terça-feira, 9 de outubro de 2012

Da morte ele traz vida 

  Texto Base: Lucas 7.11-17 

 - Refletir sobre o tema: “DA MORTE ELE TRAZ VIDA”, me faz lembrar, obrigatoriamente, de um dos grandes poetas brasileiros: João Cabral de Melo Neto. Este pernambucano do Recife, primo de Manoel Bandeira, e Gilberto Freyre escreveu a obra poetizada – Morte e Vida Severina, que apresenta a fuga de um sertanejo da miséria, da fome e da morte. 

- Um estudioso do texto de João Cabral faz a seguinte análise: 

”Ao inverter a ordem natural do sintagma “vida e morte”, o poeta registra com precisão a qualidade da vida que seu poema visa a descrever: uma vida a que a morte preside. E ambas, morte e vida, têm por determinante o adjetivo “severina”. É importante acrescentar que, além de descrever uma vida presidida pela morte, o título também demonstra o percurso feito por Severino durante a peça. Sai da morte para alcançar a vida. 

A Parte Inicial deste Poema diz: 

— O meu nome é Severino, como não tenho outro de pia. Como há muitos Severinos, que é santo de romaria, deram então de me chamar Severino de Maria como há muitos Severinos com mães chamadas Maria, fiquei sendo o da Maria do finado Zacarias. 

 - Este sertanejo, por onde anda, encontra a morte. Ladeando o rio Capeberibe, ele se depara com a morte até chegar ao Recife. Lá novamente se vê diante da miséria e da mesma morte. Fugiu do sertão por ser lugar de miséria e morte e chegou à cidade diante da mesma sorte. Por onde anda ele a encontra. Apenas quando se depara com o nascimento de uma criança, diante de um presépio, ele vê a vida que nasce da morte, repleta de esperança! 

 - As últimas 6 cenas apresentam O Presépio ou O Encontro com a Vida, em que é descrito o nascimento do filho de José, mestre carpina, em clara alusão ao nascimento de Jesus. 

- A peça se encerra, portanto, com uma apologia da vida, mesmo que seja severina. “…E não há melhor resposta que o espetáculo da vida: vê-la desfiar seu fio, que também se chama vida, ver a fábrica que ela mesma, teimosamente, se fabrica, vê-la brotar como há pouco em nova vida explodida; mesmo quando é assim pequena a explosão, como a ocorrida; mesmo quando é uma explosão como a de há pouco, franzina; mesmo quando é a explosão de uma vida severina.” 

 - Nem eu e você temos o nome de Severino, mas à semelhança dele, peregrinamos em um mundo onde a busca pela vida nos faz a cada dia deparar com o cenário da morte. O mundo que vivemos é um mundo de morte. Tudo morre neste mundo, e não há como fugirmos dela. Para onde seguimos com ela nos deparamos. Mas, sem morte não há possibilidade de vida. 

 - Jesus traduziu esta realidade na metáfora do grão de trigo: Sem morte não há vida! João 12.24 – “Em verdade, em verdade vos digo: Se o grão de trigo, caindo na terra não morrer, fica ele só, mas, se morrer, produz muito fruto”. 

 Narração: 

- O texto que lemos há pouco nos apresenta um quadro de morte. Jesus em suas caminhadas se depara mais uma vez com esta triste realidade humana. Diante da morte de Lázaro, a Palavra diz que Jesus chorou. A morte ceifava mais uma vida. Agora, era retratada na dor de uma mulher que havia perdido o marido e também o filho. A morte de ambos implicava em uma outra morte para esta mulher: a morte social, a morte financeira, a morte dos sonhos, a morte da esperança. Mulheres desamparadas estavam condenadas à mendicância. 

- Foi assim com Noemi que no livro de Rute chega a dizer – “a mim me amarga o Senhor ter descarregado contra mim a sua mão” e mais “ Não me chameis Noemi, chamai-me Mara – porque grande amargura me tem dado o todo poderoso”. 

 - Diante deste quadro de morte, Jesus traz vida. Da morte Ele dá vida! 

Ao fitarmos este texto podemos aprender 3 lições muito singelas: 

 1. DIANTE DA CERTEZA DA MORTE, DESTACA-SE A INSEGURANÇA DA VIDA 

 - O poeta português, Fernando Pessoa certa vez escreveu o verso: “Navegar é preciso, viver não é preciso”. 

 - Por não entender direito ao que se referia o poeta, e por pensar em discordar da frase, nunca me enamorei muito da obra de Fernando Pessoa. 

- Conheci vários aportes do poeta como a frase: “Tudo vale a pena, quando a alma não é pequena”. Mas outro dia, vendo um debate sobre o tema, caiu a ficha de tão boas e sábias palavras. Em seus dias, navegar implicava em ter um porto de partida e um porto de chegada. Entre os dois portos uma carta de viagem tracejada pela orientação da bússola. Hoje em dia seria do GPS. Isso de maneira precisa e certa. E a vida ? A vida não tem esta precisão. A vida é imprecisa dizia ele. Não se escolhe onde nascer, e por mais que se escolha onde morrer, o tracejar da caminhada nos reserva surpresas e situações que fazem com que a vida de cada um de nós seja imprecisa, incerta, indefinida – como disse Fernando Pessoa! 

 - Ao olharmos o texto bíblico desta manhã é isso que nos salta aos olhos inicialmente. A vida é incerta! 

- Uma mulher perdeu seu marido e agora seu filho. Será que algum dia ela havia previsto isto ? 

- Será que isso fazia parte dos seus planos de existência ? Claro que não. Isso são as incertezas da vida. 

Na vida, a única certeza que temos é presença da morte. E Jesus se depara com ela no texto! 

 2. EM FACE A DOR DA MORTE, A VIDA SÓ TEM SENTIDO SE PATROCINADA PELO AMOR 

 - John Gay declarou: “Aquele que nunca amou, nunca viveu” 

 - Vinicius de Moraes traduziu isto em canção dizendo: “Quem já passou por essa vida e não viveu Pode ser mais, mas sabe menos do que eu Porque a vida só se dá pra quem se deu Pra quem amou, pra quem chorou, pra quem sofreu”… 

 - Mas nada se compara ao que o Apóstolo Paulo declarou sobre a vida e o amor, em 1 Coríntios 13 quando afirmou: “Eu poderia falar todas as línguas que são faladas na terra e até no céu, mas, se não tivesse amor, as minhas palavras seriam como o som de um gongo ou como o barulho de um sino. Poderia ter o dom de anunciar mensagens de Deus, ter todo o conhecimento, entender todos os segredos e ter tanta fé, que até poderia tirar as montanhas do seu lugar, mas, se não tivesse amor, eu não seria nada. Poderia dar tudo o que tenho e até mesmo entregar o meu corpo para ser queimado, mas, se eu não tivesse amor, isso não me adiantaria nada”. 

 - Muitas vezes, as incertezas da vida nos apresentam tristezas e angústias. Mas mesmo diante delas, podemos perceber o real sentido de tudo pelo mover do amor. A vida só tem sentido se há amor! O amor enche a vida de graça, desfazendo a desgraça da morte. O amor reverte quadros de decepção. O amor enche de sonhos o coração. Como diz o autor sacro: O amor lança fora o medo! 

 - Se a existência veio de Deus, viver em amor é encontrar o sentido da existência – pois a essência de Deus é o amor! João dizia: “Aquele que não ama, não conhece a Deus, porque Deus é amor”. 

 - Quais as características deste amor de Jesus diante da morte:

- Incondicional – ninguém havia feito nada para merecer aquele gesto. 

- Desinteressado – não havia obrigação pelo gesto 

- Espontâneo – nada patrocinado por qualquer tipo de obrigação ou imposição. 

 3. OS SONHOS SÃO RESTAURADOS PELA VIDA QUE VENCE À MORTE 

 - A morte mata também os sonhos. Os discípulos no caminho de Emaús revelam isso: “Nós esperávamos que fosse ele quem redimiria Israel”… 

 - A morte quer amputa os sonhos pode ser vista sob vários prismas. 

Por exemplo – pela ótica da competição. No mundo Darwiniano que vivemos, o mundo da seleção das espécies, só há lugar ao sol para o melhor. Os demais estão mortos no ostracismo, na sombra e no esquecimento. Não importa como é que você vai chegar à vitória, se por trapaça, se fraudando… o mundo só valoriza o vitorioso. Por isso, a ditadura do sucesso, produz plasticamente a figura de heróis bem-sucedidos – apodrecidos em seus valores. 

 - Na competição não há espaço para gestos de amor e compreensão. Louros para quem ganha, morte para quem perde. Mas foi exatamente neste cenário de competição que vemos um notável exemplo de vida que vence, vence a imposição da seleção, vence a própria morte. 

 ILUSTRAÇÃO: Há alguns anos, nas olimpíadas especiais de Seattle, também chamada de Paraolimpíadas, nove participantes, todos com deficiência mental ou física alinharam-se para a largada da corrida dos cem metros rasos. Ao sinal, todos partiram, não exatamente em disparada, mas com a vontade de dar o melhor de si, terminar a corrida e ganhar. Todos, exceto um garoto, que tropeçou no piso, caiu rolando e começou a chorar. Os outros oito ouviram o choro. Diminuíram o passo olharam para trás. Viram o garoto no chão, pararam e voltaram. Todos eles! Uma das meninas, com Síndrome de Down, ajoelhou-se, deu um beijo no garoto e disse: “pronto, agora vai sarar”. E todos os noves competidores andaram juntos até a linha de chegada. O estádio inteiro levantou e não tinha um único par de olhos secos naquela ocasião. 

 - E os aplausos duraram longos e merecidos minutos. 

MORAL DA ILUSTRAÇÃO: 

As pessoas que estavam ali, naquele dia, entenderam que o que importa nesta vida, mais do que ganhar sozinho, é ajudar o próximo a vencer também, mesmo que isso signifique diminuir o passo e mudar de curso.  

- Nós só temos vida, porque Jesus se sensibilizou com a nossa condição. Paulo explicita isso de maneira espiritual dizendo: “Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados. Pela graça sois salvos e isso não vem de vós, é dom de Deus” (Efésios 2). 

- Somente em Cristo Jesus podemos cantar com Paulo: “Onde está ò morte a tua vitória, onde está ò morte o teu aguilhão” 

- Pois nele, em Cristo Jesus: “Somos mais que vencedores” 

Aos romanos Paulo declarou: “Em todas essas situações temos a vitória completa por meio daquele que nos amou.Pois eu tenho a certeza de que nada pode nos separar do amor de Deus: nem a morte, nem a vida; nem os anjos, nem outras autoridades ou poderes celestiais; nem o presente, nem o futuro;nem o mundo lá de cima, nem o mundo lá de baixo. Em todo o Universo não há nada que possa nos separar do amor de Deus, que é nosso por meio de Cristo Jesus, o nosso Senhor.” 

 Conclusão: 

Fernando Pessoa tinha razão: A vida é incerta 

Paulo foi cirúrgico ao declarar: A vida sem amor é nada 

Mas é preciso lembrar que: Os sonhos que impulsionam a vida, só são possíveis no poder de Deus


Por Carlos Orlandi Junior 


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 Mudança nas 
Relações Familiares 

Texto Base: Efésios 5.31,33

 “Nenhum sucesso no mundo justifica o fracasso no lar” 

- Há definitivamente uma correlação entre sucesso familiar e sucesso pessoal. 

- O cultivo de relacionamentos familiares saudáveis lança o fundamento para o sucesso futuro A maior coisa que um pai (mãe) pode fazer por seus filhos é amar a mãe (pai) deles. Uma boa família nos ajuda a conhecermos nosso propósito, desenvolvermos nosso potencial e a desfrutarmos da nossa jornada com uma intensidade que seria impossível de outra maneira. Transição > Passos para cultivar uma família saudável 

 I.) Expressem apreciação um pelo outro 

- “A casa é o lugar para onde os membros da família vão quando estão cansados de serem legais com as outras pessoas”. 

- Agüentamos tudo no serviço e não agüentamos nada em casa! 

- “Em todas as pessoas, do berço ao túmulo, há um desejo profundo de ser apreciado”. 

- Para cada observação negativa feita a um membro da família são necessárias quatro declarações positivas para compensar o dano. 

- Depósitos e saques no casamento 

- 1 Pe 3.7 

 II.) Estruturem a vida para passar tempo juntos 

- “O lar tem se tornado um trevo onde membros da família passam um pelo outro a caminho de um sem número de lugares e atividades”. 

- Temos que ser criativos, nos planejar, examinar e fazer nossa agenda para ficarmos juntos! 

- Pv 5.18; Ec 9.9 

 III.) Lide com a crise de maneira positiva 

- A crise sempre pode ser uma oportunidade disfarçada para a mudança e o amadurecimento. 

- Rm 8.28 

- Estratégias no processo de solução de problemas familiares: 

- Ataque o problema, nunca a pessoa. 
- Obtenha todos os fatos.
- Relacione todas as opções. 
- Escolha a melhor opção. 
- Procure pelos aspectos positivos no problema.
 - Nunca sonegue amor. 

 IV.) Comunique-se continuamente 

- Pesquisa: em média, os casais casados há dez anos ou mais passam somente 37 minutos por semana em uma conversa significativa. Compare isso ao fato de que as pessoas passam, em média, quase cinco vezes mais que isso assistindo televisão todos os dias! 

- Sugestões para ajudá-lo a cultivar uma boa comunicação: 

- Desenvolva plataformas para a comunicação 

* Caminhar juntos 
* Ligue para seu cônjuge ou filhos várias vezes ao dia 
* Encontrem-se para almoçar uma vez por semana 
* Ofereça-se para levar as crianças à escola, etc. 

- Controle os bloqueadores de comunicação 

* Televisão 
* Internet 
* Telefone 

- Encoraje a honestidade e a transparência nas conversas 

* Diferenças de opinião são saudáveis e normais e não devem ser ridicularizadas. 

* “Se eu e Billy concordássemos em tudo, um de nós seria desnecessário” (Ruth Graham). 

- Adote um estilo de comunicação positivo. 

* Não abafe a comunicação aberta 

* Adote um estilo de comunicação cooperativo 

 V.) Compartilhe os mesmos valores 

- Perigo: a sociedade moderna quer impor que os pais não têm o direito e inculcar seus valores em seus filhos. Querem nos fazer crer que as crianças devem criar seus próprios valores. Todavia, se os pais não fizerem isso, outros farão (artistas, celebridades, escritores, animadores, apresentadores, publicitários, sexólogos, políticos, jogadores, produtores de filmes e novelas, etc.) 

- Quais são os valores que você deseja inculcar a seus filhos? É necessário identificá-los. 

Exemplos: 

- Compromisso com Deus 
- Compromisso com o crescimento pessoal e familiar 
- Experiências em comum compartilhadas 
- Confiança em si e nos outros 
- Desejo de contribuir com a vida 

- Dt 6.6,7 


 AUTOR: Pr. Ronaldo Guedes Beserra baseado no Livro “Segredos do Relacionamento” de John Maxwell


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