terça-feira, 29 de novembro de 2011



POR UMA IGREJA VIVA
QUE VALORIZA
A CONVERSÃO

- ATOS 9:1-19





- Lucas, inspirado pelo Espírito, tem nos mostrado a expansão do Evangelho pelo mundo: a morte de Estevão desencadeou uma grande perseguição que promoveu a dispersão dos crentes de Jerusalém, os quais, por onde passaram, testemunharam de Jesus como Salvador e Senhor.

- Dentre eles, Filipe destacou-se na evangelização de massas e pessoal (At 8). Em nosso texto de hoje o foco foi colocado em Saulo, que experimentou a conversão mais famosa da história da igreja, registrada três vezes em Atos (capítulos 9, 22 e 25) e citada outras vezes nas epístolas.

Hoje somos chamados a reafirmar a conversão como o primeiro passo na direção de uma vida séria com Deus...

I – SAULO PERSEGUINDO “O CAMINHO”: VIOLÊNCIA (v. 1-2)

- Saulo, que consentira com a violência feita a Estevão (v. 1) e que violentara a igreja após a morte de Estevão (8:1,3) não mudou nada: ainda “respirava ameaças e morte.....” contra o “Caminho” (Jo 14:6; At 9:9, 23; 22:4; 24:22).

- Sua violência não só se ampliara, mas se oficializara (v. 1-2) – quem escapou em Jerusalém seria “extraditado” em Damasco com o apoio da religião judaica.

- Sua postura violenta, assim, foi intensa e extensa (At 26:1-11)

II – SAULO ENCONTRANDO “O CAMINHO”: LUZ (v. 3-9)

- “Seguindo Saulo estrada fora ao aproximar-se de Damasco.....”, após 240 km de viagem, o imponderável acontece: uma luz repentina (v. 3), de origem celeste (v.3) e de intensidade brilhante (v. 3, 26:13) surge para mudar definitivamente sua história e a história da humanidade.

- Na verdade, ela fazia parte de um plano eterno de Deus e, por se originar nos céus, não teve como ignorá-la, uma vez que penetrou nas trevas de sua religiosidade, tradição, orgulho, ignorância, violência, trazendo-lhe um brilho singular, único, incomparável, infinito e indescritível.

- As conseqüências da luz divina foram imediatas:

- humilhação (v.4) – o homem que capturava os seguidores de Jesus foi capturado pelo próprio Jesus;

- comunicação (v. 4-5) – confrontadora (v.4) pois a luz de Jesus é antes de tudo uma luz de denúncia, reveladora (v. 5) pois significou a comunicação de Deus (Hb 1:1-2);

- direção (v. 6-7) – Jesus não encontrou Saulo para lhe dar uma experiência emocional, mas para mudar radicalmente todo o itinerário da sua vida – o maior perseguidor seria transformado no maior incentivador;

- limitação (v.8-9) física (v. 8a), relacional (v.8b), alimentar(v.9)


- “Saulo, que esperava entrar em Damasco na plenitude de seu orgulho e bravura, como um autoconfiante adversário de Cristo, estava sendo guiado por outros, humilhado e cego, capturado pelo Cristo a quem se opunha” (Stott).

III – SAULO SEGUINDO O CAMINHO: COMPROMISSO (v. 10-19)

- “Compromisso” é a postura que caracterizou Paulo após seu encontro com Jesus: a intermediação do compromisso foi feita por Ananias (v. 10-17) , um discípulo (v. 10) que recebera uma visão (v. 10-12) surpreendentemente rica em detalhes, na qual foi desafiado por Jesus a “dispor-se e ir” ao encontro de Saulo; sua reação instantãnea foi de medo (v. 13-14), pois procurar Saulo era sinônimo de procurar a morte.

- O compromisso foi determinado para Saulo pelo próprio Senhor Jesus (v. 15-16): ele receberia uma nova identidade (v. 15, 22:14) – o instrumento de destruição transformar-se-ia em “instrumento escolhido” de reconstrução; teria um novo serviço – levar o nome de Jesus (v. 15, 22:14-15); pagaria um novo preço – ele que promovera sofrimento, agora sofreria ao lado de Jesus (v. 16, II Tm 3:12).

- O compromisso foi concretizado numa consagração especial (v. 17-19) que se deu pela força do toque das mãos e toque da palavra (v. 17a); pela restauração física e espiritual (v. 17b-18) simbolizando que estava sendo chamado para um evangelho pleno; pela integração através do batismo (v.18) – sinal visível da graça invisível; e pela comunhão (v. 19) – Saulo que já encontrara Jesus precisava encontrar a igreja de Jesus, “o lobo cruel, transformado em ovelha, será também transformado em pastor de ovelhas” (Calvino)

LIÇÕES

1. A conversão é obra da graça soberana de Deus revelada em Jesus – I Tm 1:12-15

- “Sou grato para com aquele que me fortaleceu, Cristo Jesus, nosso Senhor, que me considerou fiel, designando-me para o ministério, a mim que noutro tempo era blasfemo, e perseguidor, e insolente. Mas obtive misericórdia, pois o fiz na ignorância, na incredulidade. Transbordou porém a graça de nosso Senhor com a fé e o amor que há em Cristo Jesus. Fiel é a palavra e digna de toda aceitação: que Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal”.

- A conversão não se define pelos antecedentes nem pela força humana, mas pela graça.

2. A conversão é apenas a primeira etapa de um grande plano completo de Jesus para nós (Fp 1:6)

- “Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao dia de Cristo Jesus”

- Este grande plano envolve justificação - liberdade da condenação do pecado, santificação – liberdade do poder do pecado, glorificação – liberdade da presença do pecado.

3. A conversão exige uma mediação de integração comunitária (Ananias) – At 2:41-42

- “Então os que lhe aceitaram a palavra foram batizados, havendo um acréscimo naquele dia de quase três mil pessoas. E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações”.

- Precisamos urgentemente de Ananias dispostos a investir nos homens já separados por Jesus.

4. A conversão está imediatamente e intimamente associada à missão – At 20:23-24

- “...o Espírito Santo me assegura que, de cidade em cidade, me esperam cadeias e tribulações, porém em nada considero a vida preciosa para mim mesmo, contanto que complete a minha carreira e o ministério que recebí do Senhor Jesus para testemunhar o evangelho da graça de Deus”. “Pelo que, ó rei Agripa, não fui desobediente à visão celestial” (At 26:19 e 16-18).

- O sábio plano de Jesus permanece imutável: fazer de cada convertido um missionário propagador do Seu amor....

5. A conversão precisa fazer parte na vida diária da igreja - At 2:47

- “... enquanto isso acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos” – conversão não pode ser uma honrosa exceção no cotidiano da comunidade cristã, mas uma realidade permanentemente presente, resultado direto de um estilo de vida que provoca impácto positivo nos lugares onde ela foi plantada.

- Nesta hora, o Espírito Santo quer promover entre nós arrependimento para a salvação: “arrependei-vos, pois, e convertei-vos para serem cancelados os vossos pecados, a fim de que, da presença do Senhor venham tempos de refrigério” (Atos 3:19) e, igualmente, quer promover compromisso para a proclamação do Salvador, por isso o desafio também é: “dispõe-te e vai” (v. 11,15).


AUTOR: Pr. Jair Francisco Macedo








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SER CRISTÃO HOJE

- ATOS 11:19-26





- Para muitos, hoje, SER CRISTÃO: é ser barganhador – para quem com uma contribuição financeira mensal pode-se comprar a graça de Deus; ser um turista religioso – cuja prioridade é o entretenimento do culto e não a obediência da vida; ser teórico da fé – alguém conhecedor da doutrina de Cristo mas desconhecedor do Cristo da doutrina; ousado – um servo determinando e o Senhor ficando na obrigação de obedecer.....

- O que era, porém, para a igreja primitiva SER CHAMADO DE CRISTÃO? Lucas nos informa que “em Antioquia foram os discípulos pela primeira vez chamados cristãos” (v. 26).


O que significou em Antioquia ser cristão?

I – SER CRISTÃO É RECEBER O ANÚNCIO DO EVANGELHO DO SENHOR: PROCLAMAÇÃO (v. 19-20)

- Segundo o verso 19, a grande perseguição contra os cristãos de Jerusalém foi o instrumento divino para a expansão do Reino, pois os dispersos ao chegarem à Fenícia, Chipre e Antioquia compartilharam com os judeus a Palavra do Senhor.

- Outros, oriundos de Chipre e Cirene, compartilharam também com os gregos de Antioquia o Evangelho do Senhor (v. 20).

- Não foi por acaso que estes dois grupos de testemunhas penetraram em Antioquia: situada a 300 km ao norte de Damasco, fundada em 300 a.c. por Seleuco Nicator, um dos generais de Alexandre o Grande, era conhecida como “Antioquia Bela” por causa de seus edifícios refinados; tinha 500.000 habitantes, só sendo menor no império romano do que Roma e Alexandria; era cosmopolita com grande presença de judeus, pérsios, indianos, chineses e romanos; era, assim, uma cidade internacional acolhendo a primeira igreja internacional...

- Os primeiros movimentos do cristianismo em Antioquia estiveram intimamente ligados à PROCLAMAÇÃO: os agentes da proclamação foram evangelistas anônimos; o conteúdo da proclamação foi “Jesus é Senhor” e o alcance da proclamação foi toda a região situada ao norte de Jerusalém.

- Aprendemos, assim, que o genuíno cristianismo passa, necessariamente, pelo acolhimento responsável do Evangelho, cuja proclamação deve ser feita não apenas pelos “profissionais” do Reino, mas por todos aqueles que já experimentaram do singular amor de Jesus, os quais, espalhados pelas cidades, formam um grande corrente de transformação social.

II – SER CRISTÃO É CONVERTER-SE AO SENHOR: CONVERSÃO (V. 21)

- Antioquia foi palco de um mover extraordinário do Espírito Santo. Na medida que a proclamação avançava muitos se converteram. Esta conversão foi a experiência inicial que fez diferença entre “ser” e “não ser” cristão: ela foi promovida pelo Senhor – sua mão agiu no coração dos pecadores antioquianos convencendo-os da necessidade de uma nova dimensão espiritual; foi concretizada pela fé – se de um lado foi Deus quem operou a conversão, por outro Ele o fez apenas naqueles que creram verdadeiramente em Jesus; foi uma volta ao Senhor – as conversões em Antioquia não significaram uma mudança religiosa, superficial, mas uma mudança interior que impeliu os moradores de Antioquia a estabelecerem uma nova e extraordinária relação pessoal com o Senhor.

- Aprendemos, assim, que uma Igreja Viva (tema geral de nossa série de reflexões) é aquela que está permanentemente preocupada com a conversão dos pecadores. De que adiantarão nossos esforços se eles não priorizarem a volta dos pecadores ao Senhor?

III – SER CRISTÃO É PERMANECER NO SENHOR: CONSOLIDAÇÃO (v. 22-24)

- O ciclo básico da caminhada cristã envolve proclamação, conversão e consolidação.

- Usando a figura de João 3, no diálogo de Jesus com Nicodemos, a proclamação é a gestação, a conversão o novo nascimento e a consolidação o crescimento.

- Uma vez gerados em Cristo iniciamos um caminho santificador que dia a dia nos levará à “perfeita varonilidade – à medida da estatura de Cristo” (Ef 4:13).

- Este caminho de consolidação é uma responsabilidade da igreja (v. 22), como bem entendeu a igreja mãe de Jerusalém. Para concretizá-lo ela usou um discípulo mais experiente.

- Assim, Barnabé, que era “homem bom, cheio do Espírito Santo e de fé” (v. 24) foi autorizado (v. 22) a liderar o processo de consolidação dos novos convertidos de Antioquia, o que fez com grande eficiência, discernindo o mover de Deus e estimulando todos a permanecerem firmes no Senhor (v. 23). Os resultados de seu ministério foram claros pois “muita gente se uniu ao Senhor” (v. 24b). Sentindo, porém, que não conseguiria atender todas as demandas do avanço do cristianismo em Antioquia, Barnabé, sabiamente, buscou a parceria de Saulo, os quais atuaram focados na comunhão e no ensino, proporcionando o alcance de uma grande multidão (v. 26).

- Aprendemos, assim, que uma Igreja Viva tem uma estratégia evangelística que contempla a proclamação, conversão e a solidificação que vem através do discipulado sério, contínuo e responsabilizador.

- Não somos chamados a gerar pessoas em Cristo, mas a formar as pessoas geradas em Cristo ainda que isto envolva de nós sofrimento e lutas (Gl 4:19).

CONCLUSÃO

- Ser cristão vai além das tradições denominacionais, das formalidades litúrgicas e das superficialidades verbais.

- Ser cristão pressupõe uma sintonia contínua com o anúncio do Senhor, uma experiência única de conversão genuína ao Senhor e uma priorização contínua da permanência no Senhor.

- Sendo assim a Palavra no desafia hoje à conversão e à solidificação. Atendê-la nos colocará no centro da vontade de Deus que é boa, perfeita e agradável!


AUTOR: Pr. Jair Francisco Macedo






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