sexta-feira, 6 de julho de 2012

A CONSAGRAÇÃO DA VONTADE 




 INTRODUÇÃO 


- Um dos exercícios espirituais mais difíceis que um homem tem é o de transformar a sua vontade em ação. 


- Temos algumas convicções tão fortes, que nos levam a querer fazer algumas coisas, mas não as fazemos. 


- Vejamos por exemplo, como é forte a nossa convicção a respeito da oração, da evangelização, da obra missionária, do serviço de Deus, do ministério que cada um de nós tem para fazer. 


- Temos cravada em nossa mente a convicção de que estes valores são os mais altos. As nossas convicções são facilmente transformadas em vontade, em um profundo desejo de fazer algo, de construir, de abençoar, de crescer, de mudar, de obedecer o que Deus nos ordena. No entanto, fazer a convicção e a vontade se transformarem em atitude, em comportamento, em ação, é a parte mais difícil. 


- Vemos esta luta no Apóstolo Paulo. Ele sabe que o Espírito Santo habita nele e o convence da verdade; ele tem a convicção e a vontade, mas não consegue agir de maneira correspondente a elas. 


- Ele declara que faz o que detesta e o que não quer fazer. 


- Ele vê a crise entre o crer, o querer e o fazer: “Porque nem mesmo compreendo o meu próprio modo de agir, pois não faço o que prefiro, e sim o que detesto...pois o querer o bem está em mim; não, porém, o efetuá-lo (Rm 7.15,18). 


-  E ainda, ele, se vê agindo de forma contrária ao que entende como certo e ao que almeja. Há uma disfunção entre vontade e o procedimento, entre o cognitivo e o volitivo: “Porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço(Rm 7.19)”. 


-  Às vezes temos uma forte convicção do que deve ser feito; uma vontade imensa de fazê-lo mas uma dificuldade enorme em transformar a convicção e a vontade em ação. 


- O que fazer então para que a nossa convicção (o que cremos) e a nossa vontade (o que queremos) se transformem em atitudes e comportamentos que concordem com a vontade de Deus? 


 Paulo nos propõe um exercício espiritual contínuo que tem pelo menos três passos: 


 1 – NEUTRALIZAR O INIMIGO DE DENTRO (v.1-8) 


- Paulo fala que em nós existem duas naturezas, a velha e a nova e uma se opõe à outra. 


- A primeira é chamada de carne pecaminosa (v.3), é uma natureza que se utiliza dos apetites do corpo para se realizar. 


- A segunda é espiritual e deseja agradar a Deus. Sobre a velha natureza Paulo fala: “Mas vejo nos meus membros, outra lei que, guerreando contra a lei da minha mente, me faz prisioneiro da lei do pecado que está nos meus membros” (v. 7:23). 


-  Essa natureza carnal tem suas aspirações. Ela é carnal e buscará satisfazer, através de mim a sua vontade. (5,6). 


- Ela tem sua vontade bem definida, aspirações que em sua natureza são contrarias à lei de Deus: “Por isso, o pendor da carne é inimizade contra Deus, pois não está sujeito à lei de Deus, nem mesmo pode estar. Portanto, os que estão na carne não podem agradar a Deus”. (Rm 8.7, 8). 


-  A biologia não quer se dobrar diante da teologia. A carne não quer se dobrar diante do Espírito. Então, conquanto a nossa vontade seja a de produzir frutos para Deus, a nossa vontade encontra a resistência do inimigo que está dentro de nós, a nossa velha natureza, o velho Adão,que não quer agradar a Deus (v.8). 


- Essa natureza carnal produz as suas obras, pois jamais pode produzir frutos que agradam a Deus. 


- Paulo nos mostra que as obras da carne são: prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, ciúmes, iras, discórdias, dissensões, facções, invejas, bebedices, glutonarias e coisas semelhantes (Gl. 5:19-21). 


-  Conquanto para o nosso homem espiritual seja difícil fazer com que a convicção e a vontade se transformem em comportamento espiritual, para o nosso homem carnal a transição é fácil. 


- A inclinação natural de nosso velho homem é para o pecado. Por isso pecamos com muita facilidade. Esse velho homem é o nosso inimigo de dentro que quer abrir a porta de nossa vida para o inimigo do lado de fora. 


- O Adão que habita em nós é um Cavalo de Tróia que quer abrir a porta de nossa vida para os inimigos do lado de fora, ou seja o mundo e o diabo. Esse velho homem, diz Paulo, precisa ser neutralizado conquanto nunca morre, a não ser com a nossa morte física. Para a carne não devemos dispor nada (Rm 13.14). Para ele não devemos nos inclinar (Rm 8.5). 


 2 – EXPERIMENTAR PODER DO ESPÍRITO SANTO 


-  Se temos a nossa carne lutando contra nós, há uma boa noticia: o Espírito Santo também está em nós, formando uma natureza espiritual, que faz oposição à nossa natureza carnal. 


- O Espírito Santo trabalha para que aquelas convicções que Deus nos dá, e a nossa vontade, produzam frutos espirituais através de nós. 


- Há uma lei nova em nós, uma regra gravada em nossa mente, a lei do Espírito da vida (Rm 8.1)). 


- O Espírito Santo produz em nós um novo procedimento e uma nova maneira de andar (Rm 8.4). 


- Vitória espiritual aqui é subjugar a vontade do nosso corpo que quer produzir as suas obras, à vontade do Espírito que habita em nós, que quer produzir os seus frutos espirituais. 


- É a motivação espiritual de negar o alimento que a carne quer, e não deixar nada a sua disposição (Rm. 13:14). 


- Talvez seja esta luta espiritual que fez o Apóstolo Paulo declarar que esmurrava o seu próprio corpo e o reduzia à escravidão, para que não se achasse desqualificado (1 Co 9.27). 


- O desafio que tenho é o de deixar de agir ou reagir de acordo com os instintos humanos que tenho e mim. 


- É a prática de uma disciplina espiritual que visa não permitir que o velho homem se sobreponha à nova criatura que eu sou. 


-  A palavra chave para vitória aqui é também a palavra “inclinar” (v.5). Inclinar significa prestar atenção, gastar tempo, estar sob a influência. Podemos deduzir que os que se inclinam para aquilo que satisfaz a velha natureza estarão propícios a produzirem obras da carne. 


- Por outro lado é necessário se “inclinar” para as coisas do Espírito, para assim, de maneira natural produzir o fruto do Espírito, que conforme o mesmo Paulo são: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio(Gl 5.22,23). 


-  Como se inclinar para o Espírito? Quero sugerir o que tenho chamado de o Tripé da Espiritualidade, que é: Leitura bíblica, oração e comunhão com os irmãos. Estes exercícios fazem oposição à nossa natureza adâmica e alimentam a nossa nova natureza. 


- Se lermos constantemente a Bíblia e nela meditarmos; se orarmos regularmente, passando por todo o desdobramento dela (louvor, adoração, confissão, súplica, intercessão); se mantivermos comunhão constante com os irmãos em Cristo, já seremos capazes de subjugar a nossa natureza adâmica ao Espírito Santo. 


- É claro que a vida cristã é mais ampla do que orar, ler a Bíblia e manter comunhão com os irmãos, mas este Tripé é o mais básico dos exercícios espirituais e são imprescindíveis e insubstituíveis para a saúde espiritual. O Espírito Santo faz uso destas ferramentas para nos ajudar a vencer o velho homem. 


 3 – OBSERVAR O MODELO DE CRISTO 


-  Finalmente, Paulo apresenta Jesus como o modelo e a fonte de nossa vitória espiritual: “Graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor. De maneira que eu, de mim mesmo, com a mente, sou escravo da lei de Deus, mas segundo a carne, da lei do pecado. Agora pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus. Porque a lei do Espírito da vida, em Cristo Jesus, te livrou da lei do pecado e da morte (Rm 7.25, 8.1,2). 


- Sem Jesus o nosso esforço é humano. É Jesus em nós que nos fortalece. Jesus reinando em nós nos garante a vitória sobre o pecado. Assim, completa o Apóstolo: Se, porem, Cristo está em vós, o corpo, na verdade, está morto por causa do pecado, mas o espírito é vida, por causa da justiça (Rm 8.10). 


- O mesmo que ressuscitou a Jesus dentre os mortos opera em nós para que possamos viver uma vida bonita, vistosa e espiritual. Há poder suficiente à nossa disposição para vencermos o velho homem. Que poder é este? A força do Espírito Santo, a mesma que ressuscitou a Jesus dentre os mortos (Rm 8.11). 


- Quanto mais mantenho esta comunhão deliciosa com Jesus, tanto mais sou vitorioso. Na vitória de Cristo nos apoiamos e vencemos também. Eu posso ser derrotado; Jesus jamais. Somente estando em Cristo é que somos conduzidos em triunfo e exalamos o seu bom perfume (2 Co 2.14-17). 


- Em Cristo o velho homem foi vencido. Porquanto o que fora impossível à lei, no que estava enferma pela carne, isso fez Deus enviando o seu próprio Filho em semelhança de carne pecaminosa e no tocante ao pecado; e, com efeito, condenou Deus, na carne, o pecado (Rm 8.3). 


- Tomemos posse de sua vitória dia após dia. Se lutarmos conforme as nossas próprias armas seremos derrotados; mas em obediência a Cristo e em comunhão com Ele seremos mais do que vencedores (Rm 8.37). 


- Olhando para Jesus eu descubro o caminho para derrotar o meu velho homem. 


CONCLUSÃO/APLICAÇÃO 


-  Pelas nossas próprias forças ficaremos sempre no nível da convicção da verdade e da vontade de praticar o que cremos; mas seremos incapazes de agir. 


- Foi assim que Paulo experimentou seu fracasso e se entendeu como o mais desventurado de todos os homens (Rm 7:24). 


-  Ficaremos desanimados e frustrados todas as vezes que confiarmos em nossa própria força e determinação. No entanto, enquanto lutamos diariamente para não alimentar a nossa velha natureza; enquanto exercitamos a nossa fé em oração, leitura bíblica e comunhão com os irmãos ( O Tripé da Espiritualidade); enquanto continuamos a olhar para o modelo de Jesus e o seu poder em nós, dia após dia, mortificamos o nosso velho homem, subjugando-o ao comando de Jesus. 


- O Espírito Santo agindo em nós trabalhará de tal forma, não com as nossas forças, mas com as armas espirituais, que seremos capazes de fazer com que as convicções que temos da vontade de Deus, especialmente as reveladas em sua Palavra, se transformem na nossa própria vontade, em um desejo imenso de concordar com a vontade de Deus, que por sua vez se tornarão em ações práticas que agradam a Deus. 


Todo este maravilhoso processo, esta viagem espiritual, nada mais é do que a consagração da vontade. 


AUTOR:  Pr. Luiz César Nunes de Araújo




############
#############
##############
###############
################
#################