domingo, 21 de abril de 2013

Os riscos de se vestir com um lençol

 

Os riscos de

se vestir com

um lençol

 

Referência: Marcos 14.51-52

 

INTRODUÇÃO

1. A cidade de Jerusalém estava vivendo a noite mais dramática da sua história. Nas caladas da noite, as autoridades judaicas e romanas estavam tramando um plano maligno com a ajuda de Judas Iscariotes para prender o Carpinteiro de Nazaré, o meigo Rabi da Galiléia, o Filho de Deus, o Salvador do Mundo.

2. Jesus já estava no Getsêmani travando uma luta de sangrento suor.

- Ele ora com forte clamor.

- Ele chora e suas gotas de suor se transformam em sangue. Os discípulos dormem. O inferno lança contra Jesus suas setas mais venenosas. Jesus geme, chora, sua sangue, mas se rende completamente à vontade do Pai e se dispõe ir para a cruz, morrer em lugar da sua igreja.

3. Judas lidera a turba de sacerdotes e soldados que vão prender a Jesus.

- Ouve-se pelas ruas o tropel dos cascos dos cavalos. Muitas pessoas, movidas pela curiosidade abrem suas janelas. Outras, olham assustadas de dentro de suas casas. Mas um jovem, não se conteve. Do jeito que estava, enrolado em um lençol, pulou de sua cama e infiltrou-se no meio de turba para ver aquele dramático espetáculo da prisão de Jesus. Não se apercebeu que lençol não é roupa. Não se deu conta de que estava indevidamente vestido e que poderia ser desmascarado, denunciado e exposto a um vexame.

4. Viu como Jesus chamou Judas de amigo. Viu quando Pedro sacou da espada e decepou a orelha de Malco e como Jesus a restaurou. Viu como Jesus voluntariamente se entregou dizendo que havia chegado a sua hora. Viu como Jesus estava sereno, apesar do drama e começou a seguir a Jesus.

5. Este jovem é mais do que uma estatística na multidão, ele é um símbolo. Representa os seguidores ocasionais, os discípulos de plantão. Ele decidiu seguir a Jesus sem medir as consequências. Nem se apercebeu que estava apenas enrolado em um lençol, sem roupas próprias. Deu uma amnésia moral naquele moço. Curiosidade, pressa, improvisação e inconsequência foram as misturas que fizeram daquele moço um discípulo sem compromisso.

6. Quantas decepções e tragédias têm acontecido por causa dessa mistura. Quantos casamentos em desgraça. Quantos empreendimentos mal sucedidos. Quantas vidas destruídas. Tudo por causa de uma curiosidade mórbida, torpe e inconsequente.

7. Esse texto nos ensina algumas lições práticas.

 

I. AQUELES QUE SE COBREM DE UM LENÇOL SÃO UM SÍMBOLO DOS SEGUIDORES DE JESUS, MAS SEM COMPROMISSO 

1. Segue a Jesus, mas não tem compromisso – a Bíblia nos mostra que o rapaz seguia a Jesus. Ele se tornou um discípulo casual, mas não era um verdadeiro discípulo. Faltava-lhe o compromisso com Jesus. Ele era um discípulo de improviso. Seguia Jesus movido pela curiosidade, mas não tinha aliança com ele.

2. A geração do “Fica” – Este jovem é um símbolo da nossa geração que “fica” sem compromisso.

- No namoro, no casamento, nas amizades, no emprego, no endereço, todo mundo está ficando. As coisas e as pessoas estão se tornando descartáveis.

- Hoje as pessoas estão “ficando” até com Jesus e com a Igreja. Não querem compromisso. Não firmam raízes. Não toleram o princípio da fidelidade.

- Aquele jovem colocou o lençol só para ver de perto e voltar para a sua cama. Era uma aproximação casual de Jesus. Nada de compromisso.

- Muitos estão assim hoje: aproximações temerárias, intimidades perigosas, sem nenhuma fidelidade.

- Muitos estão “ficando” com Jesus apenas numa noite de louvor, mas sem compromisso de fidelidade a ele. Vêm à igreja apenas em ocasiões especiais. Pensam que fazendo isso estão quites com Deus. Mas isso não é seguir a Cristo.

- Ser discípulo é mais do que ter emoções, estar perto. É fazer a vontade do Pai.

3. A síndrome do controle remoto – O controle remoto é o instrumento da mudança.

- A decisão de mudar de canal está na ponta dos seus dedos. O controle remoto favorece em muito o descomprometimento. Com o controle remoto não há fidelidade a um canal, há um interesse por tudo e por nada, porque, no final, tudo e nada foi visto. Essa mania do controle remoto acabou por se manifestar nos relacionamentos.

- As pessoas não conseguem ficar muito tempo com a mesma namorada, com o mesmo namorado, com o mesmo marido, com a mesma esposa, com o mesmo carro, com os mesmos amigos, na mesma igreja.

- Hoje os crentes dizem que Jesus satisfaz, mas vivem insatisfeitos. Vivem a procura de coisas místicas, ou se deliciar nos banquetes do mundo.

- Paulo diz que as os lucros do mundo tornaram-se lixo ao comparar com a sublimidade do conhecimento de Cristo. O que mais as pessoas andam buscando é prosperidade, saúde, sucesso e não intimidade com Deus.

- A maioria das pregações hoje falam sobre dinheiro e saúde e não sobre salvação. Quando suas expectativas não são atendidas, elas abandonam a igreja, a fogem de Jesus como a multidão de João 6 e o jovem rico.

- O lençol não tinha amarração, costura, nem um cinto sequer. Por isso, ele se viu em “maus lençóis”.

- Compromisso é amarração, costura, segurança. Vivemos hoje a geração da comodidade, do menor esforço, dos consumidores de Jesus.

II. AQUELES QUE SE COBREM COM UM LENÇOL SÃO UM SÍMBOLO DAQUELES QUE VIVEM A SUPERFICIALIDADE DA VIDA CRISTà

1. O lençol era a única cobertura que aquele jovem possuía. Era, portanto, um arranjo, uma proteção superficial. Não havia mais nada além daquilo que era aparente. Quando arrancaram-lhe o lençol, não havia mais nada para lhe proteger a vergonha. Segurança aparente, conforto aparente, discipulado aparente, cristianismo aparente.

2. Lençol não é roupa – A turma do lençol está tentando mostrar que podem ser o que não são. A turma do lençol é light. Tudo lhe interessa, mas de forma superficial. Tudo nela torna-se etéreo, leve, volátil, banal, permissivo. Não tem vida devocional consistente. Não tem vida de oração regular. Não tem deleite nas coisas de Deus. Aproxima-se, olha, segue, mas sem compromisso.

3. Superficialidade que gera permissividade – Nesse estado de vida superficial, as pessoas confundem sexo com amor e se tornam moralmente frágeis e permissivas. Pessoas sem filtros morais têm dificuldade para dizer NÃO, para discernir as coisas, para separar o precioso do vil. O importante para essas pessoas é a aparência.

4. A síndrome do Simão, o mágico – São aqueles que misturam as coisas de Deus com ilusão religiosa. Os samaritanos diziam: “Este homem é o poder de Deus”. Simão iludia o povo. Misturava magia com evangelho. Seu interesse era o lucro. Simão abraçou a fé. Foi batizado. Passou a acompanhar os discípulos na evangelização, mas nunca foi um convertido. Estava vestido de roupa de crente. Parecia um crente, mas não era um crente. A turma do lençol se impressiona com o que vê. Se deixa enredar pelos mágicos porque não está firmada na Palavra.

III. AQUELES QUE SE COBREM COM UM LENÇOL SÃO UM SÍMBOLO DAQUELES QUE PREFEREM O QUE DÁ CERTO EM LUGAR DO QUE É CERTO 

1. O moço do lençol fez exatamente isso. Não era certo sair de lençol, mas naquele momento deu certo. Era noite, e como diz o ditado: “à noite, todos os gatos são pardos”. Naquela época, os homens usavam roupas compridas. O lençol enrolado no corpo, à noite, parecia-se com a vestimenta de qualquer homem naquele momento. A escuridão favorecia esse tipo de arranjo e jeitinho. O moço raciocinou: “Como ninguém sabe, nem está vendo, então eu vou fazer”. Nem sempre o que dá certo é certo. Sua ética é ética do momento, da conveniência.

2. A Bíblia diz em 1 Coríntios 10:23 que nem tudo que é lícito é conveniente. A bebida alcoólica é legal, lícita, porém para os filhos de Deus não convém. A pornografia está aí, em bancas de revistas, locadoras de vídeo, na televisão e no cinema. O adultério não é mais crime. O divórcio não é visto mais como algo que Deus odeia. Estamos adaptando demais a algumas coisas que dão certo no mundo. Abraão buscou um filho do seu jeito, pelo seu método e até hoje o mundo sofre as consequências. Nem sempre o que dá certo é certo.

3. A turma do lençol não se baseia nos princípios éticos da Palavra de Deus, mas naquilo que diz a sua intuição espiritual. Cada um cria a sua própria moral. O que orienta a sua vida: o que é certo ou que dá certo? Na família, nos negócios, no trabalho?

4. Há outro equívoco com a turma do lençol: a fé com base em resultados – deu certo com tal pessoa, então vamos fazer igual. A experiência de um não é a outro. Não é porque Deus fez algo em sua vida, que vai fazer igual na minha. Isso gera frustração. Deus permitiu que Tiago fosse morto à espada e livrou Pedro da prisão no mesmo contexto. Paulo foi usado por Deus para curar muitas pessoas, mas ele mesmo não foi curado do espinho na carne. Uns honram a Deus pelo livramento da morte, outros honram-no pelo livramento através da morte. É Deus quem dá a vida e quem a tira.

IV. AQUELES QUE SE COBREM COM UM LENÇOL SÃO UM SÍMBOLO DAQUELES QUE QUEREM SER DIFERENTES, MAS NÃO FAZEM A DIFERENÇA 

1. Aquele jovem foi identificado como um seguidor de Jesus. Ele não estava no grupo que prendia a Jesus. Então, pensaram: ele é seguidor de Jesus. Mas quando lançaram mão dele, ele estava se cobrindo com um lençol e saiu correndo nu. Na verdade ele não era um discípulo, era um carona da fé.

- Assim são muitos hoje. Carregam uma Bíblia, usam camisetas com frases bíblicas, mas na hora de fazer diferença, ser sal e luz, cai o lençol e só o que se vê é uma cena risível e ao mesmo tempo lamentável.

- Falta à turma do lençol conteúdo interior. Falta o fruto do Espírito.

- Falta consistência.

- Faz do evangelho uma piada ou o transforma em cheque sem fundo.

2. O jogador de futebol evangélico que ao fazer um gol, levanta a camisa e mostra uma frase na camiseta: DEUS É FIEL. Depois se dirige à câmera e vocifera um monte de palavrões. Isso leva o evangelho a cair em descrédito.

3. A turma do lençol é como o profeta Jonas. Eles são contraditórios. Eles dizem que temem o Deus do céu, mas estão andando na contra-mão da vontade de Deus. Dizem que crêem em Deus, mas estão fazendo o contrário do que Deus mandou.

- somos quase 30% da população, mas fazemos pouca diferença. As pessoas mudam da igreja, mas não mudam da vida. Aprendem a dar glória a Deus na igreja, mas não aprendem a falar a verdade no trabalho.

4. A experiência do pastor Ariosvaldo com o cantor (N.N.) nos Estados Unidos.

V. AQUELES QUE SE COBREM COM UM LENÇOL SÃO UM SÍMBOLO DAQUELES QUE ESTÃO DESPROVIDOS DE PODER QUANDO PRECISAM SE DEFENDER 

1. O jovem precisou se defender quando foi atacado. Precisou usar as mãos. Mas eram suas mãos que faziam com que o lençol aderisse ao seu corpo. Ao liberar as mãos, o lençol caiu. Ficou vulnerável, exposto, desprotegido, nu. O inimigo agarrou o lençol, a única coisa que lhe cobria. Ficou nu. Fugiu nu. Que vergonha!

- Ficamos em situação delicada quando o inimigo nos ataca e agarra nossa máscara. É a única coisa que nos nos protegia.

2. Pedro também usava um lençol. Não o lençol que cobria o seu corpo, mas que cobria a sua alma. Ele prometera a Jesus ir com ele à prisão e até à morte. Julga-se mais fiel e mais corajoso que os demais discípulos. Sua valentia transforma-se em consumada covardia. Agora está seguindo Jesus de longe, e negando a Jesus na casa do sumo sacerdote. Os inimigos arrancaram a máscara de Pedro e revelaram toda a sua fraqueza.

3. As máscaras não são seguras. Elas podem cair nas horas mais impróprias. Vestir-se com um lençol é um perigo. Ele pode ser arrancado pelos próprios inimigos. Ninguém consegue manter uma máscara afivelada o tempo todo. Ninguém pode vestir-se com um lençol sem ser exposto à vergonha na hora da batalha.

VI. AQUELES QUE SE COBREM COM UM LENÇOL SÃO UM SÍMBOLO DAQUELES QUE PARTICIPAM DA GLÓRIA DE DEUS, MAS NÃO CONSEGUEM MANIFESTÁ-LA EM SUAS VIDAS

1. Poucos tiveram a chance que aquele jovem teve. Ele viu Jesus. Ele viu a glória do Filho Unigênito de Deus. Aquele foi um momento decisivo na vida de Jesus. Foi sua entrega, sua renúncia, sua glória. Ele viu Jesus curando a orelha decepada do soldado Malco. Ele viu Jesus enfrentando a soldadesca romana e as autoridades judaicas com serenidade. Mas aquele jovem apesar de ver a glória de Jesus, fugiu nu, sem manifestar a glória de Deus em sua vida.

2. A glória de Deus na Antiga Dispensação encheu o tabernáculo, o templo. Mas depois que o véu do templo foi rasgado, o Espírito Santo e a glória de Deus enchem não um templo, não uma casa, mas pessoas. Outro dia, uma pessoa veio me contar empolgada que os crentes da sua igreja estavam indo para uma mata ver os gravetos pegando fogo.

- No cenáculo o fogo não estava nos bancos, no chão, ou em outros objetos do ambiente. O fogo estava sobre os crentes. Eles estavam incendiados pela glória de Deus. Dali por diante, eles começaram a espalhar o fogo de Deus pelo mundo.

- Hoje as pessoas querem ver a glória de Deus se manifestando, estando correndo atrás de um espetáculo religioso, mas não manifestam em suas vidas a glória de Deus.

3. A turma do lençol está apagada porque só quer ver a glória de Deus. Só quer ver espetáculo, mas não reflete a glória de Deus na vida, na conduta. A busca do entretenimento, do espetáculo entrou no campo religioso.

- As pessoas hoje transformam culto em show, adoração em espetáculo. Elas querem o brilho, não o preço do discipulado.

VII. QUAIS SÃO AS VESTIMENTAS ESPIRITUAIS APROPRIADAS PARA UM SEGUIDOR DE CRISTO? 

1. Vestes de louvor (Is 61:3) – Usar vestes de louvor não é apenas caminhar pela vida cantando, mas viver de forma que Deus seja glorificado em nossa vida. Em vez de viver sob o manto da tristeza e do espírito angustiado, exalte ao Senhor, glorifique o seu nome em toda circunstância.

2. Vestes de salvação (Is 61:10) – Você não pode apenas aparentar um seguidor de Cristo. Ver a caravana passar não significa que você está passando com ela. Assistir o espetáculo não significada que você faz parte do enredo. Estar presente no meio da multidão, não significa que você é um discípulo. Não se contente apenas em ser um expectador do Reino, seja um súdito do Reino. Certifique-se de que você já tem as vestes da salvação, pois quem não as tiver será lançado fora no dia do Senhor.

3. Vestiduras brancas (Ap 7; 19) – As vestes brancas dos remidos fala da justiça de Cristo imputada a nós. Nossa justiça aos olhos de Deus não passa de trapos de imundícia. Mas Cristo tira os nossos farrapos imundos e nos veste com a sua justiça. Deus olha para nós e vê toda a justiça do seu Filho nos cobrindo. Por isso não há mais condenação para aqueles que estão em Cristo Jesus.

CONCLUSÃO 

1. “Bem-aventurado aquele que vigia e guarda as suas vestes, para que não ande nu, e não se veja a sua vergonha” (Ap 16:15).

2. “Filhinhos, agora, pois, permanecei nele, para que, quando ele se manifestar, tenhamos confiança e dele não nos afastemos envergonhados na sua vinda” (1 Jo 2:28).

 

Autor: Rev. Hernandes Dias Lopes

 

++++++++++++++++++++++++++++
++++++++++++++++++++++++++++

++++++++++++++++++++++++++++

++++++++++++++++++++++++++++

Deus não desiste de amar você

 

Deus não desiste

 

de amar você

 

Referência: Marcos 16.7

 

 

INTRODUÇÃO

- Deus não abre mão da sua vida. Deus não desiste do direito que tem de ter você. Ele não abdica do seu amor por você. Ele sempre vai ao seu encontro, no seu encalço.

- Pedro, melhor do que ninguém nos revela esta verdade.

Quem era Pedro?

1) Filho de Jonas (Mc 16.17);

2) Casado (1 Co 9.5);

3) Natural de Betsaida;

4) Residia em Cafarnaum, às margens do Mar da Galiléia;

5) Pescador;

6) Irmão de André;

7) Um dos discípulos que mais tinha intimidade com Jesus;

8) Assumiu a liderança do grupo apostólico antes e depois do Pentescotes;

9) Recebeu poder para realizar grandes milagres (At 5.15);

10) Primeiro apóstolo a pregar aos gentios.

Pedro era um homem de profundas contradições e de grandes ambigüidades na vida:

1) Lucas 5 – Incredulidade e quebrantamento; consciência de pecado e indignidade. Ali Jesus o chama. Deixa tudo: empresa, negócios e segue a Jesus.

2) Mateus 16 – Proclama a messianidade de Cristo e se deixa usar por Satanás em seguida.

3) Mateus 17 – Por falar sem pensar, não deu a Jesus a primazia que ele merece. Ele vê a glória do Rei, mas não exalta o Rei da glória.

4) Mateus 26 – Coragem e covardia.

5) Mateus 26 – Negação e lágrimas de arrependimento.

6) João 21 – Fuga e declaração de amor.

I. AS CAUSAS DA QUEDA DE PEDRO 

1. Exagerada confiança em si mesmo 

a) Mateus 26.35 – “Disse-lhe Pedro: Ainda que me seja necessário morrer contigo, de nenhum modo te negarei”.

b) Marcos 14.31 – “Mas ele insistia com mais veemência: Ainda que me seja necessário morrer contigo, de nenhum modo te negarei”.

c) Lucas 22.23 – “Senhor, estou pronto a ir contigo, tanto para a prisão, como para a morte”.

Pedro se achava forte. Ele achava que era uma rocha, mas era pó. Ele negou seu nome, seu apostolado, suas convicções, porque confiou exageradamente em si mesmo em vez de ser humilde.

2. Considerou-se melhor do que os outros 

a) Marcos 14.29 – “Disse-lhe Pedro: Ainda que todos se escandalizem, eu jamais!”

b) Mateus 26.33 – “…ainda que venhas a ser tropeço para todos, nunca o serás para mim”.

Pedro estava dizendo: Olha Jesus, os teus discípulos não são tão confiáveis, mas eu sou um homem batuta. A corda não rói do meu lado. Eu não vou te decepcionar. Eu aguento a parada. Eu não sou homem de fraquejar. Pode contar comigo para o que der e vier, quando os outros se acovardarem. A Bíblia diz que a soberba precede a ruína.

3. Foi incapaz de orar e vigiar na hora crucial da vida 

a) Mateus 26.40,41 – “E, voltando para os discípulos, achou-os dormindo; e disse a Pedro: Então, nem uma hora pudestes vós vigiar comigo? Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito na verdade, está pronto, mas a carne é fraca”.

Quando deixamos de vigiar e orar, caímos em ciladas, em tentação e fraquejamos. Quando a igreja deixa de orar, ela se torna fraca e vulnerável.

Alguém já disse que quando o homem trabalha, o homem trabalha, mas quando o homem ora, Deus trabalha.

Aquela era a maior batalha do universo, o destino da humanidade estava sendo decidida, e Pedro estava dormindo (Mt 26.40,43,45). Foi a única vez que Jesus pediu solidariedade e os discípulos fracassaram.

4. Perdeu o controle emocional 

a) João 18.10 – “Então Simão Pedro puxou da espada que trazia e feriu o servo do sumo sacerdote, cortando-lhe a orelha direita; e o nome do servo era Malco”.

Pedro perdeu o controle emocional, o equilíbrio e não discerniu a natureza da batalha que estava travando. Não teve domínio próprio. Jesus mostra para Pedro que seu caminho era a cruz (Jo 18.11). Nada de humanismo! Muitas vezes, damos lugar à ira. Agredimos as pessoas com palavras, com gestos, atitudes e fracassamos no testemunho.

5. Seguiu a Jesus de longe 

a) Mateus 26.58 – “Mas Pedro o seguia de longe…”.

Pedro vai fraquejando, vai perdendo seus absolutos. Pedro vai se tornando vulnerável, vai se acovardando. O mesmo Pedro autoconfiante, já não cumpre suas palavras. Ele foge na hora que Jesus é preso. Ele não desiste de Jesus, mas o segue de longe. Ele se acovarda e se enche de medo.

Muitos ainda hoje seguem a Jesus de longe. Não querem perder Jesus de vista, vêm à igreja, leem a Bíblia, mas não assumem compromisso com Jesus. Não querem os riscos do discipulado. Outros não chegam a perder suas convicções, mas abandonam a igreja, ficam perto do Egito; ficam na janela.

6. Assentou na roda dos escarnecedores 

a) Lucas 22.54,55 – “Então, prendendo-o, o levaram e o introduziram na casa do sumo sacerdote. Pedro seguia de longe. E quando acenderam fogo no meio do pátio, e juntos se assentaram, Pedro tomou lugar entre eles”.

Pedro dá mais um passo na direção da sua queda. Ele vai se assentar na roda dos inimigos de Jesus. Ele vai se associar com aqueles que zombam de Jesus (Sl 1.1).

Muitos estão caindo ainda hoje porque se unem com companhias erradas. Muitos estão deixando a igreja e indo para o mundo porque se associaram com pessoas que não querem saber nada de Jesus.

7. Negou a Jesus três vezes 

a) Mateus 26.70,72,74 – “Pedro negou. Negou outra vez com juramento. Negou a terceira vez praguejando e jurando: Não conheço esse homem”.

Ninguém nega Jesus de uma hora para outra. Tem um histórico, um abismo chama outro abismo. Pedro não se lembrou das palavras de Jesus, fez pouco caso delas (Mt 26.75).

Pedro caiu, fraquejou e negou:

1) Seu nome;

2) Sua fé;

3) Seu apostolado;

4) Suas convicções;

5) Suas promessas a Jesus.

II. AS CAUSAS DA RESTAURAÇÃO DE PEDRO 

1. O olhar compassivo de Jesus 

a) Lucas 22.60-62 – “Mas Pedro insistia: Homem, não compreendo o que dizes. E logo, estando ele ainda a falar, cantou o galo. Então, voltando-se o

Senhor, fixou os olhos em Pedro, e Pedro se lembrou da palavra do Senhor, como lhe dissera: Hoje, três vezes me negarás, antes de cantar o galo. Então, Pedro, saindo dali, chorou amargamente”.

O olhar de Jesus é de ternura e amor. É um olhar que penetra na alma para trazer Pedro ao arrependimento. Jesus não esmaga a cana quebrada nem apaga a torcida que fumega.

Olhar de Jesus nos restaura.

Uma luz brilhou em meu caminho

Quando eu ia triste e sozinho

Foi seu divino olhar, que me ensinou a amar

Foi um minuto só do seu olhar.

Foi um minuto só, um minuto só

Foi um minuto só, do seu olhar

Tudo em mim mudou, tudo em mim cantou

Foi um minuto só do seu olhar.

Jesus mudou a minha vida

Nunca mais eu serei o mesmo

Quando eu olhei pra cruz, nela eu vi Jesus

Foi um minuto só do seu olhar.

Jesus está olhando para você hoje. Ele está vendo suas palavras, sua vida, seu testemunho, os lugares onde você está indo, o que você está fazendo. Mas hoje mesmo Jesus pode ser restaurado pelo divino olhar do Senhor Jesus:

Vivi tão longe do Senhor, assim eu quis andar

Até que eu encontrei a luz no seu divino olhar

Seu maravilhoso olhar, seu maravilhoso olhar

Transformou o meu ser, todo o meu viver

Seu maravilhoso olhar!

2. As lágrimas de arrependimento

a) Marcos 14.72 – “Pedro se lembrou da palavra que Jesus lhe dissera…e caindo em si, desatou a chorar”.

b) Mateus 26.75 – “…e saindo dali, chorou amargamente”.

Pedro considerou que havia negado ao seu Senhor. Naquela noite fatídica, Pedro saiu da casa do sumo sacerdote chutando as pedras por entre os olivais. Ele foi para casa com sua consciência em brasa, arrebentado, quebrado e sem parar de soluçar. Passou a noite sem dormir. Alagou seu leito. Virava de um lado para o outro sem poder conciliar o sono.

Pedro refletiu sobre a excelência do seu Senhor, a quem negara.

Pedro se lembrou do tratamento especial que havia recebido como um dos primeiros com Tiago e João.

Pedro recordou que havia sido solenemente advertido pelo Senhor.

Pedro se recordou dos seus próprios votos de fidelidade (Mc 14.29).

Pensemos em nós:

1) O nosso pequeno progresso na vida espiritual;

2) A nossa negligência com as almas dos outros;

3) A nossa pouca comunhão com o Senhor;

4) A pequena glória que estamos trazendo ao grande nome do Senhor. Tudo isso deveria nos levar às lágrimas de arrependimento.

Pedro chorou amargamente (água podre).

Pedro diferente de Judas, não engoliu o veneno.

3. A procura de Jesus 

a) Marcos 16.7 – “Ide, dizei aos meus discípulos e a Pedro”.

Jesus não desiste de Pedro. Pedro desistiu de ser apóstolo. Mas Jesus não desistiu de Pedro.

Pedro disse para os seus colegas: “Eu vou pescar” (Jo 20.3). Eu vou voltar para minha velha vida. Ele exerceu uma liderança negativa. Mas, Jesus não abriu de Pedro. Ele também não desiste de amar você.

4. A pergunta de Jesus 

a) João 21.15-17

Em primeiro lugar, Jesus curou Pedro do seu orgulho. Ele perguntou três vezes, pois três vezes Pedro o negou. Da última vez mudou a pergunta.

Em segundo lugar, Jesus curou a memória de Pedro. Montando o mesmo cenário da queda.

A única exigência que Jesus faz a Pedro para ser discípulo e para pastorear o seu rebanho é amá-lo.

5. A restauração de Jesus 

a) João 21.17b – “… apascenta as minhas ovelhas”.

Jesus restaurou a mente de Pedro.

Jesus restaurou a memória de Pedro.

Jesus restaurou os sentimentos de Pedro.

Jesus restaurou a vida de Pedro.

Jesus restaurou o ministério de Pedro.

Agora, Pedro volta a ser um grande líder. Agora ele ora. Agora ele aguarda o Pentecostes. Agora ele é cheio do Espírito Santo. Agora ele se torna o grande pregador da igreja apostólica.

Você pode ser restaurado, pois Jesus jamais desistiu de você!

 

Autor: Rev. Hernandes Dias Lopes

 

++++++++++++++++++++++++++++++++

++++++++++++++++++++++++++++++++

++++++++++++++++++++++++++++++++

++++++++++++++++++++++++++++++++