quinta-feira, 29 de março de 2012



A importância do louvor
na vida do povo de Deus

Referência:
Neemias 12.1-47




- Em 444 a.C., Neemias levantou os muros de Jerusalém; em 1989 caiu o muro de Berlim. O muro de Berlim era um símbolo da separação e da morte; o muro de Jerusalém de proteção, união e vida. Os muros representam a unidasde de Jerusalém: é uma só cidasde, um só povo.

- Uma grande festa espiritual aconteceu na dedicação dos muros de Jerusalém.



Algumas lições importantes podemos tirar, à guisa de introdução deste texto:

1. Devemos celebrar louvores a Deus pelas nossas vitórias (12:27) – Jerusalém vivera mais de cem anos debaixo de escombros. Agora, a cidade foi restaurada, os muros foram reconstruídos e o povo celebra com grande e intenso júbilo essa conquista. Precisamos celebrar com grande júbilo as nossas conquistas.

2. Devemos celebrar louvores a Deus com união entre os irmãos (12:27-29,43) – Todos os sacerdotes, levitas e cantores deveriam vir de todos os lugares para a grande celebração. A liderança unida, trouxe alegria entre todo o povo (12:43). A união do povo de Deus já grande causa de alegria e símbolo de vitória. Naquela festa os líderes e o todo celebraram ao Senhor.

3. Devemos celebrar louvores a Deus com grande alegria (12:27,43) – A alegria é uma das marcas do povo de Deus. A alegria do Senhor é a nossa força (Ne 8:10). As celebrações do povo de Deus precisam ser festivas e cheias de grande júbilo.

4. Devemos celebrar louvores a Deus com vidas puras (12:30) – Os sacerdotes e os levitas se purificaram e purificaram o povo. Devemos chegar diante de Deus com vidas limpas e levantar mãos santas. Jamais poderá haver louvor e adoração se não houver dedicação de vidas ao Senhor. Somos uma nação de levitas e sacerdotes chamados para a adoração (1 Pe 2:9).

5. Devemos celebrar louvores a Deus com ordem e arte (12:8,9,24,27,36,42) – Os levitas eram encarregados de celebrar. Dentre eles haviam os cantores, os instrumentistas, os compositores, bem como o regente. Tudo é feito com arte e com ordem. Os netofatitas (v. 28) eram os compositores. Netofatitas = gotejante ou destilar como gotas de orvalho = falar por inspiração. Eles eram poetas, os compositores. Eles tinham uma grande contribuição na restauração do louvor na casa de Deus.

6. Devemos celebrar louvores a Deus com a fidelidade das nossas ofertas (12:44-47) – Há uma conexão entre os lábios e o bolso. Louvamos a Deus com os nossos lábios e honramos a Deus com as primícias de toda a nossa renda.

Qual é o caminho a percorrer para o perfeito louvor e adoração? O caminho percorrido pelos coros, pelos instrumentistas e pelos músicos sugerem-nos muitas lições espirituais.

Vejamos:

I. A PORTA DO MONTURO – v. 31 (quebrantamento)

- Os grupos de louvor e adoração começam a caminhada sobre os muros pela Porta do Monturo. Monturo no hebraico = ruínas, lugar onde se amontoam os lixos da cidade.

- Espiritualmente este texto fala da miséria do homem. Somos pecadores. Precisamos nos humilhar. Antes de louvarmos temos que passar pela Porta do Monturo, do quebrantamento, da humilhação, da convicção de pecado, da confissão.

- É ali que reconhecemos que somos pó e precisamos da misericórdia de Deus. É ali o lugar do exame, onde despojamos-nos de qualquer pretensa vaidade e nos humilhamos sob a poderosa mão de Deus.

- É ali que somos confrontados com o mal que há em nós. É ali que podemos clamar como Davi: “Deus tirou-me de um poço de perdição, de um tremedal de lama… e pôs nos meus lábios um novo cântico…” (Sl 42:2-3).

II. A PORTA DA FONTE – v. 37 (novo nascimento)

- A fonte é um lugar onde a água brota. É um manancial.

- Deus é esse manancial:

a) Jr 2:13: “A mim me deixaram, o manancial de águas vivas”;

b) Jo 4:14: “A água que eu lhe der será nele uma fonte”.

- Depois da Porta do Monturo, passamos pela Porta da Fonte. Essa é a porta do Novo Nascimento.

- Essa é a porta onde bebemos constantemente de Jesus, a água da vida. Todo o que vem a Jerusalém, à igreja, precisa experimentar o novo nascimento, precisa beber de Jesus e ter a fonte jorrando em si memso. Jesus disse: “Quem não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no Reino de Deus” (Jo 3:5).

- Nenhum músico, nenhum adorador pode estar diante de Deus sem passar por esse portal. Deus é a fonte, Cristo é a água da vida e o Espírito Santo são os rios de água viva que fluem do interior. Essa fonte precisa jorrar de dentro de você e então, o louvor brotará de seu coração e se esparramará através de seus lábios.

III. A PORTA DAS ÁGUAS – v. 37 (enchimento do Espírito)

- Enquanto a Porta da Fonte fala do lugar onde brotam águas; a Porta das Águas fala de correntes, rio que leva aos mananciais das águas. Não é uma fonte de onde emana água, mas um llugar de águas correntes.

- Esse é um símbolo do enchimento do Espírito Santo.

Exemplo: A igreja Presbiteriana de Onuri (Seul).

- A Porta das Águas tem a ver com o enchimento constante do Espírito na vida do cristão. É vital que todos os dias nos banhemos nas águas que correm do trono de Deus, antes de nos colocarmos diante dele em adoração e louvor.

- As pessoas que ministram e celebram o louvor precisam deixar aqui na Porta das Águas tudo que é carnal e toda motivação egoísta e buscar a plenitude do Espírito Santo.

IV. A TORRE DOS FORNOS – v. 38 (purificação)

- Para a restauração da vida de louvor e adoração na igreja é necessária a passagem pelo fogo. Não somente a confissão de pecados na Porta do Monturo, o beber de Cristo na Porta da Fonte e a santificação na Porta das Águas, mas também precisamos passar pela Torre dos Fornos.

- Na Torre dos Fornos sentimos o cheiro de coisas que se queimam. Nessa torre tudo é queimado. Nessa torre o fogo de Deus queima todo o entulho, todo lixo, toda impureza. Nessa torre somos batizados com fogo.

- Assim como Isaías foi purificado por uma brasa viva que tocou seus lábios, aqui Deus nos purifica, nos limpa e tira de nós toda escória.

- Deus quer conduzir cada músico, cada cantor e cada adorador até à Torre dos Fornos para purificá-lo. Nenhuma impureza pode ficar. Seremos acrisolados no fogo de Deus e então seremos sacerdotes e levitas santos para o louvor de Deus.

V. O MURO LARGO – v. 38 (exultação)

- Largo – que leva em todas as direções. Lugar espaçoso, em que não há aperto.

- À medida que as coisas andam sobre o muro e passam pelas portas e pela torre, vão chegando ao muro largo. Na vida de louvor da igreja, na restauração dos louvores e na adoração a Deus, encontramos o lugar da liberdade em Cristo.

- O culto não é engessado por formas rígidas, inflexível por liturgias frias e sem condução do Espírito. Há espaço para alegria e exultação no Espírito. Há espaço para o choro e o quebrantamento. Há espaço para a alegria e para o gemido de dor. O ritualismo deixa de existir.

- O culto frio cede lugar a um culto participativo, alegre, jubiloso, envolvendo todos os remidos do Senhor. Não é culto do homem para o homem. Não é show. Não se prioriza a forma, mas a consagração da vida ao Senhor.

VI. A PORTA DE EFRAIM – v. 39 (produção de frutos)

- De acordo com Gn 41:52 Efraim quer dizer: “duplamente frutífero”.

- Temos aqui um marco da nossa dupla frutificação em Cristo. O louvor produz frutos na vida da igreja. O povo de Deus precisa descobrir que o louvor, a adoração e a ministração ao Senhor são tão importantes no culto quanto a Palavra.

- O louvor deve ser resultado da vida frutífera da igreja. As pessoas louvam e adoram porque têm vida e não porque há um bloco de louvor e outro de pregação. Louvor sem vida é barulho intolerável aos ouvidos de Deus (Am 5:20-21).

- A igreja cresce no louvor. A música tem o poder de trazer quebrantamento (Sl 40:3).

VII. A PORTA VELHA – v. 39 (experiência)

- Porta Velha = veterana, experimentada. A Porta Velha fala de experiência. Uma porta que presenciara lutas, vitórias. Teria resistido ao poder e à queda de reis. Gerações passaram e a Porta Velha adquiriu experiência e sabedoria.
- Essa porta pode significar muito a respeito da experiência da restauração dos hinos antigos na vida da igreja. Temos a tendência de nos apegar somente ao novo. Mas há elementos do passado que não podem ser jogados fora. Há hinos e cânticos antigos que precisam ser ensinados aos filhos, aos jovens e perpetuados às gerações.

- Nesta marcha de louvores sobre os muros de Jerusalém, a Porta Velha restaura o que de bom e melhor Deus preservou no decorrer dos séculos. Na Porta Velha dobramo-nos ao Senhor da igreja e restauramos as veredas antigas.

- Estejamos sempre abertos ao que é novo sem contudo, abandonar a herança de Deus para a igreja.

VIII. A PORTA DO PEIXE – v. 39 (crescimento numérico)

- Peixe no Novo Testamento está ligado à vocação. Aparece ligado ao chamamento dos discípulos (Lc 5; Jo 21).

- Assim como o peixe tem a capacidade de alta reprodutividade, somos chamados também a produzirmos muito fruto.

- O louvor além de trazer a bênção dobrada à igreja como na Porta de Efraim, leva a igreja ao crescimento numérico na Porta do Peixe. A igreja que louva e adora cresce rapidamente. O louvor cativa os homens. Traz os jovens para Deus. Atrai as pessoas para o Reino e as leva a um confronto diante das exigências da Palavra. Muitas pessoas foram ganhas para Jesus pelo louvor.

- Uma congregação que louva verdadeiramente produzirá mutiios frutos (Sl 40:3).

IX. A TORRE DE HANANEEL – v. 39 (a graça e a misericórdia de Deus)

- Essa Torre fala da graça e da misericórdia de Deus. Nessa caminhada do louvor, temos de confessar que somente pela graça é que somos capacitados a andar juntos.

- Não há ministério mais atacado pelo diabo na igreja que o ministério de louvor. Aí surgem as maiores polêmicas, os maiores atritos, os maiores descontentamentos, as maiores divisões.

- O diabo não gosta de ver o povo de Deus louvando e tributando vitória ao Senhor, por isso ele ataca os corais, os conjuntos e a música na igreja.

- Muitas vezes somos tentados a desanimar ao ver nossos esforços fragmentados. Mas essa torre é um lugar de parada, de reflexão. Precisamos recobrar o ânimo e saber que a misericórdia de Deus deve ser nossa motivação para o louvor.

- Devemos cantar sempre: “Foi graça, graça, superabundante graça. Foi só pela graça de Jesus que venci e cheguei aqui.”

X. A TORRE DOS CEM – v. 39 (a Palavra de Deus)

- Esta palavra é a mesma de Gn 26:12 que fala da multiplicação dos graos, alimento para o homem. “…porque o Senhor o abençoava”. A multiplicação é associada à bênção do Senhor”.

- O que dizer sobre a Torre dos Cem? O louvor que deve ser cantado na igreja deve ser baseado na Palavra de Deus, que é alimento para o homem. Nessa base, a Palavra de Deus traz sua bênção à vida de louvor da igreja.

- Há muita música e muito cântico no meio evangélico que são mera história de homens, apelos, emoções, sem qualquer base na Palavra. Cantar a Palavra ou cantar segundo a Palavra é que produz frutos dignos de Deus.

- Na Torre dos Cem encontramos a Palavra de Deus produzindo a cem por um. É uma Plavra que não só reproduz-se em nosso interior, mas também frutifica na vida da igreja. Leva-nos de volta à Palavra.

- Louvor é a Palavra fluindo na reunião da igreja. É a pregação cantada pelo povo de Deus. Cantar textos inspirados por Deus é levar a Palavra a multiplicar-se nas vidas.

XI. A PORTA DO GADO – v. 39 (rebanho de Deus)

- Este texto fala da igreja como rebanho de Deus. Todos nós temos que estar sob o comandando da sua vara e de seu cajado (Sl 23:4). Nenhuma pessoa pode louvar e adorar sem que sua vida esteja totalmente submissa ao cajado e à vara de Deus.

- É uma pessoa que sente o amor, a proteção, o cuidado, a correção. Sabe que é tratada quando vacila ou incorre em desobediência.

- Louvamos a Deus não como bastardos, como filhos que são disiciplinados. A Porta das Ovelhas é o lugar onde nós nos colocamos sob o governo e a ordem do Supremo Pastor.

XII. A PORTA DA GUARDA – v. 39 (passados em revista)

- Porta da Guarda fala de inspeção, vigilância, juízo. Traz a idéia de registro e inspeção. Este é o lugar onde somos passados em revista. Esta é uma parada obrigatória para todos. Aqui os dois coros encontram-se antes de descer à Casa de Deus.

- Aqui alguns ficam retidos por não apresentarem as condições exigidas. É feita uma inspeção para avaliar a condição espiritual de cada adorador.

- Para entrar em comunhão com Deus, na Casa de Deus, é preciso examinar a própria vida (Sl 15).

- Somente os aprovados entrarão na intimidade de Deus. É preciso passasr pelo exame de Deus. Deus olha para o coração. Deus exige consagração, verdade no íntimo.

- É preciso um exame de consciência. Deus quer que nossa vida seja sondada e só então, vamos entrar no santo dos santos da adoração. Só então vamos entrar para adorar verdadeiramente.

- Sem pasar por estes passos, nosso louvor não agrada a Deus. É preciso restaurar o lovuor do Senhor. É preciso entrar na Casa de Deus e ter prazer no seu altar. Casa de Deus é mais do que o templo. Somos a morada de Deus. Deus glorificar a Deus no nosso corpo.

CONCLUSÃO

Quando o povo de Deus se consagra:

a) Deus os alegra – v. 43

b) Há integração no louvor – v. 43

c) A alegria do povo de Deus torna-se contagiante – v. 43

d) Os dízimos são devolvidos, os ministros do templo são reintegrados na obra e a igreja se enche de santa alegria – v. 44

Implicações:

a) Os ministros se tornaram mais cuidadosos do que tinham sido na obra – v. 45

b) O povo se tornou mais cuidadoso do que tinham sido na manutenção dos ministros de Deus – v. 44.


AUTOR: Rev. Hernandes Dias Lopes






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A fidelidade de Deus
e a infidelidade
de seu povo

Referência: Neemias 9.16-37




INTRODUÇÃO

1. Esta oração dos levitas é uma síntese da história do povo de Israel, desde sua origem com a eleição de Abraão até a restauração dos muros de Jerusalém.

2. Esta oração é uma confissão da glória e da graça de Deus e da ingratidão do homem.

3. Esta oração é resultado da leitura, exposição e aplicação da Palavra de Deus, durante 21 dias.

4. Quem não aprende com a história está fadado a repetir os seus erros. Em 1 Coríntios 10:1-13, Paulo faz esse mesmo relato e diz: “Estas cousas lhes sobrevieram como exemplos e foram escritas para advertência nossa, de nós outros sobre quem os fins dos séculos têm chegado”.

5. Patrick Henry atestou a importância da história, dizendo: “Não tenho luz para iluminar o caminho do futuro salvo aquela que está sobre meus ombros vinda do passado”.

6. Este texto pode ser dividido em três partes: a bondade de Deus e a ingratidão do povo; a disciplina de Deus e a inconstância do povo; a justiça de Deus e um clamor pela misericórdia.

I. A BONDADE DE DEUS E A INGRATIDÃO DO POVO – v. 16-25

1. A Bondade de Deus

a) O cuidado de Deus é baseado em quem Deus é e não em quem nós somos (v. 17) – Se Deus nos tratasse como merecemos estaríamos desamparados. Suas misericórdias são a causa de não sermos consumidos. Somos poupados porque Deus é perdoador, clemente e misericordioso, tardio em irar-se e grande em bondade (v. 17b,19).

b) A direção de Deus na vida do seu povo é fruto da sua imensa misericórdia (v. 19) – O povo foi rebelde o todo tempo na peregrinação do deserto. Eles murmuraram. Eles blasfemaram. Eles fizeram ídolos e os adoraram. Eles cometeram toda sorte de devassidão. Mas, por causa da multidão das misericórdias divinas, não faltou ao povo direção: a coluna de nuvem e a coluna de fogo.

c) A bondade de Deus revela-se na provisão espiritual (v. 20) – Deus lhes concedeu o Espírito Santo para os ensinar. Deus lhes deu a si mesmo. Deus mesmo os ensinou. Não os deixou na ignorância, nas trevas.

d) A bondade de Deus revela-se na provisão material (v. 20b,21) – Deus deu maná, água, vestes, calcaçados. Isso durante quarenta anos. Nada lhes faltou, exceto a gratidão.

e) A bondade de Deus revela-se na família (v. 23) – Os filhos são herança de Deus. Eles são flechas nas mãos do guerreiro. Eles são símbolo da bênção de Deus. Eles tiveram filhos que saíram do cativeiro e entraram na terra da promessa. Seus filhos foram libertos, e foram vitoriosos.

f) A bondade de Deus revela-se na herança imerecida (v. 22,24,25) – Deus exerceu o seu juízo sobre as nações ímpias que viviam naquela terra e deu essa terra aos filhos de Israel. Eles não conquistaram, eles receberam por herança. Foi graça. Herdamos o céu por herança. É graça!

2. A Ingratidão do Povo

a) Desobediência ostensiva à Palavra de Deus (v. 16) – Diante das bênçãos especiais de Deus descritas em Neemias 9:1-15, o povo reage com soberba, dura cerviz e desobediência ostensiva à Palavra de Deus. Deus lhes havia dado libertação do cativeiro, livramento do inimigo, direção no deserto e Palavra do céu, mas o povo desprezou a Deus e à sua Palavra.

b) Deliberado esquecimento dos milagres de Deus (v. 17) – Eles responderam as milagrosas maravilhas de Deus com total descaso. Eles se esqueceram dos milagres que lhes fizera. A ingratidão fere o coração de Deus. Não reconhecer os milagres de Deus na nossa vida é um grande pecado. “Nada lhes faltou (v. 21), mas nada lhes inspirou gratidão (v. 17).

c) Saudade do passado de escravidão (v. 17) – Eles se cansaram de Deus. Eles ficaram enfadados de Deus. Cansaram de ser um povo santo. Eles se rebelaram e buscaram um líder espúrio para reconduzi-los à terra da servidão. No coração eles voltaram ao Egito. Eles saíram do Egito, mas o Egito não saiu deles. Eles carregam o Egito no coração. Muitos estão na igreja, mas o coração está no mundo. Têm saudade de seus pecados.

d) A apostasia da adoração (v. 18) – Trocaram Deus por um ídolo feito por suas próprias mãos. A idolatria é um pecado que ofende a santidade de Deus. A idolatria despreza a Deus. Ela torna as pessoas obtusas (Sl 115:4-8). Os idólatras não entram no reino de Deus (Ap 21:8). Não podemos colocar ninguém no lugar de Deus. Exemplo: O Papa (usurpa o lugar de Deus Pai, Deus Filho, Deus Espírito Santo).

II. A DISCIPLINA DE DEUS E A INCONSTÂNCIA DO POVO – v. 26-31

1. A Inconstância do Povo

a) Rejeição de Deus, da mensagem e do mensageiro (v. 26)

Quando o homem rejeita a Deus, também rejeita a sua Palavra e quando rejeita a Palavra, rejeita o mensageiro. Eles se revoltaram contra Deus, viraram as costas à lei e mataram os profetas. Isaías foi serrado ao meio. Jeremias foi preso e jogado numa cova.

Hoje muitos rejeitam a Deus e sua mensagem: quando negam a sua veracidade – liberalismo.

Outros rejeitam a Deus e a sua mensagem: quando negam a sua suficiência – misticismo pragmático.

b) Uma volta para Deus superficial e utilitária (v. 27,28)

Eles queriam se livras das consequências de seus pecados e não de seus pecados.

Eles buscavam a Deus não por causa de Deus, mas para serem livres da aflição. Deus era apenas um instrumento para satisfazer a sua vontade e não o prazer e deleite da sua alma.

A volta para Deus era algo raso, superficial, com motivação humanista e antropocêntrica.

Eles só buscavam a Deus na hora do aperto. Mas esqueciam-se de Deus na hora da fartura.

2. A disciplina de Deus

a) Quem não obedece a Palavra, é disciplinado por Deus (v. 27,28,30)

Quem não escuta a voz do amor, experimenta a dor da vara da disciplina. Somos guiados pela Bíblia ou pela chibata. Israel foi entregue nas mãos da Assíria, da Babilônia. Agora, estão sendo dominados pelo Reino Medo-Persa.

Foi Deus quem os entregou. Eles foram derrotados pelos seus pecados e não pela força do adversário.

Até mesmo a disciplina foi um ato do amor responsável de Deus pelo seu povo.

b) Quem se volta para Deus arrependido, sempre é perdoado (v. 27,28,30,31)

Na hora da angústia, quando o povo clamava ao Senhor, ele os ouvia, os perdoava e enviava-lhes um libertador (v. 27).

Deus, pelas suas misericórdias, livrou o povo muitas vezes (v. 28).

Os levitas disseram que Deus é perdoador, clemente e misericordioso, tardio em irar-se e grande em bondade (v. 17).

Deus aturou o seu povo por muitos anos (v. 30).

Deus não acabou com o povo e o preservou por causa da sua misericórdia (v. 31).

III. A JUSTIÇA DE DEUS E O CLAMOR POR MISERICÓRDIA DO POVO – v. 32-37

1. A justiça de Deus – v. 32,33

Eles reconhecem que Deus tem agido sempre com justiça (v. 34). Deus entregou o povo de Israel nas mãos de seus inimigos. Eles foram levados cativos pela Assíria em 722 a.C., e pela Babilônia em 586 a.C. Perderam sua terra, seu templo, suas casas, suas famílias, sua liberdade.

Agora, são escravos em sua própria terra. Eles não agradeceram a Deus pela herança da terra, agora, eles trabalham na terra, mas para dar o melhor àqueles que dominam sobre eles.

O pecado produz escravidão. O pecado nos enfraquece e nos aflige.

2. Um clamor por misericórdia – v. 32-37

a) O reconhecimento tardio de quem é Deus (v. 32-33) – O povo de Israel sabia também que Deus é grande, poderoso, temível, fiel e justo, mas desafiou a Deus, rebelou-se contra ele, tapou os ouvidos à sua lei, matou os seus profetas e no coração desprezou ao Senhor. Eles tinham uma teologia e outra prática. Eles professavam uma fé e viviam em desacordo com essa fé.

b) O reconhecimento que o pecado se estende aos líderes políticos e religiosos (v. 34) – Na verdade, o pecado começa com esses líderes. Nada de ideologia totalitária, nacionalismo doentio ou triunfalismo religioso. Todos eram culpados do pecado da: soberba (v. 16), desobediência (v. 17), idolatria (v. 18), assassinato (v. 26), ingratidão (v.35).

c) O reconhecimento de uma grande ingratidão (v. 35) – Nada lhes faltou (v. 21), exceto a gratidão (v. 35). Deus lhes deu a terra e fartura, mas eles não serviram a Deus nem se converteram de suas más obras (v. 35). Agora, estão nessa mesma terra como escravos, debaixo de grande angústia (v. 37). Sempre que o povo recebia as bênçãos de Deus seu coração se apartava de Deus. Substituia Deus pelas suas bênçãos.

d) O reconhecimento de uma servidão assoladora (v. 36-37) – O pecado trouxe escravidão.

A escravidão alcançou:

1) A terra;

2) Seus corpos;

3) Seus bens;

4) O fruto de seu trabalho.

e) O reconhecimento acerca da necessidade de um profundo clamor (v. 32,33,34,37b) –

1) “Não menosprezes toda a aflição que nos sobreveio” (v. 32);

2) “Pois tu fielmente procedeste, e nós, perversamente” (v. 33);

3) “Os nossos reis [...] não guardaram a tua lei [...] (v. 34)”;

4) “Estamos em grande angústia” (v. 37). Só a volta a terra não basta, se continuarmos oprimidos.

CONCLUSÃO

Algumas lições práticas:

1. O conhecimento das Escrituras provocou o arrependimento – (baseado nos padrões da lei).

2. O conhecimento das Escrituras provocou uma nova esperança – (baseado nas promessas da lei). Daniel Webster comentou: “Se vivermos segundo os princípios ensinados na Bíblia, nosso país continuará a prosperar, mas se nós e nossa posteridade negligenciarmos sua instrução e autoridade, nenhum homem poderá dizer quão repentinamente pode uma catástrofe vencer-nos e enterrar nossa glória na obscuridade profunda”.

3. O conhecimento das Escrituras provocou um claro entendimento da ação de Deus na história – Deus está ativo na história do seu povo e na história das nações pagãs. Os reis da terra são apenas instrumentos em suas mãos para cumprir o seu propósito na vida do seu povo.


AUTOR: Rev. Hernandes Dias Lopes




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