quarta-feira, 4 de julho de 2012

O Evangelho de Lucas 

 Lucas 10: 21-24 


-  Normalmente estudamos o que o Evangelho nos diz, edificando-nos com suas mensagens. 


-  Neste texto, vamos além: iremos ver como é a estrutura do livro e vamos conhecer também seu autor. 


- Ao afirmar que “Lucas escreveu”, não estamos nos esquecendo de que sua obra só foi possível por causa da inspiração do Espírito Santo do Senhor. 


-  Lucas é o autor do terceiro Evangelho e do livro de Atos, At. 1:1-5. 


- Os dois livros mostram uma similaridade de estilo. O escritor foi um companheiro de viagem de Paulo, At. 16: 10-17. 


-  E os dois documentos são dirigidos à mesma pessoa: Teófilo. 


- O evangelho de Lucas foi escrito por volta do ano 60 d.C. 


 I - QUEM FOI LUCAS 


-  Homem crente, cheio do Espírito do Senhor, com ampla visão da necessidade da obra, Lucas empregou seus dons ligados à palavra escrita para proclamar o que sabia a respeito de Jesus Cristo. 


Ele fora evangelista, pastor e chamado de “médico amado”: 


 1) O médico amado - Esse é o tratamento afetivo que lhe dispensa Paulo em Cl. 4:14. 
- Seus pais eram de origem grega. 
- Lucas não fora discípulo de Jesus, em seu ministério. Provavelmente converteu-se com a pregação de Paulo. Por ter amplo vocabulário e dom da comunicação, ao escrever o terceiro Evangelho e Atos, Lucas oferece-nos maior quantidade de informações históricas do que qualquer outro autor do Novo Testamento. 


 2) Evangelista e pastor - Lucas foi companheiro nas viagens missionárias do apóstolo Paulo, permanecendo com ele até sua morte, Cl. 4:14; 2Tm. 4:11 e Fm. 24. Lucas ficou em Filipos, na segunda viagem missionária de Paulo, a fim de ajudar a estabilizar a nova igreja ali, At. 16: 40; 17: 1. 


 II - ASPECTOS BÁSICOS DO LIVRO 


 a) A chave do livro de Lucas - O autor diz, na introdução, 1: 1-4, que muitos contemporâneos haviam empreendido a mesma tarefa, o que nos leva a concluir que: havia, ao tempo do escritor, várias obras que continham relatos de partes da vida e obra de Jesus; os autores dessas narrações tinham tentado um arranjo sistemático das fontes disponíveis, 1: 1; estes fatos eram bem conhecidos no mundo cristão; o autor sentia-se tão bem informado e capaz como os outros para escrever sua própria narrativa; dirigia sua obra a uma pessoa de alta categoria, a quem trata de “excelentíssimo”. 


- Teófilo provavelmente havia sido informado oralmente a respeito de Cristo, mas precisava de mais conhecimentos que o firmassem e o convencessem da verdade. 


 b) Parábolas. Das 35 parábolas registradas no NT, 19 são encontradas no Evangelho de Lucas, entre elas: 
- a da figueira estéril, 13; 
- a da grande ceia, da dracma perdida, 15; 
- do administrador infiel, 16; 
- do fariseu e do publicano, 18. 


 c) A linguagem - O Evangelho de Lucas é o mais literário de todos. 


Contém no início quatro belos hinos: 
-  o cântico de Maria, 1:46-55, quando foi visitar Isabel; 
-  o cântico de Zacarias, uma palavra profética do pai de João Batista, 1:67-79; 
-  o cântico dos anjos, 2:14, quando Jesus nasceu e 
- o cântico de Simeão, em 2:28-32, ao tomar o menino Jesus nos braços. 


 d) A paixão do Salvador, 18: 31-23: 56 - É interessante observar como Lucas, ao relatar os dias finais de Jesus, dá um toque característico de linguagem à última ceia, ao aviso de Jesus a Pedro, ao episódio de suor com sangue, à disposição dos acontecimentos em casa de Caifás, ao comparecimento de Jesus perante Herodes, ao discurso de Jesus às mulheres de Jerusalém, 23:27-31, ao ladrão arrependido, sem alterar a sua marcha nem o seu significado. As simpatias e os sofrimentos humanos foram postos em relevo por Lucas, ao mostrar como o Filho do Homem sofria na cruz em obediência ao Pai. 


 e) Ao relatar a ressurreição do Salvador, 24:1-53, Lucas o faz de uma forma nova e diferente. A realidade é a mesma dos demais evangelhos, porém a forma como relata a aparição do Cristo ressurreto aos discípulos no caminho de Emaús elimina qualquer dúvida que, porventura, o leitor possa ter quanto ao fato. 
- A inesperada e convencedora manifestação da presença viva de Jesus, sua interpretação das Escrituras e a convicção espiritual que se apossou deles, quando Ele lhes falava, constituía evidência incontestável de que alguma coisa de novo havia acontecido na terra. 


 III - ENSINOS QUE SE DESTACAM NESTE EVANGELHO 


-  O propósito de Lucas ao escrever para os gregos era o de alcançar a maioria dos convertidos através da pregação de Paulo, At. 11:20-21. As pessoas educadas nessa cultura costumavam glorificar a sabedoria, a beleza e o homem ideal. 


Quando o evangelho começou a circular, puderam conhecer mais claramente a mensagem universal de Jesus, que assim pode ser resumida: 


 a) Oferta universal de salvação - Jesus é o perfeito Deus-Homem que oferece a salvação a todas as nações, Lc. 2: 29-32. 


- É uma oferta universal, pois para Ele não há judeu, nem gentio, nem grego, nem bárbaro, nem escravo, nem livre. 


- Sua obra é uma interpretação viva e completa daquele que tem poder para redimir o homem em qualquer lugar e em qualquer tempo. 


 b) Redentor e salvador - Lucas descreve Cristo como redentor de todos os que crêem, oferecendo perdão e salvação independentemente do privilégio de uma raça particular ou nação, a saber: 
- aos samaritanos, 9: 51-56; 10: 30-37; 
- aos pagãos, 2: 32; 3: 6; 4: 25-27; 
- aos judeus, 1: 33; 2: 10; 
- aos publicanos, pecadores e desterrados, 3: 12; 5: 27-32; 7: 37-50; 
- ao povo de modo geral, 7: 36; 11: 37; 14: 1; 
- aos pobres, 1: 53; 2: 7; 6: 20; 7: 22; 
- aos ricos, 19: 2; 23: 50; a mulheres e a homens. 


 c) A doutrina do Espírito Santo - Lucas dá especial atenção à doutrina do Espírito Santo, mais que Mateus e Marcos juntos. 


- Ele nos informa que todos os principais personagens do Evangelho tinham o poder do Espírito Santo para a obra: 
- João Batista, 1: 15; 
- Maria, 1: 35; 
- Isabel 1: 41; Zacarias, 1: 67; 
- Simeão, 2: 25, 26, 
- e o próprio Jesus 4: 1. 




 Fonte: Revista de Estudos Bíblicos Aleluia






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