quarta-feira, 7 de dezembro de 2011



OLHE COM
MISERICÓRDIA

– Obadias 12-13




- Misericórdia é artigo raro e precioso na história da humanidade.

- Misericórdia é o sentimento de que a situação que advém sobre alguém é demasiadamente pesada para ele. É fruto do amor. Quando o amor é asfixiado a tendência é o prevalecimento da crueldade, que é o antônimo da misericórdia. O cristão é misericordioso por natureza.

- Na televisão multiplicam-se os exemplos de falta de misericórdia: o juiz americano que é afastado porque condenava maltratadores de criancinhas e ele mesmo espancava sua filha, repetidas vezes, com cinto; as empregadas curadoras que espancam idosos quando não tem ninguém os vendo; grupos de jovens que queimam mendigos na rua; traficantes que cortam os dedos e atiram nas mãos dos menores que roubam algo que não foi do seu agrado, etc. Propagadora e exploradora de desgraças, a mídia afirma apenas mostrar o mundo. Mentira.

- É uma retroalimentação: a sociedade está doente, a mídia explora, expõe, enfatiza e adoece mais ainda a sociedade. Basta ir para as cidades interioranas com pouco mídia e ver como as crianças obedecem bem mais aos pais.

- Frases como: “Tem que morrer mesmo”; “Bem-feito”; “Tem que apodrecer na cadeia”, são frases que expressam bem o sentimento de crueldade que perpassa em uma sociedade endurecida, adoecida e empobrecida. São frases que nunca vimos nos lábios de Jesus. Não cabem bem nos lábios de um cristão.

- Voltando-se para o livro de Obadias, observa-se, neste livro, a condenação da falta de misericórdia.

- O nome Obadias significa
“Servo de Jah” com sua profecia organizada em 21 versículos. Uma tradição talmúdica, conhecida por Jerônimo, identifica o autor com um mordomo de Acabe (1Rs 18.3-16), mas não há base para tal afirmação.

- Obadias sintetiza a história da relação entre Edom e Israel apontando para o Dia do Senhor. É o livro mais curto do Antigo Testamento e não se pode precisar sua data com certeza.

- A profecia de Obadias se dirige contra Edom, inimigo histórico de Israel (1). Edom, descendente de Esaú (Gn 25.30), em constante guerra com Israel. Atingiu seu ápice de repulsa quando após a invasão babilônica aproveitou-se para saquear fazendas e o mais que restara de Israel.

- Edom era pequeno (2), mas soberbo (3), por isso será derrubado (4-9). Na época de Obadias, a invasão dos edomitas pelos árabes já havia começado, mas apenas no século V a.C. que a capital caiu em suas mãos (7). Doutra feita, o mesmo Nabucodonozor que invadiu Jerusalém, tomou Edom em 581 a.C. Temã (9) era nome de um descendente de Esaú (Gn 36.11) que também era usado para a nação. Deus faz um paralelo do relacionamento de Jacó e Esaú com o de Israel e Edom.

- Deus condena o saque feito por Edom no dia em que Israel caiu (11-14). Edom se alegrara com a destruição de Jerusalém (12), o que não deveria ter sido feito (13-14).

- Obadias recorre ao dia do Senhor (15, yôm yehõwâh). É o dia do julgamento. Todos os “dias do Senhor” são prenúncio do grande julgamento final (Sf 1.7). Deus julgará Edom e restaurará Israel (15-19).

- Há uma profecia messiânica tratando do livramento que traria Jesus em sua entrada em Sião (17). As fronteiras norte (campos de Efraim), sul (monte de Esaú), leste (Gileade) e oeste (Filístia) serão restauradas à Israel (19). “Salvadores” era uma palavra aplicada aos servos do Messias, pelos judeus (21). Após os julgamentos, no julgamento final o reino será consumado. Em Cristo, os crentes julgarão as nações.

- Nos versos 12 e 13, Deus condena o regozijo de Edom pela derrota de Judá diante do cativeiro ao qual seria levada. Inimigo histórico de Israel, Edom estava feliz e, até mesmo aproveitara-se para matar os restantes de Israel. Deus condena esta atitude e diz que, futuramente, Edom sofrerá o mesmo castigo.

Edom deveria ter olhado para Israel com misericórdia e nós também de vemos olhar.

I. Olhe com misericórdia, porque a maneira como você olha evidencia o coração que você tem.

- Deus diz a Edom que ele tem um coração soberbo (3). Achava que Israel merecia o que estava passando e que ele mesmo (Edom), nunca seria derribado.

- Deus diz em Oséias que quer misericórdia e não sacrifícios (Os 6.6). O sacrifício é vazio sem o exercício da misericórdia, pois pode ser feito apenas ritualisticamente.

- A misericórdia é a evidência de que o sacrifício atingiu o centro do coração do ofertante, pois ele evidenciou o amor ao próximo. A maior prova de amor foi a misericórdia que conduziu ao sacrifício da própria vida de Cristo. Por isso os sacrifícios nos dias de Oséias são condenados. Eram dissociados da vida.

- Na parte final do livro, Oséias declara que serão oferecidos a Deus como bezerros os sacrifícios dos lábios (Os 14.2). Por que? Pois o sacrifícios dos lábios são sacrifícios de louvor (Hb 13.15), fruto dos lábios que confessam Seu nome. O louvor é fruto de uma vida na presença de Deus que reconhece os benefícios que Ele lhe tem dado e retribui-O em agradecimento.

- A falta de misericórdia é evidência da altivez e soberba. Seja mais simples e lembre-se: Deus resiste ao soberbo (Tg 4.6). Muitas vezes parece que tudo está retido na vida pois você tem sido achado lutando contra Deus por sua soberba expressa na falta de misericórdia.

II. Olhe com misericórdia, porque a forma como você olha seu próximo evidencia o quanto você conhece Deus na prática.

- Deus diz: “Em Edom não há entendimento” (7). Edom não servia Deus. Esaú, seu fundador e antepassado conheceu Deus, porém suas gerações que lhe sucederam, não. João diz que se andamos na luz não devemos aborrecer nosso irmão (1Jo 2.9).

- A misericórdia caminha junto com o discernimento e a justiça de Deus.

- Ser misericordioso não é ser complacente, mas é não querer que aquela carga insuportável esteja sobre aquele indivíduo. Entretanto, há coisas que são fruto do pecado.

- Não podemos confundir misericórdia com sentimentalismo exacerbado, como o povo brasileiro costuma fazer tanto.

- As misericórdias não têm fim (Lm 3.22-23). Estão lá. Elas não acabem, mas elas cessam. Ainda estão lá, mas podem deixar de ser derramadas pelo pecado que faz separação entre nós e Deus (Is 59.1-2).

- Deus avisou Israel para deixar a idolatria, repetidas vezes, por diversos profetas. Israel insistiu na idolatria. As misericórdias pararam, pois o pecado de Israel o separou de Deus: Israel foi em cativeiro.

- Precisamos entender que o sentimento da misericórdia não está dissociado da justiça divina. Quem nos ajudará será o discernimento. Era a forma como Jesus Se relacionava com os fariseus.

III. Olhe com misericórdia, porque olhando com misericórdia você expulsa o vírus da violência.Edom fez violência a Jacó (10).

- Quando Judá fugia, Edom se aproveitou e matou alguns (14).

- A violência concretiza-se por causa da fuga da misericórdia. É o que Deus disse a Caim: “O pecado jaz à porta, e para ti serás o seu desejo, e sobre ele dominarás” (Gn 4.7. O pecado nos espreita, mas precisamos vencê-lo pela misericórdia. Só venceremos e mortificaremos o pecado da carne se andarmos em Espírito (Gl 5.16-22).

- Como vou alimentar a carne para ter misericórdia: lendo a palavra, meditando, orando e andando com pessoas misericordiosas.

IV. Olhe com misericórdia porque você também pode precisar da misericórdia do seu irmão. É a ênfase que Deus dá no texto, ensinando Edom (15).

- Edom deveria ter exercido a misericórdia, pois ele também precisará da misericórdia de Judá futuramente.

- Os irmão de José não tiveram misericórdia dele, mas depois precisaram da misericórdia de José. José colheu os frutos de seu coração misericordioso, ajudando pessoas benevolamente sendo colocado como grande no Egito.

- Colhemos o fruto da semente na natureza da semente que plantamos. Se colhemos misericórdia, plantaremos misericórdia no futuro. Se colhemos crueldade, assim colheremos.

Concluímos com Tiago:

- Olhe com misericórdia, pois o juízo será sem misericórdia para com os que não tiveram misericórdia (Tg 2.13) e como Mateus: “Bem-aventurados os misericordiosos, pois eles alcançarão misericórdia” (Mt 5.7).

AUTOR: Pr. Henrique Araujo






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É tempo de
Avivamento

“Eu, porém, faço a minha oração a ti, ó Senhor, em tempo oportuno: ó Deus, ouve-me segundo a grandeza da tua misericórdia, segundo a verdade da tua salvação” – Sl 69.13




- Escrito por Davi, o Salmo 69 é conhecido como um “salmo messiânico” por apresentar diversos textos que dizem respeito à vida e obra do Messias.


- Dois textos são muito claros: “o zelo da tua casa me devorou” (Sl 69.9; Jo 2.17); “deram-me fel por mantimento, e na minha sede me deram a beber vinagre (Sl 69.21; Mt 27.48); outros são alusivos.

- Davi roga o socorro de seus inimigos, pedindo o livramento de Deus (Sl 69.1). Sentindo-se cansado (Sl 69.2-3) e sendo atrozmente perseguido (Sl 69.4).

- Davi apela a Deus (Sl 69.5), porque por sua postura de aguardar no Senhor, mesmo sendo afrontado, aqueles que temem a Deus estavam ficando confundidos com a aparente vitória dos inimigos de Davi (Sl 69.6). Toda esta situação era angustiante a Davi (Sl 69.10-12), que suportava as afrontas (Sl 69.7, 9), ficando tão desfigurado e oprimido que até seus familiares e imediatos percebiam (Sl 69.8). Contrariamente a atitude de dúvida de seus circunvizinhos sobre a obra de Deus (Sl 69.6) e a despeito dos que dele zombavam (Sl 69.12), Davi mergulhou em Deus, buscando nEle socorro e livramento.

- O período de vida de Davi, social e pessoalmente, era tempo de confusão (Sl 69.7).

- Similarmente, nos dias atuais, impera a confusão. A ditadura homossexual tenta se instaurar no Brasil e Ocidente.

- Megaoperações especializadas são realizadas para prender bandidos de alta periculosidade que aguardam pacientemente saírem brevemente pelas portas da frente das cadeias ao receberem o indulto de Natal.

- A viúva do milionário da megasena, após anos de liberdade, é convocada à audiência e, se presa, ainda poderá não ser presa.

- O serviço público foi à falência: Detran, Universidades, Hospitais, dentre tantas outras instituições públicas apresentam um atendimento sofrível como se você fosse um animal suplicando por um favor de seu dono. Tendo a lei a seu favor, amordaçam o cidadão-animal com a lei de que reclamar é crime. Tudo isto gera um estado de estafa no ser humano pela multiplicação de situações estressantes em um mesmo dia, semana, mês e ano. A confusão impera.

- Mais do que nunca, em um período tão confuso quando o contemporâneo, é tempo de avivamento.

- Segundo Martin Loyyd-Jones, “avivamento não é o descobrimento de novas verdades, mas o retorno a verdades antigas”.

- Quando observa-se a atitude de Davi (Sl 69.13) em um tempo tão confuso quanto o seu, podemos ver esta verdade concretizada em suas ações. Assim, para sair de um tempo confuso e concretizar o tempo de avivamento, é necessário agir inovadoramente (lembrando que não é a “invenção” ou “descoberta” de novas verdades, mas o retorno a verdades antigas, ou seja, coisas que já fizemos ou fazíamos e deixamos de fazer, mas precisamos retornar a fazer).

I. Aja inovadoramente dedicando-se mais intensamente à oração (“Eu, porém, faço a minha oração a Ti”).

- A oração dinamiza a vida espiritual.
- A oração nos torna mais íntimos de Deus.

- Um dos segredos da Reforma Protestante foi a vida de oração dos reformadores.
Questionado sobre as atividades do dia seguinte, Lutero respondeu: “Trabalho, trabalho e trabalho. Tenho tanto trabalho para realizar amanhã que preciso, ao menos, passar duas horas orando antes”.

- Hernandez Dias Lopes nos lembra que hoje “temos gigantes no púlpito, mas pigmeus na oração”.

- Russel Shedd ensina que “Assim como crianças gostam de brincar e jovens gostam de jogar bola, avivados gostam de orar”.

- Davi foi homem de oração. O rei, que tinha tantas atividades, era um homem que orava.

II. Aja inovadoramente dependendo da soberania de Deus (“Ó Deus, ouve-me, segundo a grandeza da tua misericórdia”).

- Deus é Senhor. O avivamento depende dEle. Precisamos deixar Deus tomar a dianteira. Evidentemente, isto pressupõe que, a nossa parte, devemos fazer. Porém precisamos ser menos dependentes de nós mesmos. Achamos que uma programação não dará certo sem nossa presença.

- Supomos que somos os melhores naquilo que fazemos. Erigimos barreiras em nome de Deus quando agimos prepotentemente realizando uma seqüência de atividades sem dEle depender.

- Depender dEle não é orar antes, meramente, pedindo, apenas, que Ele abençoe.
- Depender dEle é deixar com que minha mente seja embuída e repleta do entendimento de que, em todos os momentos devo refletir se o que faço é do Seu agrado, O glorificará e abençoará vidas.

- Agir diferentemente disto é supor que nossas ideias ou nossas forças poderão fazer algo. Deus resiste ao soberbo (Tg 4.6).

- Vale a pena lembrar sempre da dependência de Deus, lembrando do conselho de Gamaliel: “... para que não sejais achados lutando contra Deus” (At 5.39).

- Agir inovadoramente dependendo da soberania de Deus deve nos fazer abrirmo-nos para recebermos o novo de Deus.

- Isto é difícil, pois nossa natureza tende à adaptabilidade e consequente acomodação. O novo gera resistência. Sendo Jesus educado e trazendo o novo, muitas vezes é rejeitado por conservadorismos extremados. Por sua ação de libertação com os endemoninhados gadarenos gerar uma atitude diferente, os cidadãos gadarenos lhe pediram para ir embora de sua cidade (Mt 8.34). Jesus poderia trazer cura, libertação e salvação plena à cidade, que rejeitou-O por suas atitudes diferentes.

III. Aja inovadoramente distinguindo o que fazer e quando fazer (“em um tempo oportuno”).

- Evidentemente, pensando em termos de avivamento, há fatores que são pressupostos, por serem ordenados aos cristãos que vivam assim em todo o tempo: vida de santidade (“buscai a paz com todos e a santificação...”, Hb 12.14), conhecimento das Escrituras (“Examinai as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam”, Jo 5.39) e comunhão (“não deixando a vossa congregação, como é costume de alguns...”, Hb 10.25).

- Com tudo isso, devemos buscar entender o nosso tempo para saber quando alcançar e como alcançar o homem deste tempo (Ec 8.5).

- Tudo Deus fez formoso ao seu tempo (Ec 3.11). O que não é no tempo é feio, não é formoso.

- Davi tinha que estar na guerra, ficou e deu no que deu (2Sm 11.1ss). O povo de Israel tinha homens da tribo de Isaacar para fazerem sabê-los como deveriam proceder em seu tempo (1Cr 12.32).

- O homem deste tempo é diferente (2Tm 3.1-7). É um tempo em que o tempo falta e falta tempo para refletir em como aproveitar o tempo. O tempo vai e nem vemos.

- Como o cristão deste tempo encontra tempo para buscar o Senhor do tempo? Pela fé ele deve entender e viver sabendo que quanto mais tempo dedicar a conhecer o Senhor do tempo, mas saberá administrar, aproveitar e viver seu tempo.

- As atividades que você faz, os cultos que você promove tem seu tempo bem aproveitado para busca? Nossos congressos de oração, realmente são de oração? Nossas reuniões de louvor, realmente são de louvor? Perdemos tempo.

- Precisamos ser equilibrados: estudar quando é para estudar. Orar quando é para orar. Assim, Deus nos colocará em posições chaves para trazer o avivamento em nós e através de nós para o nosso redor. Daniel estudou quando era para estudar (Dn 1.20) e orou quando era para orar (Dn 6.10-11).

- Este Daniel avivado, pôde servir no reinado de cinco reis. Precisamos de novos daniéis que ajudem a mudar o rumo do Brasil trazendo o avivamento com o equilíbrio de vida.

Conclusão:

- Neste período tão confuso, urge a necessidade de um avivamento. Para isso, você precisa agir inovadoramente como Davi.

- Agir inovadoramente não é seguir modismo, mas é retornar a antigas verdades bíblicas: viva uma vida de oração; dependa de Deus; distinga o que fazer e quando fazer agindo com equilíbrio.


AUTOR: Pr. Henrique Araujo





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