quinta-feira, 22 de dezembro de 2011



Até quando
vos sofrerei?

– Mt 17.14.21

- “Até quando vos sofrerei”? (Mt 17.17)




- Jesus pergunta aos discípulos após eles não conseguirem expulsar um demônio durante Sua ausência.

- Os três evangelistas sinóticos registram o mesmo termo: anšxomai, que significa “suportar”, “sofrer com constância”; o tempo e a voz são futuro médio, significando que o próprio Jesus, estava envolvido, ou seja, a causa do sofrimento de Jesus era a (in)ação dos discípulos. (Mt 17.17, Mc 9.19, Lc 9.41)

- Este grito de sofrimento não é o primeiro grito sofredor de Deus. Em Isaías 1.14 Deus diz que está cansado de sofrer vendo aquele cerimonialismo hipócrita dos israelitas injustos. Mas em outra ocasião anterior, Deus já falara de Seu sofrimento (Nm 14.27).

- Nos soa estranho falar de “Deus sofrer” por causa do pensamento filosófico da “impassibilidade divina”.

- Aristóteles afirmava que para Deus ser perfeito, não pode sentir (theós apathés), pois sofrimento é mutável e para Ele ser Deus, não pode mudar. Através da percepção reformada sobre o amor de Deus, entendeu-se que o sofrimento de Deus não é oriundo de uma carência, mas pela auto-determinação de participar da nossa vida.

- Mas qual era a natureza do sofrimento de Jesus neste momento? Há gritos de Jesus que são difíceis de determinar sua natureza, mas vejamos no texto, o que ele nos explica.

- O encontro de Jesus com o menino ocorre após sua descida do monte (Tabor ou Hermon) da transfiguração com Pedro, Tiago e João (Mt 17.9, 14).

- Nove de seus discípulos não subiram e se depararam com uma situação sine qua non. Quando Jesus está chegando à eles, um homem corre para Jesus (17.14) e pede que Ele se compadeça de seu filho que é lunático (17.15).

- Mateus usa o termo selhni£zetai, “lunático”, que, para alguns intérpretes, refletia a crença de demônios que agem influenciados pela lua; Marcos fala que é um pneàma ¢l£lon, ou seja, “espírito mudo”, “espírito que não fala” (Mc 9.17), Lucas diz que é um pneum£ti të akaq£rtw, “espírito imundo” (Lc 9.42) que espuma e joga o menino no chão. Os discípulos não puderam cura-lo. Esta é a fala do pai daquela família (17.16)

S.I.: De que maneira os discípulos causaram o sofrimento de Jesus? Sua incredulidade contribuiu para isso? Podemos fazer algo para que, ao invés de Seu sofrimento, causemos Sua alegria?

A.T.: A vida e procedimento do discípulo devem ser causas de alegria para o Mestre.

S.T.: Mas para não causarmos a Deus sofrimento, observemos as causas deste sofrimento divino via discípulos para não incorrermos nas mesmas falácias

I. O sofrimento de Jesus era um sofrimento causado pela percepção que o mundo tem dos discípulos quando os discípulos não resolvem um problema da sua alçada – 17.16

- Os discípulos não puderam aliviar o sofrimento do homem e de seu filho. A sociedade percebeu. Mas a resposta de discípulos não deve ser simplesmente para que a sociedade não os condene, mas a não condenação de sociedade deve ser a conseqüência da vida do discípulo estar condizendo com a vida do Mestre.

- O empresário contrata os serviços do cristão esperando a entrega na data certa com nota fiscal; o professor espera que o cristão não cole; o pai espera que o filho cristão o honre, respeite, estude e trabalhe muito.

- O que a sociedade espera de nós nem sempre é o que Deus quer; devemos dar o que Deus separou para este tempo.

- O cristão não é um subserviente dos caprichos mefistofélicos da sociedade, mas um agente de benfeitorias divinas que busca o bem de sua comunidade.

- Luther King Júnior expressa esta realidade ao fazer suas manifestações pacifistas enquanto outros queriam beligerância.

- Paulo diz “a criatura aguarda”, apokaradok…a, literalmente, “esperar impacientemente estendendo o pescoço para olhar” (Rm 8.19).

- O mundo aguarda que você diga algo que vale a pena ser dito, algo que vale a pena “esticar o pescoço para olhar”.

- Nossos encontros devem nos fazer mais sábios e inteligentes em Deus (Dt 4.6). O mundo olha esperando que venha algo de nós (Lc 4.20).

- Não fomos chamados para dar o que o mundo quer, mas o que ele precisa: um referencial de paz, de nova vida, de existe uma possibilidade de mudança, de que há esperança.

- A vida do cristão deve ser um referencial vivo de que ainda há esperança, de que já luz no fim do túnel.

- O Pós-modernismo trouxe consigo a destruição do referencial científico de verdade. A verdade científica hoje é provisória.

- O cristão tem o referencial absoluto de verdade que o mundo deseja (Dostoievsky), mas apenas quando a verdade for escrita no livro chamado vida o mundo parará para ler (Jo 10.41). Isto se expressa nos livros, negócios, etc.

II. O sofrimento de Jesus era um sofrimento causado pela necessidade dos discípulos verem para confiarem – “Até quando estarei convosco”? – 17.17b

- Jesus descera do monte e durante o momento em que os nove estavam sozinhos, apresentou-se-lhes um desafio que não puderam resolver. Era o último ano de ministério de Jesus e os discípulos ainda não conseguiam estagiar sozinhos. Eles ainda não tinham a percepção da onipresença de Jesus, que não se restringia ao seu corpo físico terreno.

- Ver para confiar é um dos venenos do jardim do amor. O amor nos conduz a atitudes de fé e confiança, seja ele a Deus ou ao próximo.

- As marcas que nos são impingidas na vida não podem nos agrilhoar na prisão da desconfiança.

- A negligência de muitos não deve invalidar o compromisso de outros. A insensatez e descompromisso da maioria não podem dinamitar a minha fé e meu amor.

- A incredulidade exagerada causa generalização, melindre, isolamento, ódio e desamor. Mas o amor se dispõe a tentar uma vez mais. O amor se dispõe a correr riscos.

- As marcas não podem encontrar espaço nos porões do coração, mas devem ser lançadas no rio do esquecimento que nasce na fonte da graça de Deus.

- Por isso ouvimos ser difícil chegar ao final da vida com amigos e fé, pois para ter os dois é necessário um ciclo de amor, riscos e experiências.

- Às vezes vemos alguém feliz e sorridente, cheio de pessoas ao redor e achamos que ele não tem problemas ou não teve dissabores fraternos. Não é assim. Mas é que ele preferiu tentar de novo. Tente de novo crer. Tente de novo confiar. Tente de novo acreditar. E se der errado, tente de novo.

- Depois de três anos ensinando, os discípulos ainda agiam como neófitos. Jesus tentou de novo. O abandonaram. Jesus tentou de novo. Viram-no ser crucificado. Ele tentou de novo e eles cumpriram sua missão ao mundo.

- O derramamento do amor de Deus no coração do cristão (Rm 5.8) flui em harmonia com o discernimento que é fruto da maturidade (Hb 5.14).

- Jesus repreendeu o demônio, o menino foi curado (17.18) e então os discípulos se aproximaram dele, para saber o porquê de não terem podido expulsa-lo (17.19).

III. O sofrimento de Jesus era um sofrimento causado pela pequenez da fé dos discípulos apesar do tanto que eles ouviram – 17.20

- Quando Jesus responde aos discípulos que se houver fé como um grão de mostarda, falaremos ao monte e ele se transportará, Seu objetivo é contrapor algo pequeno com o grande.

- Uma pequena fé é capaz de fazer grandes coisas, ou seja, Jesus não está pedindo uma fé sobrenatural, mas apenas uma pequena capacidade de crer, acreditar e confiar.

- A fé não é irresponsável. A fé não é ilógica. A fé não é irracional, mas é supra-lógica. Ela passa pela lógica, mas a transcende.

- A genuína fé é responsável, pura e simples. A fé não pede prova, ela as dá. Força de vontade é diferente de fé.

- Há pastores perseverantes. Perseverança não é fé. A fé é a certeza espiritual inexplicável não meramente empírica.

- A fé é a sapata do memorial espiritual (Js 4.21-22). Homens de fé fazem sanduíche de gigantes como aperitivo para tomar o leite e mel que o aguardam em Canaã.

- A palavra é liberada a todos, mas age na vida daqueles que crêem.

- Quantas palavras tremendas você recebeu, mas não aplicou pela fé. Estacionou. Mergulhe nEle pela fé.

- Moisés Malafaia profetizou sem saber, mas pelo mergulho em Deus pela fé, sua canção até hoje nos abençoa. Eu sei que você tem seus porquês, mas está na hora de mergulhar na fé

Conclusão:

- O viver do cristão não deve ser causa do sofrimento de Deus. Inevitavelmente se Deus sofre é porque não estamos, de alguma forma, no centro do Seu querer.

- Temos que ser bênção para o mundo.
- Temos que nos desenclausuramos da desconfiança exacerbada; temos que cultivar a fé para ir além;

Para causarmos a alegria de Jesus precisamos:

- Andarmos de maneira digna da vocação a qual fomos chamados para não dar ocasião ao mundo;

- Desenclausurar-mo-nos da desconfiança exacerbada abrindo-nos para o novo;

- Vivermos pela fé no que cantamos, lemos e ouvimos.

- A vida do cristão deve ser um motivo de alegria para Jesus.

- Há 2700 anos atrás, Isaías profetizou que Ele veria o trabalho de Suas mãos e ficaria satisfeito (Is 53.11).

- Faça a morte de Jesus valer a pena. Todas as outras coisas, neste caminho, nos serão acrescentadas.

SOLI DEO GLORIA

AUTOR: Pr. Henrique Araujo




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QUEM É ESTE?

MATEUS 16.13-16




- Por que Jesus pergunta aos discípulos quem o povo achava que Ele era, se Ele já sabia a resposta por ser onisciente? (16.13).
- Seria receio de estar com crise de popularidade ou alguma síndrome de matemático fissurado por estatísticas? Evidentemente não.

- Sua pergunta era uma etapa do seu processo de ensino construtivista, assim como a maiêutica socrática era um modo de “parir” ideias.

- Vão sendo descartadas opiniões falaciosas (16.14) para um encaminhamento rumo à verdade.

- João Batista era uma possibilidade, por ter morrido recentemente e o terem em conta de profeta;

- Elias fez sinais e prodígios e foi arrebatado e, assim como Jeremias (que, em seu livro, é apresentado como sendo forçado a ir para o Egito e não se declara sobre sua morte), seu final de vida é enigmático. Apesar de Jesus apresentar traço em comum com estes, não é nenhum deles.

- Continuando a construir o conhecimento, Jesus questiona, agora, sobre a perspectiva dos discípulos (16.15): Quem era o Filho do Homem para eles? Pedro, espontaneamente impelido pelo Espírito, declara que Jesus é o Cristo, o Filho do Deus vivo (SÝ e‹ Ð CristÕj Ð uƒÕj toà Qeoà toà zîntoj- 16.16).

- Houve um espanto completo entre os discípulos, talvez não pela própria exclamação, mas pelo fato de alguém ter coragem de falar aquilo que todos no grupo já percebiam.

- Pedro afirma: Tu és o Cristo, ou seja, és o Messias prometido que aguardávamos. Apesar de Pedro entender a messianidade de Jesus, qual era a amplitude da natureza messiânica não era claro ao entendimento de Pedro. Assim como os discípulos, até a Ascensão (At 1.6), ele entendia Seu messianado como algo político. Pedro entendia que Jesus era o Messias, mas ainda não captara plenamente que este Messias era o próprio Deus encarnado.

- Jesus credita a possibilidade da asserção à iniciativa da revelação Divina (Mt 11.27). Se Pedro entende que Jesus é o Messias, é porque Deus resolveu revelá-lo intra-historicamente e também abriu os olhos de Pedro. Ao mesmo tempo em que a fé é consumada no Messias, Ele mesmo é o Autor desta fé (Hb 12.2). A semente da fé é plantada por Deus a partir de Sua Presciência sinérgica.

- Pedro, você disse que eu sou Jesus e, assim como você disse que eu sou, eu digo a você quem você é: você é Pedro (16.18), uma rocha, um indivíduo transformado. Sobre esta rocha, o Cristo da revelação, edificarei minha igreja.

- As portas do Hades (¯dou), do submundo da morte, não prevalecerão sobre a minha igreja. Possuidora da vida eterna em Cristo, o povo eleito está livre da morte eterna, que morrerá no lago de fogo eterno (Ap 20.14). Na morte de Cristo a morte da morte foi pré-anunciada. Já está decretada, mas ainda não consumada, o que o será no final dos tempos.

- Como um dos representantes da igreja, como todo e qualquer sacerdote (fato que o próprio Pedro explica adiante, 1Pe 2.5), as “chaves do reino dos céus” são dadas à igreja, representada por Pedro (16.19). Através da concordância na caminhada de comunhão (Mt 18.18-19) promovida pelo vínculo da paz, oriundo do Espírito (Ef 4.3), a igreja, ligada, pode “ligar e desligar” entre terra e céu. Não é um exercício de abuso de autoridade por seu bel-prazer, mas a construção do particípio perfeito perifrástico grego (kaˆ Ö ™¦n d»shj ™pˆ tÁj gÁj œstai dedemšnon ™n to‹j oÙrano‹j) indica: “e o que tiver sido ligado no céu, terá sido ligado na terra”, ou seja, a lição do texto não é uma manipulação egoística da igreja, mas a igreja, em unidade, permitindo a ação do Espírito, ser reveladora de Sua vontade, efetuando ações na terra como concretização da eterna vontade do Pai no céu (em consonância com a oração ensinada pelo Mestre: “Seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu”, Mt 6.10).

I. Por que Jesus mandou aos Seus discípulos que a ninguém dissessem que Ele era o Cristo (Mt 16.20)?

- Porque era necessário que as Escrituras, primeiro, se cumprissem (Mt 26.54; Lc 18.31, 21.22, 22.16, 22.37, 24.44; Jo 19.28).

- Havia diversas profecias sobre o ministério, em terra, do Messias, e estas precisavam ser cumpridas para autenticar a comprobatoriedade de que Jesus era o Messias.

- Os discípulos deveriam aguardar, pois, segundo o próprio Jesus: “vos digo que importa que em mim se cumpra aquilo que está escrito” (Lc 22.37).

- À luz do texto supracitado, a questão temática “Quem é este?” encontra uma resposta clara na asserção petrina: “É o Cristo, o Filho do Deus Vivo” (afirmação teológica). Assim sendo, por Jesus ser o Cristo, algumas benesses que o cristão pode ter, à luz do texto explicado:

II. Por Jesus ser o Cristo, eu posso ter um referencial de verdade absoluta em um tempo relativista.

- No tempo dos discípulos já havia diversas opiniões vigentes (Mt 16.13-16).
- Segundo Stott, este tempo é um tempo de batalhas de ideias. Em um tempo relativista, ter um referencial absoluto de verdade me faz viver com segurança na alma em meio a um pluralismo religioso exacerbado.

III. Por Jesus ser o Cristo, eu posso ter uma vida equilibrada através da formação da mente de Cristo em mim.

- Os discípulos não agiriam a seu bel-prazer dali por diante. Sintonizados com a vontade de Deus exerceriam sua ação como igreja (Mt 16.19).

- Ter a mente de Cristo é poder chegar à raiz de toda a verdade a partir da formatação de nosso entendimento pelos princípios da Palavra.

- A Escritura orienta ao equilíbrio (Pv 30.7-9; Mt 22.29, 23.23; 1Co 14.15; Ec 7.16). Principalmente na encarnação (Jo 1.14).

IV. Por Jesus ser o Cristo, eu posso obedecer pela fé sabendo que o que Ele diz, sempre é o melhor para mim.

- Ele manda aos discípulos, eles deveriam obedecer (Mt 16.20). Ele diz: “Quem tem sede, venha a mim e beba” (Jo 7.37-38).

- Devemos nos saciar dEle e nEle. Todo homem é tão santo quanto deseja ser (A.W.Tozer).

- Ele declara o Sermão da Montanha. É o melhor para nós (Mt 5-7). Devemos cumpri-lo.

A conclusão é que, à luz do texto lido, Jesus é o Cristo, o Filho do Deus Vivo.

- Muitas benesses podem advir a mim por segui-lo, mas o melhor de Deus não está por vir; já veio: Jesus.

- A partir dEle, posso usufruir destas benesses. Mas há um pressuposto básico: a fé (Hb 4.2). A palavra é de Deus. Crer e praticá-la é com você.


AUTOR: Pr. Henrique Araujo






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