esta realidade, denunciando os conceitos inadequados que muitos têm sobre o Senhor.
- Este fato tem gerado como conseqüência, a decepção com Deus, enfraquecimento da fé e em alguns casos, um distanciamento cada vez maior do Senhor.
- Adaptamos aqui, alguns dos exemplos ali citados:
O policial Onipresente - são pessoas que transformam a sua própria consciência, em Deus.
- Muitas vezes, são demasiadamente severas consigo mesmas e acham que Deus também deve ter a mesma imagem “impiedosa”.
- E a visão de um Senhor “massacrante”, que não usa de misericórdia e compreensão diante dos erros, mas sim o juízo, que é utilizado sempre contra o faltoso. Tal pai, tal Deus - fazem uma transferência da imagem paterna.
- Caso seu relacionamento com a figura paterna é, ou tenha sido bom, o Senhor é tratado como uma pessoa “maravilhosa”. Mas se o relacionamento é ou foi um “desastre”, imediatamente é feita uma comparação com Deus, que passa a ser encarado com dificuldade.
O idoso antiquado - pessoas que tratam a Deus com muito respeito (como tratam as pessoas idosas), por tudo o que Ele fez aos nossos antepassados.
- Mas acham que dificilmente conseguiriam se adaptar às correrias e complicações do mundo e dos problemas da atualidade. E como se dissessem : “Deus agiu fortemente no passado, mas hoje Ele está enfraquecido”.
O manso e suave - essa é a imagem que alguns têm de Deus : bonzinho, calmo, que jamais fala algo que os outros não vão gostar.
- Talvez uma boa imagem fosse a do “Papai Noel”: uma pessoa simpática para todos os que se aproximam.
- Na verdade, Deus nem sempre é “manso e suave” e quando precisa falar o que é certo, Ele fala, mesmo que as pessoas não gostem.
- Deus é amor, cheio de bondade e misericórdia, mas também é JUSTO! (Rm I 1:22).
O Deus dos 100% - crêem que o Senhor quer de nós “perfeição absoluta”.
- Agem como se Deus não ouvisse suas súplicas e clamores, enquanto não estiverem “ 100% certinhos” diante do Senhor.
- Deus é na verdade a Perfeição absoluta, mas Ele não é um “perfeccionista doentio”, que não conheça as falhas do ser humano. Ele ama e está disposto a socorrer àquele que O busca, sinceramente arrependido pelos pecados cometidos.
O Deus do escapismo - é o indivíduo que busca a Deus somente para escapar dos problemas.
- “Usa” o Senhor como uma desculpa para não cumprir suas responsabilidades diante das dificuldades.
- Escondem-se nesta atitude, até que passem os perigos. O Senhor certamente é o nosso “refúgio seguro” na hora da angústia. Mas não podemos “usar” a Deus como “fuga”, para não fazer a nossa parte diante dos problemas.
O Deus capturado - são pessoas que agem, como se Deus só pudesse se manifestar com intensidade através da sua comunidade.
- E como se estas pessoas houvessem “capturado Deus" entre as 4 paredes de sua igreja, achando que só eles são objetos do Seu amor.
- Na verdade estes indivíduos praticam o “igrejismo”, ao invés do cristianismo bíblico.
O Deus Diretor-Presidente - estes, consideram o Senhor como Aquele que é “grande demais” e “ocupado demais” para se importar com pequenos problemas como os deles.
- Geralmente são pessoas que acabam se distanciando de Deus, devido a essa postura de achar que Ele não irá atendê-los em suas dificuldades.
- Embora Deus seja o Senhor do Universo, Ele está interessado em nós ! Por isso, enviou Jesus para ser o Caminho de reaproximação entre o homem e Deus.
O Deus “de segunda-mão” - o conhecimento que essas pessoas têm de Deus muitas vezes não é o fruto de uma experiência pessoal, mas sim resultado do que ouvem de outras pessoas.
- Crescem em um ambiente, onde a fé se desenvolve de uma determinada forma, e dizem: “Eu creio dessa forma, porque a minha família crê assim”. Mas a amizade com Deus, exige uma busca pessoal.
- O testemunho de outras pessoas é muito edificante, mas só terá real efeito quando a experiência relatada nos motivar a estarmos diante do Senhor, vivenciando nossas próprias experiências com Ele.
O Deus “da decepção” - alguns crêem que o Senhor é o culpado por uma decepção, ou uma oração não respondida, ou responsável por uma tragédia imerecida.
- Tratam a Deus como um “desmancha-prazeres”. Muitas decepções do passado podem ser inexplicáveis. No entanto, grande parte delas quando analisadas friamente, têm como maiores responsáveis os seres humanos. Mas, como um “mecanismo de defesa”, lançam a culpa no Criador.
- Tantas são as vezes que Deus nos consola, protege, livra e conforta …
- Devemos fugir da ingratidão. Não podemos esquecer o quanto o Senhor já fez por nós.
O Deus “Negativo” - pessoas que têm um “masoquismo espiritual”, achando que Deus não lhes permitirá serem expansivos, alegres e bem sucedidos.
- Tornam-se pessoas isoladas, sérias, rígidas consigo e com os outros, com feições tensas e com grandes dificuldades de ganhar almas para Cristo, pois dificilmente esta postura transmitiria a “verdadeira alegria da Boa Nova do Evangelho”.
- Quem age de maneira tão negativa, deveria lembrar de um dos menores e mais completos versículos da Bíblia: 2 Ts 5:16 “Alegrem-se sempre”.
Imagem Projetada - enxergam Deus através da imagem que têm de si próprios.
- Quando estão de “bom humor” e com a auto-estima em alta, acham que “Deus é maravilhoso e fantástico”.
- Caso estejam num dia difícil e com baixa auto-estima, esbravejam contra Deus, dizendo que “Ele é o culpado pelas desgraças do mundo” etc.
- Sua imaturidade é perigosa, pois sua atitude pode desencaminhar a muitos, principalmente os que são novos na fé em Jesus.
O Deus “da barganha” - são pessoas que esperam “negociar” com Deus.
- Só obedecem a Ele se lhes fizer algo que desejam. Não percebem o ridículo de estarem querendo “vender a Deus” a sua fidelidade, ou o seu trabalho, ou seu louvor, em troca de benefícios que Ele possa conceder.
- O Senhor “sonda e conhece” o íntimo do coração do homem e sabe detectar suas verdadeiras intenções (SI 139:1 -4).
2. CONHECENDO VERDADEIRAMENTE A DEUS
- Quando temos uma visão deturpada sobre Deus, nossa adoração será distorcida.
- Precisamos conhecer Sua natureza e caráter, para adorá-Lo de maneira mais significativa.
- Ralph Martin, em “Adoração na Igreja Primitiva” (Ed. Vida Nova), mostra que os princípios fundamentais da Adoração bíblica, começam na doutrina sobre “Quem é Deus”.
- Ele resume esta doutrina em 3 pontos principais: Deus Existe: Seu Caráter Foi Revelado. Foi o próprio Deus, quem decidiu revelar Seu caráter e Sua natureza. Ele o fez como manifestação de Sua Graça, levantando homens que foram inspirados por Ele, para escreverem as páginas da Bíblia. Ela é a base segura, que determina o conhecimento do Senhor.
- Algumas “facetas principais” desta auto-revelação através da Bíblia, são: Ele é majestoso em Sua santidade: A santidade de Deus, que nos inspira a um reverente temor, é uma instrução que percorre toda a Bíblia.
- Nossa aproximação diante dEle será feita na consciência de nossa fraqueza e da necessidade da Sua graça e perdão (Hb 12:28-29).
- Ele é Todo-poderoso, mas também Todo-gracioso: O mesmo Senhor que é o Criador de tudo o que há, decidiu ser o Deus de toda a graça (I Pe 5:10).
- Ele assegura o acesso diante do Seu Trono, a todo o que tem a Jesus como o Senhor de sua vida (Hb 10:19-22).
- Ele é o único Deus: deve ser adorado com exclusividade. A idolatria é um crime contra Deus, por tentar dar a Sua glória a qualquer coisa ou pessoa que pretende ser, mas nunca será Deus. (Êx 20:3-5; Is 42:8).
- Deus dá: Suas dádivas são graciosas. Sabe por que devemos adorar a Deus?
- Porque desejamos dar-lhe nossas ações de graças, por tantas dádivas que nos ofereceu. Tg.1:17 revela que “Toda boa dádiva e todo dom perfeito vêm do alto, descendo do Pai das luzes, que não muda como sombras inconstantes”.
- Sua maior dádiva, foi dar Seu Filho Jesus, em resgate pelos nossos pecados. Ele o fez por amar o ser humano, que nem sempre O reconhece como Deus (Jo 3:16; Rm 5:7-8).
- Deus Espera: Nosso Louvor e Adoração. Por tudo o que fez por nós (amou-nos, salvou-nos, abençoou-nos, conservou-nos) e ainda continua fazendo, devemos a Ele o oferecimento de nossos tributos de louvor e adoração, como “Culto racional” (Rm 12:1).
- Deus reivindica a nossa adoração, pois ela é a resposta apropriada a quem como nós, temos tanto a agradecer.
- Essa adoração não será com murmuração, mas num desejo profundo de exaltar a Quem tanto nos amou.
3. CONSEQUENCIAS DE UMA VISÃO CORRETA DE DEUS NA ADORAÇÃO.
- Segurança- a adoração fortalece a confiança íntima (Fp 4:6-7).
- E uma “terapia” que levanta nossos olhos para o horizonte e nos faz andar confiantes e esperançosos (SI 3 7:5; Pv 3:5- 6).
- Comunhão - a adoração nos aproxima de Deus e das pessoas (I Jo. 1:3). Faz desaparecer as barreiras entre os irmãos (At 2:42,46- 47).
Visão Transformada- quando vivemos na presença do Senhor, temos nossa visão do mundo mudada.
- O resultado da íntima comunhão com Ele cria em nós o desejo de colocar a honra de Deus, acima da própria segurança física.
- Mesmo diante dos dramas da vida, sabemos que a nossa esperança está no Senhor, que é Soberano sobre qualquer situação (At 16:25-26; Mt 19:26; Mc 10:27; Lc 1:37).
- Evangelização - um culto digno do Senhor, faz crescer em nós o desejo de testemunhar de Jesus Cristo e anunciar as boas novas.
- Jesus convidou os discípulos a seguirem-No (Mt 4:19; Mc 1:17; Lc 5:10), mas os enviou sem obrigá-los a ir (At. 1:8).
- A comunhão com Ele e o Seu poder motivou toda a realização da tarefa missionária.
- A visão correta sobre a pessoa de Deus não nos faz criaturas “doentes e problemáticas”, mas nos torna cada vez mais saudáveis e produtivas.
- Nossa vida pessoal é beneficiada, nossa comunhão com o Senhor e com os irmãos é revigorada e há uma explosão de amor, onde o nosso maior desejo é o de comunicar Jesus às outras pessoas.
AUTOR: Pr. Josias Moura
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