domingo, 30 de setembro de 2012

DEUS, 
JUSTO E RESTAURADOR 

 Gênesis 6-11 

 INTRODUÇÃO 

 - A Corrupção da Humanidade: 6.1-8 

- A Arca de Noé: 6.9 – 7.5 
- O Dilúvio: 7.6-24 
- O Fim do Dilúvio: 8.1-22 
- A Aliança de Deus com Noé: 9.1-17 
- Os filhos de Noé: 9.18-28 
- A Origem dos Povos: 10.1-32 
- A Torre de Babel: 11.1-9 
- A Descendência de Sem: 11.10-32 

 I. Resumo 

 - Nos capítulos três a cinco de Gênesis vemos como desde o início dos tempos o pecado trouxe sérias conseqüências para a humanidade. 

- A desobediência de Adão e Eva (A Queda, ou Pecado Original) mostra a ação do pecado no âmbito pessoal. 

- A atitude de Caim, que matou Abel, mostra a ação do pecado no âmbito familiar. 

- Já em Gênesis 6-11 vemos a ação do pecado na sociedade. 

 - Com certeza a maior parte dos cristãos conhece os principais aspectos da história contada nestes capítulos. 

- A pecaminosidade da humanidade chegou a tal ponto que Deus decidiu destruir a terra com um dilúvio de proporções até então desconhecidas. 

- Ao mesmo tempo Ele provê a solução para o recomeço: chama Noé para construir uma arca e, assim, garantir a sobrevivência da raça humana e dos animais. 

 - Depois do dilúvio, Deus faz uma aliança com Noé, prometendo que nunca mais destruirá o mundo por meio de um dilúvio, e ordena a Noé e seus descendentes que se multipliquem, espalhem-se e dominem a terra. 

 - Porém, não é preciso esperar muito para, mais uma vez, ver o pecado entrando em ação. Noé se embriaga, o filho mais novo, Cam, desrespeita-o vendo sua nudez , o que o leva a ser amaldiçoado pelo pai. 

 - Na Torre de Babel, o ser humano, desejando construir para si um nome, atenta mais uma vez contra Deus. O Senhor intervém, fazendo com que surjam várias línguas, o que leva o povo a se dispersar. 

 - O capítulo 11 conclui com a genealogia da família de Abraão, que é o preâmbulo para o início de mais uma etapa da História da Redenção: por meio de Abraão e sua descendência “todos os povos da terra serão abençoados” (Gen. 12.3). 

- Esta promessa se concretizou milhares de anos mais tarde, com o advento do Messias, descendente de Abraão, por meio de quem Deus restaura e reconcilia para si o mundo, quebrando a maldição do pecado. 

 II. Entendendo o Texto 

 - Quem eram os “filhos de Deus” (6.2) que tomaram para si as filhas dos homens?

 - Como a expressão Hebraica que, em português, é traduzida como “filhos de Deus” é usada em outras passagens da Bíblia para se referir aos anjos (Jó 1.6; 2.1; 38.7), alguns intérpretes do texto sagrado afirmam que, também neste caso, a passagem está se referindo a anjos. 

- O desenlace óbvio dessa afirmação é que seres espirituais teriam tido relações sexuais com as mulheres mais bonitas da época, e como conseqüência, nasceram-lhes filhos que se tornaram poderosos (6.4). 

 - Outros intérpretes afirmam que as “filhas dos homens” eram as descendentes de Caim (que matou seu irmão Abel), e os “filhos de Deus” eram homens piedosos descendentes de Sete, um dos filhos de Adão, antepassado de Enoque (que andou com Deus) e Noé (homem justo e íntegro – Gen. 6.9). 

 - Porém, há outra interpretação que parece mais plausível, e que se encaixa perfeitamente no contexto da passagem, assim como no contexto cultural da época. 

- Existem passagens na Bíblia em que a palavra Elohim (Deus) é utilizada no sentido figurado para referir-se a juízes ou homens de influência e destaque na sociedade (Exodo. 22.8-9; Salmos 82.6). 

- Em 2 Samuel 7.14, por exemplo, Deus comunica a David que seu descendente, Salomão, será filho de Deus. Portanto, seguindo esta linha de pensamento, o que está sendo relatado nos versículos 1-4 de Gênesis 6 é que os líderes de uma sociedade corrupta e imoral, aproveitando-se de sua posição social, abusaram do seu poder e autoridade e cometeram o pecado de poligamia e promiscuidade, alterando, assim, o ideal divino do relacionamento matrimonial. 

III. Deus se arrepende (6.6,7)? 

-  Gênesis 6.6,7 diz que Deus se arrependeu de ter feito o homem. 

- Porém, em 1 Samuel 15.29 vemos que Deus “não mente nem se arrepende, pois não é homem para se arrepender”. Como cremos que a Bíblia não se contradiz, deve haver, então, uma solução! 

 - Alguns teólogos (principalmente os defensores da Teologia do Processo ou, mais recentemente, do Teísmo Aberto) defendem que Deus não é onisciente nem imutável, abrindo, assim, espaço para aceitar que o arrependimento de Deus é igual ao arrependimento do homem. Ou seja, no caso de Gênesis 6 é como se Deus tivesse feito uma decisão (criar o homem), sem saber o que aconteceria (corrupção total) e, quando viu o resultado, foi pego de surpresa e desejou não ter criado o homem, arrependendo-se do que fez. 

 - Porém, se Deus não é onisciente nem imutável, e, por isso, se arrepende das decisões “desastrosas” que fez, ele deixa de ser Deus! Fazemos com que Ele seja à nossa imagem e semelhança, e não ao contrário. 

 - A melhor forma de interpretar o “arrependimento de Deus” nesta passagem é entender que, muitas vezes, os autores bíblicos fazem uso do antropomorfismo ou da antropopatia, que é a prática de atribuir a Deus características ou sentimentos humanos, com o objetivo de expressar, da melhor maneira possível, quem é Deus, suas reações e sua forma de atuar. 

- No caso de Gênesis 6, o que está sendo comunicado é o pesar, a tristeza de Deus por ver que o homem, criado à sua imagem e semelhança, tinha optado por seguir o caminho do mal. A parte b do versículo 6 na Nova Versão Internacional da Bíblia (NVI) ajuda-nos a entender melhor isso ao afirmar que toda esta situação “cortou o coração de Deus”. 

 - “O arrependimento de Deus é uma expressão antropomórfica da dor do amor divino diante do pecado do homem, e significa que ‘Deus não é menos ferido pelos pecados atrozes dos homens do que se eles perfurassem Seu coração com angústia mortal’.” 

IV. O dilúvio foi universal? 

 - Podemos encontrar, entre os estudiosos evangélicos, aqueles que afirmam categoricamente que o dilúvio foi universal. 

- Outros, usando diferentes argumentos, acreditam que foi somente na região mesopotâmica, que era onde Noé e seus filhos habitavam. 

 - Na verdade, quando analisamos o texto, uma das principais razões que nos levam a entender que o dilúvio foi global é o fato de Gênesis afirmar que a perversidade do homem estava sobre a “terra” (Gen. 6.5), que Ele arrependeu-se de ter criado o homem sobre a “terra” (Gen. 6.6) e que a partir dos filhos de Noé “toda a terra” foi povoada (Gen. 9.19). Além disso, existem centenas de povos ao redor do mundo que possuem relatos acerca de um dilúvio nas suas tradições orais e escritas. 

 - Há, porém, algumas fortes razões para pelo menos deixar aberta a possibilidade de que o texto bíblico se refere a um acontecimento regional, e não global. Uma delas é o fato de a palavra “terra”, no original Hebraico, também ter, entre outros, o significado de região ou país. 

- Da mesma forma que um brasileiro pode afirmar que “minha terra tem palmeiras...” sem estar se referindo ao planeta terra, mas sim ao seu país ou região, o mesmo podia ser feito no Hebraico bíblico. 

- Ao mesmo tempo, apesar de haver indícios geológicos e arqueológicos de que houve grandes enchentes em diferentes partes do mundo, não há indícios conclusivos de que isto ocorreu em todos os lugares do mundo ao mesmo tempo. 

 - Seja como for, sendo universal ou não, a razão para o dilúvio continua a mesma: o nível de corrupção, imoralidade e violência havia chegado a tal ponto que o Senhor já não podia suportar e precisava exercer sua justiça. 

V. Por que Deus se importou com a construção de uma torre (11.1-9)? 

 - Muitos anos depois do dilúvio um grupo de homens, que falava a mesma língua, empreendeu viagem e resolveu fixar-se numa determinada planície (v.2). Lá, decidiram “construir uma cidade, com uma torre que alcance os céus” (v. 4a). Com isto eles queriam ficar famosos e evitar “serem espalhados pela face da terra” (v.4b), o que, pelo menos aparentemente, ia contra a ordem de Deus de encher a terra. 

- Para evitar que o que eles estavam planejando fosse levado a cabo, Deus resolveu confundir a língua que falavam. Como resultado a obra parou, as pessoas foram espalhadas por toda a terra e seus objetivos não foram alcançados. 

 - Mesmo que o texto diga explicitamente que Deus não queria que o grupo alcançasse seus objetivos (ficar famoso e não ser espalhado), talvez existam alguns aspectos que, num primeiro momento, estejam escondidos aos nossos olhos. Ás vezes, o que estava claro para os ouvintes e leitores originais, não está tão claro para nós, que somos de uma cultura tão diferente e vivemos muitos séculos depois do texto ter sido escrito. 

 - Todos nós sabemos que não é possível construir uma torre que chegue até os céus; portanto, Deus não tinha porque se preocupar com esta possibilidade. O problema possivelmente estava no fato de que, na região mesopotâmica, a construção de torres (chamadas zigurates, que eram construções com uma escada externa que rodeava a construção) estava relacionada à adoração de outros deuses. Era um espaço consagrado à deidade local. 

- Arqueólogos descobriram o nome dado a vários zigurates, o que nos dá uma boa idéia da utilização dada a elas: “templo da fundação do céu e da terra”; “templo que liga o céu e a terra”; “templo da escada que leva ao puro céu”. 

VI. De acordo com Walton, 

 “... o zigurate era uma estrutura construída para dar suporte a uma escada. A escada era uma representação visual daquilo que se cria que era usado pelos deuses para viajar de um mundo para outro. Existia somente para a conveniência dos deuses e eram mantidos para prover às deidades as amenidades que fariam com que seu caminho se tornasse mais agradável” 

 - Portanto, um dos aspectos que certamente incomodaram a Deus na tarefa empreendida pelo grupo em questão era que o objetivo da torre era o de facilitar a comunicação com os deuses. Mais uma vez vemos a humanidade corrompendo-se, mas desta vez o cerne do problema é a idolatria, impulsionada pelo desejo de tornar-se grande e famoso. 

VII. Quais são as Principais Lições que Podemos Extrair do Texto? 

 => Sobre a Humanidade 

 - Certamente a afirmação mais contundente encontrada em Gênesis seis é o ponto de vista do Senhor acerca da humanidade: “toda a inclinação dos pensamentos do coração [do homem] era sempre e somente para o mal” (v.5). Foi por essa razão que o Senhor exerceu juízo sobre a terra por meio de um dilúvio. 

 - Todos (menos um, como veremos abaixo) haviam se corrompido. Violência e imoralidade tinham se tornado características comuns da sociedade. Como conseqüência veio o caos produzido pelo dilúvio. Caos social ou pessoal é a conseqüência natural de uma conduta corrupta, seja a conduta da sociedade como um todo ou do indivíduo. 

 - Será que é certo que “uma andorinha só não faz verão”? No caso de Noé não foi assim. Foi através dele que Deus propiciou um novo começo para a humanidade. 

 - Noé era homem justo e íntegro (6.9). Deus afirma que ele era o único justo na sua geração (7.1). A partir do exemplo de Noé podemos ver que é possível ser íntegro no meio de uma sociedade cujos valores não são norteados pela Palavra de Deus. E como isso é possível? Andando com Deus, como Noé fazia (6.9).  

=> Sobre Deus 

 - Deus é um Deus que fica angustiado com a injustiça, a violência e a corrupção. 

 - Deus não está calado. No capítulo 6.13 vemos que Deus falou com Noé. Quando Deus vê a perversidade do homem sobre a terra, Ele fala com aqueles que andam com Ele para comunicar seus planos e levá-los à ação.

 - Deus é um Deus justo. É como se houvesse uma balança: de um lado o bem e do outro o mal. Quando o mal atinge um certo limite, o alarme é disparado e Deus executa o julgamento. 

 - Deus, por ser justo, julga o pecado, a corrupção e a conduta perversa de uma sociedade. Sim, Ele é amor; porém, como Ele é perfeito, Ele também é justo. 

 - Deus é Restaurador. Ele não suporta a corrupção e a conduta perversa do indivíduo ou da sociedade. Porém, Ele sempre provê a resposta para o recomeço, para a restauração. 

 - Deus é um Deus de aliança. Ele se envolve com a sua criação e, por ser fiel, jamais deixa de cumprir suas promessas. 

 - Da mesma forma que Deus confundiu as pessoas por meio das muitas línguas em Babel, no Pentecostes Ele trouxe, também por meio de muitas línguas, a mensagem da salvação para os povos. 

 - A genealogia de Abraão introduz o início de uma nova etapa na história da salvação que culminou com a vinda do Senhor Jesus. Mais uma vez é o Deus Restaurador atuando e mostrando-nos o caminho da salvação. 

 - Deus não está disposto a dividir sua glória com ninguém: nem com homens que, confiando na sua própria força e inteligência, querem realizar projetos faraônicos (seja uma torre ou não) e, Conforme apresentado na Nova Versão Internacional (NVI) da Bíblia Sagrada. 


 Delitzsch, F.; Keil, C.F. Commentary on the Old Testament in Ten Volumes, vol. I. William B. Eerdmans Publishing Company: Grand Rapids, Michigan, 1976, p. 140. Walton, John H. The NIV Apllication Commentary. Michigan: Zondervan, 2001, p. 374.

AUTOR:  Pr. Marcos Amado




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O DEUS QUE PERDOA 



SÉRIE: DESCOBERTAS – Uma visão de Deus através do Antigo Testamento A ARMAÇÃO (Gênesis 3.1-5) 

(1) Ora, a serpente era o mais astuto de todos os animais selvagens que o SENHOR Deus tinha feito. E ela perguntou à mulher: “Foi isto mesmo que Deus disse: ‘Não comam de nenhum fruto das árvores do jardim’?” 

(2) Respondeu a mulher à serpente: “Podemos comer do fruto das árvores do jardim, 

(3) mas Deus disse: ‘Não comam do fruto da árvore que está no meio do jardim, nem toquem nele; do contrário vocês morrerão’ ”. 

(4) Disse a serpente à mulher: “Certamente não morrerão! 

(5) Deus sabe que, no dia em que dele comerem, seus olhos se abrirão, e vocês, como Deusa , serão conhecedores do bem e do mal”. A AMBIÇÃO (Gênesis 3.6-13) 

 (6) Quando a mulher viu que a árvore parecia agradável ao paladar, era atraente aos olhos e, além disso, desejável para dela se obter discernimento, tomou do seu fruto, comeu-o e o deu a seu marido, que comeu também. 

(7) Os olhos dos dois se abriram, e perceberam que estavam nus; então juntaram folhas de figueira para cobrir-se. 

(8) Ouvindo o homem e sua mulher os passos do SENHOR Deus que andava pelo jardim quando soprava a brisa do dia, esconderam-se da presença do SENHOR Deus entre as árvores do jardim. 

(9) Mas o SENHOR Deus chamou o homem, perguntando: “Onde está você?”

 (10) E ele respondeu: “Ouvi teus passos no jardim e fiquei com medo, porque estava nu; por isso me escondi”. 

(11) E Deus perguntou: “Quem lhe disse que você estava nu? Você comeu do fruto da árvore da qual lhe proibi comer?” 

(12) Disse o homem: “Foi a mulher que me deste por companheira que me deu do fruto da árvore, e eu comi”. 

(13) O SENHOR Deus perguntou então à mulher: “Que foi que você fez?” Respondeu a mulher: “A serpente me enganou, e eu comi”. A AVARIA (Gênesis 3.14-24)  

(14) Então o SENHOR Deus declarou à serpente: “Uma vez que você fez isso, maldita é você entre todos os rebanhos domésticos e entre todos os animais selvagens! Sobre o seu ventre você rastejará, e pó comerá todos os dias da sua vida. 

(15) Porei inimizade entre você e a mulher, entre a sua descendência e o descendente dela; este lhe ferirá a cabeça, e você lhe ferirá o calcanhar”. 

(16) À mulher, ele declarou: “Multiplicarei grandemente o seu sofrimento na gravidez; com sofrimento você dará à luz filhos. Seu desejo será para o seu marido, e ele a dominará”. 

(17) E ao homem declarou: “Visto que você deu ouvidos à sua mulher e comeu do fruto da árvore da qual eu lhe ordenara que não comesse, maldita é a terra por sua causa; com sofrimento você se alimentará dela todos os dias da sua vida. 

(18) Ela lhe dará espinhos e ervas daninhas, e você terá que alimentar-se das plantas do campo. 

(19) Com o suor do seu rosto você comerá o seu pão, até que volte à terra, visto que dela foi tirado; porque você é pó, e ao pó voltará”. 

(20) Adão deu à sua mulher o nome de Eva, pois ela seria mãe de toda a humanidade. 

(21) O SENHOR Deus fez roupas de pele e com elas vestiu Adão e sua mulher. 

(22) Então disse o SENHOR Deus: “Agora o homem se tornou como um de nós, conhecendo o bem e o mal. Não se deve, pois, permitir que ele tome também do fruto da árvore da vida e o coma, e viva para sempre”. 

(23) Por isso o SENHOR Deus o mandou embora do jardim do Éden para cultivar o solo do qual fora tirado. 

(24) Depois de expulsar o homem, colocou a leste do jardim do Éden querubins e uma espada flamejante que se movia, guardando o caminho para a árvore da vida. 

 A. TRÊS ESTÁGIOS DA QUEDA A ARMAÇÃO 

(Gn 3.1-5) – verdade torcida (tentação de Satanás) Pergunta sutil (Gn 3.1): “Foi isso mesmo que Deus disse? Não comam de nenhum fruto?” 

- A tentação da serpente (Satanás) começa com um pergunta sutil que introduz uma dúvida em relação à palavra de Deus: “Nenhum fruto?” Deus havia proibido apenas o fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal. 

- A tentação visa atrair nosso interesse para o está fora do limite estabelecido por Deus. Gratidão é reconhecer as bênçãos já recebidas e glorificar a Deus por elas. Tantas árvores e tantas frutas, todas boas e permitidas. Mas os corações de Eva e Adão foram atraídos para fora da gratidão e para dentro da insatisfação. E isto abriu a porta para o pecado. 

 - Contradição aberta (Gn 3.4-5): “Certamente não morrerão! ...vocês, como Deus,serão conhecedores do bem o do mal.” 

- A armadilha já estava armada e o gatilho foi uma mentira direta na forma de contestação aberta e enfática da palavra de Deus: “Certamente não morrerão!” Dialogar com o tentador é muito perigoso, pois o leão se aproxima com a única intenção de devorar a sua vítima (1Pe 5.8). 

- A instrução bíblica é resistir a ele e não lhe dar ouvidos (Tg 4.7). A porta da gaiola se fechou quando Eva acreditou que o Criador lhes havia privado de conhecer o bem e o mal. De repente, ser semelhante a Deus tornou-se insuficiente à luz da possibilidade de ser como Deus. 

- A AMBIÇÃO (Gn 3.6-13) – olho gordo (a cobiça de Adão e Eva) 

 - Império dos sentidos: “...agradável ao paladar, atraente aos olhos, desejável para dela se obter discernimento...” 

- O apóstolo João ensinou que “a cobiça da carne, a cobiça dos olhos e a ostentação dos bens não provém do Pai, mas do mundo”. E advertiu: “Não amem o mundo nem o que nele há” (1Jo 2.15-17). 

- A cobiça aparece em seus três sentidos principais: prazer (paladar, carne), imaginação (olhos) e poder (obter discernimento, ostentação dos bens). 

- Nossos primeiros pais cederam à cobiça quando escolheram amar o mundo mais do que a Deus. Esta inversão de valores espirituais trouxe uma conseqüência trágica para toda a humanidade: sem exceção, todos os descendentes naturais de Adão e Eva amam o mundo mais do que a Deus. 

 - As perguntas de Deus: 
“Onde está você?” 
“Quem lhe disse...?”
 “Você comeu...?”
“Que foi que você fez?” 

- A iniciativa do Criador de caminhar na direção da criatura humana persiste mesmo após a desobediência do casal. Isto realça de forma notável a grandeza do amor de Deus: ele buscou, ele perguntou, ele confrontou, ele proveu, ele limitou, ele prometeu. 

- A história humana não acabou na Queda. Foi exatamente naquele ponto que ela teve a sua continuidade afirmada por Deus. 

 - A AVARIA (Gn 3.14-24) – maldição e sofrimento - Estas duas palavras, repetidas no texto bíblico, revelam o estrago e as conseqüências dramáticas nas relações internas do ecossistema original em decorrência da desobediência de Adão e Eva: 

 - A serpente e a mulher – inimizade, ruptura na criação (cf. Rm 8.19-22); 

- A mulher e o marido – dor no parto; relação disfuncional com o marido, de correspondente a subserviente (cp Gn 2.18 e 3.16); 

- O homem e a terra – relação de hostilidade mútua: a terra produzindo espinhos e ervas daninhas e o homem brigando com a terra para se alimentar (Gn 3.17-18). 

 B. TRÊS PROVISÕES DO CRIADOR 

- Um Amor Inesgotável – Gn 3.8,21 Graça comum: presença e proteção. O passeio de Deus no Jardim do Éden ao entardecer do fatídico dia da queda demonstra o inesgotável amor de Deus. Seu cuidado ao fazer roupas de peles para o casal, agora vulnerável por causa do pecado, aponta para uma fidelidade que durará para sempre. 

- Jesus referiu-se a essa graça comum na expressão “ele [Deus] faz raiar o seu sol sobre maus e bons e derrama chuva sobre justos e injustos” (Mt 5.45). E aquele que se fez carne está presente no universo “sustentando todas as coisas por sua palavra poderosa” (Hb 1.3). 

-  Uma Promessa Irrevogável – Gn 3.15: “o descendente dela... lhe ferirá a cabeça” 

 - Graça salvadora: o descendente vencedor foi prometido à mulher no Éden. Foi um anúncio quase cifrado, cujo entendimento pleno veio à luz com Cristo: “quando chegou a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher” (Gl 4.4). 

- A graça de Deus se manifestou salvadora (Tt 2.11). “Ele nos perdoou todas as transgressões, e cancelou a escrita de dívida, que consistia em ordenanças, e que nos era contrária. 

- Ele a removeu, pregando-a na cruz, e, tendo despojado os poderes e as autoridades, fez deles um espetáculo público, triunfando sobre eles na cruz” (Cl 2.13-15). 

- Ou seja: nossa dívida foi perdoada e o inimigo foi despojado do poder que exercia sobre nós por meio do pecado e da morte. 

 - Um Limite Inegociável – Gn 3.19,21: “você é pó, e ao pó voltará” - A morte é “o último inimigo a ser destruído” (1Co 15.26), disse o apóstolo Paulo. Ela é nossa inimiga enquanto castigo pelo pecado. Mas a mesma morte imposta ao homem serve de barreira protetora e introduz um elemento de esperança, por causa de Cristo. Se não morrêssemos, todos nós estaríamos destinados a um estado de pecado eterno. 

- Esse foi o sentido da expulsão do Éden: “Não se deve... permitir que ele tome também do fruto da árvore da vida e o coma, e viva para sempre” (Gn 3.22). 

- A morte de cada é só uma questão de “quando”. E nossa completa impotência diante dela é um poderoso lembrete da necessidade de salvação. 

- Só quem morre e ressuscita com Cristo experimenta paz com Deus. Sua morte eterna é substituída pela justiça de Cristo e por uma vida nova e abundante (Rm 5.12-21; 2Co 5.14-6.1). 

 C. PELO AMOR E PELA DOR 

– conclusões - A criação revela um Deus que ama intensamente os seres humanos: criou-os à sua imagem e semelhança; proveu-lhes um habitat perfeito e adequado; deu-lhes autoridade e domínio sobre a criação; ordenou-lhes fecundidade e ocupação do espaço-mundo; em resumo, Deus os abençoou! 

 - A queda revela um Deus que continua amando os seres humanos que criou apesar de sua falência moral: tomou a iniciativa de buscá-los no esconderijo do pecado; confrontou a sua desobediência e impôs conseqüências e limites; e introduziu esperança da vitória sobre o mal por meio de uma promessa. 

 - Deus perdoa! Mas o caminho de volta ao Pai pode ser tanto pelo amor, quanto pela dor. 

- A criação fala do amor do Criador, a queda introduz a dor do pecado, mas o mesmo Deus que criou, também perdoa. 

Sua perfeição e santidade não o afastam eternamente de nós, porque a morte de seu filho Jesus Cristo oferece reconciliação e paz, bem como vitória sobre o mal. 


AUTOR: Pr. Paulo Moreira Filho



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