quinta-feira, 13 de dezembro de 2012


O grande paradoxo 
do cristianismo 

 Referência: Mateus 5.10-12 


 INTRODUÇÃO 

-=  Para nós é quase incompreensível associar perseguição com felicidade. Parece-nos coisas mutuamente exclusivas. Esse é um grande paradoxo. 

-= Mas Jesus termina as bem-aventuranças, dizendo-nos que o mais elevado grau de felicidade está ligado à perseguição. 

-=  Um aluno perguntou ao Rev. Francisco Leonardo: “Pastor, se a igreja for mais perseguida será mais fiel? Não, se for mais fiel, será mais perseguida”. 

-=  A nossa religião deve custar para nós as lágrimas do arrependimento e o sangue da perseguição, diz Thomas Watson. 

-= A cruz vem antes da coroa. O deserto precede a terra prometida, o sofrimento precede a glória. Importa-nos entrar no reino por meio de muitas tribulações. 

 1. O cristão é perseguido por quem ele é 

– O cristão é perseguido por quem ele é. Porque você é um cristão o mundo o odeia, como odiou a Cristo:
 “Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós outros, me odiou a mim. Se vós fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu; como, todavia, não sois do mundo, pelo contrário, dele vos escolhi, por isso, o mundo vos odeia” (Jo 15:18-19).  

2. O cristão é perseguido por ser um pacificador 

– O espírito que reina neste mundo é contrário à paz. O espírito que atua nos filhos da desobediência é o mesmo que é mentiroso, ladrão e assassino. 

 I. A NATUREZA DA PERSEGUIÇÃO 

 -= O mundo ataca sua vida e sua honra. O mundo fere-o com a armas e com a língua. Procura destruir sua vida e também sua digniidade. 

 1. A perseguição da mão – v. 10 

 -= Ao longo dos séculos a igreja tem sofrido perseguição. Os crentes foram perseguidos em todos os lugares, em todos os tempos. 

-= Paulo disse: “Todo aquele que quiser viver piedosamente em Cristo será perseguido” (2 Tm 3:12). Depois de ser apedrejado em Listra Paulo encorajou os novos crentes, dizendo-lhes: 
“… através de muitas tribulações, nos importa entrar no Reino de Deus” (At 14:22). Escrevendo aos filipenses, Paulo disse: “Porque vos concedida a graça de padecerdes por Cristo e não somente de crerdes nele” (Fp 1:29). 

 2. A perseguição da língua – v. 11 

 -= O cristão é atacado não apenas pela oposição e pela espada do mundo, mas também, pela língua dos ímpios. A língua é como fogo e como veneno. Ela é uma espada desembanhada (Sl 55:21). Você pode matar uma pessoa tirando-lhe a vida ou destruindo-lhe o nome. 

Três são as formas dessa perseguição: 

 a) Injúria (v.11) – A palavra oneididzo jogar algo na cara de alguém, maltratar com palavra vis, cruéis e escarnecedoras. Cristo foi acusado de ser beberrão e endemoniado. Pesaram sobre os cristãos muitas coisas horrendas. Foram chamados de canibais, de imorais, de incendiários, de rebeldes, de ateus. Chamaram Paulo de tagarela, de impostor, de falso apóstolo. 

 b) Mentira (v.11) – A arma do diabo é a mentira. A mentira é a negação, ocultação e alteração da verdade. Chamaram Jesus de beberrão, de possesso, de filho ilegítimo. O cristão é abençoado por Deus e amaldiçoado pelo mundo. 

 c) Falar mal (v.11) – Os cristãos são alvos da maledicência. É a inimizade da serpente contra a semente sagrada. 

 II. A CAUSA DA PERSEGUIÇÃO 

 1. Por que um cristão não deve sofrer? 

 a) Um cristão não deve sofrer como malfeitor 

– O apóstolo Pedro disse: “Não sofra nenhum de vós como assassino, ou ladrão, ou malfeitor, ou como quem se intromete em negócios de outrem” (1 Pe 4:15). 

-= Hoje a igreja evangélica está sendo motivo de chacota pela sua falta de integridade. A igreja cresce, mas a vida dos crentes não muda. Ser crente hoje não é sinônimo de ser íntegro, verdadeiro. Multiplicam-se os escândalos daqueles que se dizem cristãos. 

 b) Um cristão não deve sofrer pelas suas próprias ofensas 

– Davi sofreu porque desobedeceu a Deus. Ele atraiu tragédia sobre a sua própria cabeça. O ladrão na cruz admitiu: “nós sofremos justamente…”. Muitas pessoas são como Saul, sofrem pelos problemas geradas por elas mesmas. Elas se lançam sobre sua própria espada. Elas tiram a sua própria vida. 

 c) Um cristão não deve sofrer para ganhar notoriedade – Paulo diz que ainda que um homem doasse todos os seus bens e entregasse seu corpo para ser queimado, isso nada valeria sem a motivação correta, que é o amor. Um homem pode sacrificar a própria vida para adquirir fama, mas isso nada vale aos olhos de Deus. 

 2. Quem são aqueles os perseguidos? 

 -= A perseguição no verso 10 é generalizada, enquanto no verso 11 é personalizada. Ambos os versos, porém, falam do mesmo grupo. Quem são? São os mesmos descritos nos versos 3 a 9: os humildes, os que choram, os mansos, os que têm fome e sede justiça, os misericordiosos, os limpos de coração, os pacificadores. 

 -= 2 Tm 3:12: “Todo aquele que quiser viver piedosamente em Cristo, será perseguido”. André, irmão de Pedro foi amarrado na cruz para ter morte lenta. Pedro ficou preso 9 meses e depois foi crucificado de cabeça para baixo. Paulo foi decapitado por Nero. Tiago foi passado ao fio da espada. Mateus, Bartolomeu e Tomé foram martirizados. João foi deportado para a ilha de Patmos.

 -= Os apóstolos se consideravam o lixo do mundo, a escória de todos. 

-= Hoje os crentes querem ser estrelas. Estamos fabricando celebridades tão rápido como o mundo. 

-= Hoje os crentes gostam do sucesso, das coisas espetaculares. 

-= Hoje, as pessoas apresentariam Paulo assim: Formado na Universidade de Gamaliel, poliglota, amigo pessoal de muitos reis, maior plantador de igrejas do mundo, maior evangelista do século, dado por morto, arrebatado ao céu. Mas quais as credenciais que Paulo dá si mesmo? 

Leia 2 Coríntios 11:23-27: “…”. 

 3. Quando sofrer é uma bem-aventurança? 

 a) Quando sofremos por causa da justiça (v.10) 

– Alguns tomam a iniciativa de opôr-se a nós não por causa dos nossos erros, mas porque não gostam da justiça da qual temos fome e sede. A perseguição é simplesmente o conflito entre dois sistemas de valores irreconciliáveis. Sofrer pelo erro é não é bem-aventurança, mas vergonha e derrota. Sofrer pelo erro é punição e castigo e não felicidade. Sofrer porque foi flagrado no erro não é ser bem-aventurado. Um aluno não é feliz quando flagrado na prática da cola recebe um zero. Um funcionário não é feliz ao ser mandado embora por negligência. Um cristão não é feliz ao ser perseguido por ter violado a lei. Os crentes sofriam financeiramente por não participarem dos sindicatos comerciais que tinham suas dividandades padroeiros. Os crentes sofriam porque quando se convertiam eram desprezados pelos outros membros da família. 

 b) Quando sofremos por causa de nosso relacionamento com Cristo (v.11) 

– O mundo não odeia o cristão, mas odeia a justiça, odeia a Cristo nele. Não é a nós que o mundo odeia, mas a verdade que representamos. O mundo está atrás de Cristo, é a ele que o mundo ainda está tentando matar. 

-= O mundo odiou Jesus e o levou à cruz. Assim, quando o mundo vê Cristo em sua vida, em suas atitudes, o mundo também o odiará. Às vezes, essa perseguição promovida pela língua não procede apenas do mundo pagão, mas dos próprios religiosos: Jesus foi mais duramente perseguido pelos fariseus, escribas e sacerdotes. 

A religião apóstata tornar-se o braço do anticristo. 

b.1) Perseguição na igreja primitiva 

 -= A igreja primitiva foi implacavelmente perseguida. Eles foram expulsos de Jerusalém. Eles foram espalhados pelo mundo. Nero iniciou uma sangrenta perseguição. Alguns eram jogados aos leões. Outros eram queimados na fogueira. Os crentes eram untados com resina e depois incendiados vivos para iluminar os jardins de Roma. Alguns crentes eram enrolados em peles de animais para os cães de caça morderem. 

 -= Os crentes eram torturados, esfolados, chumbo fundido era derramado sobre eles. Placas de latão em brasa era fixadas nas partes mais frágeis do corpo. Partes do corpo eram cortadas e assadas diante dos seus olhos. 

 -= O império tinha uma grande preocupação com sua unificação. Roma era adorada como deusa. Depois o imperador passou a personificar Roma. Os imperadores passaram a ser chamados: Senhor e Deus. O culto ao imperador passou a ser o grande elo da unificação política de Roma. Era obrigatório uma vez por ano todos os súditos do império queimarem incenso ao deus imperador num templo romano. Todos deviam dizer: “César é o Senhor”. Mas o cristãos se recusavam e eram considerados revolucionários, traidores e ilegais. Por isso eram presos, torturados e mortos. 

 b.2) Perseguições religiosas ao longo dos séculos 

-= Os crentes foram perseguidos pela intolerância e inquisição religiosa. Alguns pré-reformadores foram queimados vivos como John Huss e Jerônimo Savonarola. John Wicliff precisou se esconder. Lutero ficou trancado num mosteiro. William Tindayle foi esquartejado. Depois da Reforma, na França Catarina de Médicis promoveu dura perseguição aos crentes. Na Inglaterra, Maria Tudor levou à estaca os líderes e passou ao fio da espada milhares de crentes. O comunismo ateu e o nazismo nacionlista levou milhões de crentes ao martírio. Na Coréia, na China e ainda hoje nos países comunistas e Islâmicos os crentes são presos, torturados e mortos. 

 III. A FORMA COMO DEVEMOS ENFRENTAR ESSA PERSEGUIÇÃO 

 1. Com uma profunda alegria 

 -= Não devemos buscar a vingança como o incrédulo; não ficar de mau humor como uma criança embirrada, nem ficar lambendo nossa própria ferida cheios de auto-piedade, nem negar a dor como um estóico, nem muito menos gostar de sofrer como um masoquista. 

 -= As palavras que Jesus usa descrevem uma alegria intensa, maiúscula, superlativa, absoluta. A palavra “exultai” agalliasthe significa saltar, pular, gritar de alegria. É alguém que pula de alegria, que exulta com alegria indizível e cheia de glória. 

 -= O cristão não é um masoquista – ele não tem prazer de sofrer. Ele não se alegra pela perseguição em si ou pelo próprio mal que está recebendo. 

 -= O cristão exulta pelo significado dessa perseguição e pelas recompensas dela. 

 2. Com uma paciência triunfadora 

 -= Os profetas sofreram e jamais se exasperaram. Jamais buscaram vingança. Jamais feriram aqueles que lhes feria a face. Eles se entregaram a Deus. Eles triunfaram pela paciência. Eles confiaram que Deus estava no controle, mesmo quando o mal paracia triunfar. 

 Exemplo: 

1) A perseguição de Maria Tudor na Inglaterra em 1553-1558. A perseguição aos crentes coreanos. 

 3. Com um profundo discernimento espiritual 

 -= A perseguição é a pedra de esquina da sinceridade. Ela distingue o verdadeiro crente do hipócrita. O hipócrita floresce na prosperidade, mas é sufocado pela perseguição (Mt 13:20,21). Um hipócrita não consegue navegar em mares tempestuosos. Ele irá seguir a Cristo ao Monte das Oliveiras, mas não ao Monte do Calvário. 

 -= O verdadeiro crente carrega Cristo no coração e a cruz nos ombros. Cristo e sua cruz jamais podem ser separados. Jesus disse que no mundo teríamos aflições (Jo 16:33). 

 IV. A RECOMPENSA DIVINA DA PERSEGUIÇÃO 1. Uma felicidade superlativa – v. 10,11 

 -= A palavra Macarioi descreve uma felicidade plena, copiosa, superlativa, eterna. Essa felicidade não é circunstancial. Ela não depende do que acontece à nossa volta. Ela vem do alto. Está dentro de nós. 

 -= Vejamos o que Tiago diz para o povo perseguido na diáspora: Tg 1:2-4: “Meus irmãos, tende por motivo de toda a alegria, o passardes por várias provações…”. 

 -= Jesus parabeniza aqueles que o mundo mais despreza, e chama de bem-aventurados aqueles que o mundo rejeita. 

 Por que os perseguidos são felizes? 

 a) Oportunidade para demonstrar lealdade a Cristo 

– Policarpo, o bispo de Esmirna. Ofereceram a ele a oportunidade de negar a Cristo e adorar a César: “Durante 86 anos tenho servido a Cristo, e ele nunca me fez mal. Como posso agora, blasfemar de meu Rei e Senhor?” 

 b) Porque contribuem com o bem daqueles que vêm depois de nós 

– Hoje desfrutamos liberdade e paz porque homens e mulheres do passado sofreram e pagaram um preço. 

Exemplo: a abolição da escravatura, a luta contra o preconceito e o crime contra o racismo. 

 2. A posse de um reino glorioso – v. 10 

 -= Essa última bem-aventurança termina como começou a primeira. Os perseguidos por causa da justiça recebem o reino dos céus. Aqui eles podem perder os bens, o nome e a vida, mas eles recebem um reino eterno, glorioso para sempre. Os sofrimentos do tempo presente não são para comparar com as glórias por vir a serem reveladas em nós (Rm 8:18). 

 -= Os perseguidos podem ser jogados numa prisão, podem ser torturados, podem ser martirizados, mas eles recebem uma herança incorruptível, gloriosa. Eles são filhos e herdeiros. Eles um dia ouvirão Jesus lhes dizer: “Vinde benditos de meu Pai, entrai na posse do Reino que vos está preparado desde a fundação do mundo”. 

 3. A certeza de que a recompensa final não é nesta vida – v. 12 

 -= O mundo odeia pensar no futuro. O ímpio detesta pensar na eternidade. Ele tem medo de pensar na morte, mas o cristão sabe que sua recompensa está no futuro. Ele olha para frente e sabe que tem o céu. Sabe que tem a coroa. Disse Paulo, na ante-sala do martírio: “Eu sei que o tempo da minha partida é chegada [...]. Agora a coroa da justiça me está preparada…” (2 Tm 4:6-8). Sabe que lhe espera um grande galardão. Podemos perder tudo aqui na terra, mas herdaremos tudo nos céus. Hebreus 11:10 diz que aguardamos a cidade celestial. 

 -= Crisóstomo, um grande cristão foi preso e chamado diante do imperador Arcadius por pregar a Palavra. Ameaçou baní-lo. Ele disse: Majestade, não podes me banir, pois o mundo é a casa do meu Pai. Então, terei de matá-lo. Não podes, pois minha vida está guardada com Cristo em Deus. Seus bens serão confiscados. Majestade isso não será possível. Meus tesouros estão nos céus. Eu te afastarei dos homens e não terás amigos. Isso não podes fazer, porque tenho um amigo nos céus que disse: “De maneira alguma te deixarei, jamais o abandonarei”. 

 4. A convicção de que é seguidor de uma bendita estirpe – v. 12 

 -= Quando você estiver sendo perseguido por causa da justiça e por causa de Cristo, saiba que você não está sozinho nesta arena, nesta fornalha, neste campo juncado de espinhos. Atrás de você marchou um glorioso exército de profetas de Deus. A perseguição é um sinal de genuinidade, um certificado de autenticidade cristã, “pois assim perseguiram os profetas que viveram antes de vós”. Se somos perseguidos hoje pertencemos a uma nobre sucessão. Os ferimentos são como que medalhas de honra para o cristão. Jesus disse: “Ai de vós quando todos vos louvarem” (Lc 6:26). 

 -= Dietrich Bonhoeffer executado no campo de concentração nazista de Flossenburg por ordem de Heinrich Himmler, em abril de 1945, disse que o sofrimento é uma das características dos seguidores de Cristo. 

 -= Isso prova que você verdadeiro é uma pessoa salva. Isso prova que verdadeiramente você está acompanhado por uma nuvem de testemunhas da mais alta estirpe espiritual. Quando você é perseguido, isso significa que você pertence à linhagem dos profetas. 

 CONCLUSÃO 

 Vejamos finalmente algumas considerações finais sobre essa bem-aventurança: 

 1. Precisamos considerar por quem sofremos? 

 -= Muitas pessoas sofrem por seus pecados, por sua luxúria, por seus prazeres, por seus bens materiais. Não deveríamos nós ter disposição para sofrer por Cristo? Se um homem é capaz de sofrer pelos seus pecados que o levam a morte, não deveríamos nós sofrer por Cristo que nos deu a vida? 

 2. Precisamos considerar que sofrer por Cristo é uma honra 

 -= Os apóstolos depois de serem açoitados pelo sinédrio, saíram regozijando por terem sido considerados dignos de sofrer afrontas por causa de Cristo (At 5:41). Os discípulos aspiravam um reino temporal (At 1:6), mas Cristo lhes disse que eles seriam mártires a levarem seu testemunho até aos confins da terra. Sofrer por Cristo é mais honroso do que ter um reino sobre a terra. 

 3. Precisamos considerar o que Cristo suportou por nós Toda a vida de Cristo foi uma vida de sofrimento. 

 a) Você é pobre? Também Cristo foi. Ele não tinha onde reclinar a cabeça. 

 b) Você está cercado de inimigos? Também Cristo esteve. Pedro disse: “Porque verdadeiramente se ajuntaram nesta cidade contra o teu santo servo Jesus, ao qual ungiste, Herodes e Pôncio Pilatos, com gentios e gente de Israel” (At 4:27). 

 c) Você tem sido traído pelos amigos? Também Cristo foi. “Judas tu trais o filho do homem com um beijo?” (Lc 22:48). 

 d) Você tem sido acusado injustamente? Também Cristo o foi: Acusaram Jesus de insurgir contra a lei, contra o templo, contra César. Acusaram-no de expulsar demônios pelo poder de Belzebu. 

 e) Você tem sido ultrajado com escárnio – Também Jesus o foi. Foi preso, espancado, cuspido, pregado na cruz. 

 4. Precisamos considerar que o nosso sofrimento aqui é leve e momentâneo quando visto à luz da recompensa eterna Paulo diz que a nossa leve e montânea tribulação produz para nós eterno peso de glória. Somos bem-aventurados! 

 5. Precisamos ter a convicção que a perseguição e o sofrimento jamais poderão nos separar do amor de Deus Paulo proclama em Romanos 8:35-39: 
“Quem nos separará do amor de Cristo, será tribulação…?”. 



 AUTOR: Rev. Hernandes Dias Lopes




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Amizade com o Mundo, 
Inimizade com Deus 

 Tiago 4:1-6 1 

¶ De onde procedem guerras e contendas que há entre vós? De onde, senão dos prazeres que militam na vossa carne? 2 Cobiçais e nada tendes; matais, e invejais, e nada podeis obter; viveis a lutar e a fazer guerras. Nada tendes, porque não pedis; 3 pedis e não recebeis, porque pedis mal, para esbanjardes em vossos prazeres. 4 Infiéis, não compreendeis que a amizade do mundo é inimiga de Deus? Aquele, pois, que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus. 5 Ou supondes que em vão afirma a Escritura: É com ciúme que por nós anseia o Espírito, que ele fez habitar em nós? 6 Antes, ele dá maior graça; pelo que diz: Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes. 

 -= Infelizmente, algumas pessoas são infiéis a Deus quando flertam com o mundo, quando paqueram valores terrenos, quando dão a mão para a ambição, quando abraçam a cobiça. Mas nosso Deus não aceita concorrentes. Sua aliança com Seu povo exige EXCLUSIVIDADE! 

 -= Versículo 4 começa chamando os leitores de “infiéis”. 

-=  A palavra é “adúlteros”, uma palavra estranha mas que tem raízes fortes no Velho Testamento. O povo de Israel foi acusado de adultério espiritual pelo fato de ter abandonado o Deus da sua aliança. É um pecado contra si mesmo, que leva a conflito de valores, instabilidade, dúvida, incerteza, inconstância. É uma esposa que divide atenção entre dois amores. 

 -= Deus não aceita uma esposa de tempo parcial. Seu senhorio é total. Deus não quer um pedaço, mas tudo. O amigo do mundo não pode ser amigo de Deus. 

-=  Se existe uma característica que define a raça humana desde o Jardim do Éden, é a palavra “CONFLITO”. 

-=  Desde o momento da primeira briga conjugal, quando Adão gritou “Foi a mulher que Tu me deste”; desde a rivalidade entre irmãos, Caim e Abel, levando à primeira morte; incluindo guerras praticamente ininterruptas durante milhares de anos. São conflitos causados pela natureza humana. Essa natureza faria qualquer coisa para conseguir o que quer, inclusive eliminar qualquer um que bloqueie seus sonhos e ideais.

 -= Estamos ocupando território hostil e inimigo. Somos peregrinos e estrangeiros, em campo de batalha em que o inimigo está tentando se infiltrar em nosso meio a fim de nos atrair para o lado dele. As pessoas enganadas por ele para cultivarem seu amor pelo mundo, não são mais úteis no serviço do Rei. No parágrafo que começa no v. 1, Tiago continua essa linha de pensamento. Traça para nós o fruto ruim de guerras, brigas, conflitos, até a raiz podre de egoísmo desenfreado, cobiça, inveja, mundanismo. Ele nos mostra que nossa atitude para com o mundo revela nosso coração. 

 -= A fé verdadeira manifesta-se numa vida transformada, de forma presente e ativa. Esse texto nos desafia a rejeitar a cultura desse mundo e abraçar os valores de Deus. Vamos traçar a patologia de conflitos entre nós: 

A causa, as conseqüências, e a cura para conflitos humanos . . .  

I. A Causa de Conflito Humano: Cobiça (1-2) 

 -= O texto começa com uma pergunta retórica que expõe nosso coração, e nos provoca uma reflexão mais filosófica. De onde vem as guerras, os conflitos, as conflagrações entre homens? 

 -= Seja uma briga de duas crianças pelo desejo do mesmo brinquedo, seja no recreio da escola, no serviço, com colega ou patrão, e os motoristas no meio do trânsito, as verdadeiras batalhas travadas entre pais e filhos, marido e esposa, ou as guerras e invasões? 

 -= O mundo oferece muitas respostas. Alguns diriam que o problema está no ambiente. Que temos que modificar o comportamento do ser humano proporcionando-lhe um ambiente mais ameno. 

 -= Outros como Marx diriam que todos os conflitos vêm por causa de opressão econômica. Talvez Freud diria que conflito é o resultado de inibições sexuais e repressão religiosa. Mas Deus deixa muito claro que o problema vem de outra fonte. Vem do coração humano. 

 -= Cobiça. Vss 1 e 2 dizem que o conflito humano vem dos prazeres carnais dentro de nós (1), da inveja que temos. Há três termos nesses versículos que descrevem essa idéia de cobiça: 

 1. A palavra “prazeres” é a mesma que nos deu palavras como “hedonismo” ou “hedonista”. Representam pessoas que vivem pelo prazer. Os prazeres em nossos corações tornam-se ídolos que dominam nosso pensamento, nossos sonhos. Conflitos surgem quando um interfere com o belo prazer do outro. 

 2. A palavra “cobiça” representa desejo forte. Normalmente tem uma conotação negativa, um desejo tão forte que domina toda nossa vida, todo nosso pensamento. Ficamos com uma obsessão ou fixação por aquilo que desejamos.É um pecado tão velho quanto o diabo, cuja cobiça custou-lhe o céu. Esse é um pecado tão velho quanto a raça humana, pois foi no Jardim do Éden que o primeiro casal, num ambiente perfeito, com tudo que precisavam, em perfeita comunhão com Deus, sem inflação, sem poluição, sem impostos, sem pedágios, sem IPTU, mesmo assim queriam mais. 

 -= “Quanto você precisa para realmente ficar contente?” alguém perguntou certa vez para o homem mais rico no mundo. “Somente mais um dólar” foi sua resposta. 

 -= Uma interpretação meramente superficial seria até capaz de cumprir todos os outros 9 mandamentos: Não furtarás, não mentirás, não matarás . . . Mas Deus deixou claro que Sua intenção foi muito além do superficial. Deus quer ganhar nosso coração. Mas primeiro, Ele precisa expor nosso coração como realmente é: sujo, enganoso, cobiçoso, invejoso. Essa é a função da Lei. A Lei mostra minha incapacidade de obedecer a Deus. Expõe a natureza humana, e nos impulsiona até a Cruz. 

 -= Preciso arrancar meu coração, pois é ele que me faz pecar. O problema sou eu! 

 3. A palavra “invejais” é a mesma usada em 3:14 (inveja amargurada), de onde vem nossa palavra “zelo” e a idéia é que temos esse zelo, essa, ambição, por nós mesmos, e faremos o que for necessário para conseguir o que, quando, e como queremos. 

 -= Cobiça e inveja sempre são pecados cometidos de baixo para cima. São pecados de comparação em que olhamos sempre para o que os outros têm, e nós, não. Nunca o inverso. Por isso precisamos sondar e guardar nosso coração, que é altamente enganoso. Precisamos descobrir se porventura estamos sendo seduzidos pelas cobiças, pelos desejos, e se com isso valores bíblicos talvez estejam sendo comprometidos. 

 II. As Conseqüências do Conflito Humano (2-3) 

 1. Mãos vazias (2,3) 

 -= Cobiça nunca é o caminho correto para nossos desejos. Poderíamos dizer o contrário. O caminho mais certo de NÃO receber seus desejos é o caminho de egoísmo, briga, contenda, conflito, cobiça, inveja. Quando crianças brigam sobre um brinquedo, ambos acabam perdendo o direito de usá-lo. Quando adultos processam um ao outro, o advogado fica com tudo! Quando nações se dividem em guerra civil, todos perdem. Pessoas cobiçosas muitas vezes acabam com as mãos vazias! 

 -= Depois das nossas brigas, mesmo quando saímos vitoriosos, o que ganhamos? Valeu a pena mesmo? Será que valeu os relacionamento quebrados, a úlcera criada, as noites sem sono, as formulações de argumentos e contra-argumentos? Será que o caminho de contendas e cobiça, características da cultura do inferno, trazem algum fruto bom? Ganhamos a batalha mas perdemos a guerra! 

 -= Conflito humano também é caracterizado pela independência de Deus. A pessoa quer conseguir o que quer do SEU jeito. Manipula, prepara o esquema, orquestra todos os detalhes. Mas a pessoa não pede. Não pede a Deus” (1:5), que dá todo bom e perfeito dom. 

 -= E quando pede, é de forma egoísta. Nenhuma oração egoísta pode ser feita “em nome de Jesus”. Oração “em nome de Jesus” é oração feita conforme Jesus faria. E Jesus vivia sua vida para servir aos outros, e não a seus próprios desejos! Então, as pessoas pediam, mas não recebiam, pois não pediam conforme a vontade de Jesus! 

 -= Na igreja, talvez ganhemos uma discussão, uma posição, uma opinião, mas perdemos nosso irmão. 

 -= No mundo, um país ganha um pouco mais de território, um pouco mais de dinheiro, mas a que custo? Quantas pessoas nunca viverão para ver esses benefícios? Quantas mães perderão seus filhos? Quantas mulheres ficarão viúvas? Quantas crianças órfãs? 

 -= Isso nos leva para a segunda conseqüência de conflito humano: 

 2. Morte 

-= Quando a cobiça individual junta-se a outros pecadores, o resultado é guerra. Guerra leva para morte. Morte enche o inferno. E o inimigo fica contente. Sua rebelião, sua causa, avança. 

 -= A guerra mais sangrenta, na história, foi a II Guerra Mundial: 56,4 milhões de pessoas morreram para satisfazer a cobiça de um grupo de homens que queriam controlar o mundo Para que? 

 -= Mas uma guerra civil é pior. A Rebelião de Taiping na China, matou 20 milhões de compatriotas! 

 -= O DIABO ESTÁ ENCHENDO O INFERNO COM AS ALMAS DE PESSOAS VÍTIMAS DE SUAS PRÓPRIAS COBIÇAS. 

 -= Talvez você pense que nunca matou ninguém.Mas Jesus disse que cada um que se irar contra seu irmão, matou-o em seu coração (Mt 5:21,22). A diferença entre Guerra Mundial e meus conflitos é que eu tenho uma língua e não uma bomba nuclear como arma principal. 

 -= Matamos o caráter de outras pessoas. Matamos sua reputação. Por que? Porque queremos o que elas tem. Ou porque bloquearam meus sonhos para meu futuro. 

 -= Isso não quer dizer que não existem ocasiões em que uma guerra se torna necessária. Deus ordenou guerra santa muitas vezes nas Escrituras. Assim, é possível que haja conflito humano que não seja por motivos egoístas. Mas temos que avaliar muito bem motivos, intenções, razões pela nossa ira. 

 III. A Cura para Conflito Humano (4-6) 

 -= Um espírito fiel, dependente e humilde, que busca em Deus tudo que precisa para vida. 

 1. Fidelidade (contra Adultério Espiritual) (4,5) 

 -= Conflitos naturalmente se levantam quando a nossa lealdade fica dividida. A pior praga que uma nação pode experimentar é guerra civil. É como um corpo cujo sistema imunológico começa a atacar seus próprios órgãos até matar o corpo.

-= O V. 5 mostra que à luz do contexto imediato, que fala de adultério espiritual, parece que a idéia é mais ou menos assim: Que Deus colocou em nós o Espírito Santo, pelo qual temos a adoção como filhos de Deus, é um espírito filial, que clama “Abba, Pai”. 

-=  É um Espírito de relacionamento, que se entristece quando nós nos distanciamos de Deus e quando nós nos distanciamos dos irmãos. É um Espírito que provoca em nós uma inquietação quando deixamos nosso primeiro amor, e seguimos a outras paixões que não sejam Deus. 

 -= Onde está a minha lealdade? Como posso dividir . . . 

 2. Humildade/Graça 

-= Finalmente, o parágrafo termina destacando o dom gratuito de Deus para com aqueles que buscam nEle o que precisam. 

-=  Não precisamos lutar. Não precisamos manipular. Não precisamos nos matar. Não precisamos assassinar o caráter daqueles ao nosso redor. Não precisamos fazer um show. Não precisamos usar máscara.... Precisamos ser humildes. Dependentes. Precisamos clamar ao Senhor com nossas necessidades. Precisamos pedir “em nome de Jesus”—conforme Seu desejo, sempre dentro da ética bíblica que exalta a necessidade do outro. Precisamos clamar pela graça dEle, seu amor não merecido.

 -= O filósofo Epicuro disse, “Para fazer um homem alegre, não aumente suas posses, mas limite seus desejos. A cura para conflito humano está aqui, em humildade e dependência do Senhor.“Os humildes recebem o que os arrogantes cobiçam.” 

 -= A cura para cobiça e conflitos humanos não é conseguir mais, é desejar menos; não é achar sua satisfação em coisas, mas no Criador. Não é lutar para vencer pelo esforço, mas depender para vencer pela graça. Amizade com o mundo é inimizade com Deus! 


FONTE:  Pr. Davi Merkh (revisão por Felipe Hirata)




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