segunda-feira, 17 de outubro de 2011



A INTIMIDADE
ESPIRITUAL
DO CASAL





INTRODUÇÃO

- Quando nos casamos tornamo-nos uma só carne (Gn 2.,24). A partir de então o nosso cônjuge se torna a pessoa mais importante de nossa vida. Passamos a ter intimidade física, emocional, e especialmente espiritual. Se não houver esta unidade espiritual todo o casamento fica sem sustentação. Talvez seja este o princípio dos Salmos 127:1, que diz:Pv. 27.1.

- O alicerce da intimidade emocional é a base segura onde o casal constrói o seu lar. Somente este alicerce poderá suportar as tempestades que sobrevêm sobre o casal (Mt. 7.24-27).

I - O que significa intimidade no casamento?

- Significa que os dois devem primeiramente ter uma experiência salvadora com Jesus. Fora deste contexto não há comunhão espiritual. Neste sentido a nossa orientação aos nossos filhos é que não se casem com uma pessoa que não conhece a Jesus como Senhor e Salvador pois o casamento estará sem a Pedra Angular que sustenta a família, o próprio Senhor Jesus. Os que já se casaram nesta situação devem trabalhar para conduzir o seu cônjuge a Cristo considerando esta a tarefa mais importante de sua vida.

- Significa que o casal deve buscar juntos a comunhão com Deus. Se somente um se diz bem espiritualmente, em detrimento do outro, não há intimidade espiritual. Para os casados a comunhão com Deus é uma experiência em conjunto, conquanto tal situação não desobriga a cada um a manter a sua própria experiência espiritual.
Neste exercício de buscar juntos a comunhão com Deus há uma promessa bíblica que deve se aplicar ao casal, a de receberem respostas às suas orações:
Mt 18.19-20.

- Significa que o casal deve estar envolvido no serviço do Senhor usando seus dons e talentos, ainda que seja em áreas diferentes. Lembrando apenas que quando o casal trabalho junto em um mesmo ministério o impacto que causam e a unidade que alcançam em seu relacionamento, é melhor.

- Significa que o casal deve desenvolver uma espécie de “pastoreio mútuo”. Cada um deve cuidar da espiritualidade de seu cônjuge. Devemos cuidar para que o nosso cônjuge esteja praticando os exercícios espirituais, dois quais os mais importantes são: Leitura da Bíblia, oração e comunhão com os irmãos. Neste propósito o casal devem conversar sobre as coisas de Deus, orar juntos, etc.

- Escrevam a seguir mais um ponto do que significa intimidade espiritual:_____________________________________________________________________________________________________________________________________________
II- Exemplos de intimidade espiritual no casamento.

- Primeiramente analisemos a vida de um casal que parece não ter desenvolvido intimidade espiritual em seu casamento: Isaque e Rebeca.

- Aqui temos um casamento que começou bem visto que Rebeca foi trazida a Isaque com um presente de Deus ( Gn 24.67). No entanto não havia intimidade espiritual entre o casal. Eles não só viviam em tendas diferentes como viviam em mundos diferentes.

- Esta falta de unidade do casal se manifestou especialmente na preferência que tinham cada qual por um filho.Também fica clara a falta de intimidade espiritual no fato de Rebeca instrumentalizar o seu filho para enganar o próprio pai. As conseqüências para esta família foram terríveis. Sobreveio-lhe a ruptura dos filhos, a solidão, a falta de confiança no Senhor.

- Será que o nosso casamento está muito distante deste modelo?

- Vejamos se no nosso casamento não está permeado pelo individualismo, pelo egoísmo, por interesses pessoais, por sonhos próprios.

- Será que os nossos filhos vêm em nós uma só carne, um só propósito, um só coração? Eles percebem que em nossa família existe intimidade espiritual?

- Vejamos agora um casal que desenvolveu uma verdadeira intimidade espiritual: Áquila e Priscila.

Observando a historia deste casal em Atos 18.1-3, 26; 1 Co 16.19 vejamos como a intimidade espiritual era realidade neste casal.

1 - Este casal enfrentou juntos as adversidades:

- A expulsão de Roma - Este casal sabia o que era sofrer reveses na vida – acolheram missionários – 18:1-3; 18:26; Rm 16:3.

- A provável esterilidade de Priscila – “adotaram” uma igreja – I Co 16:19.

- Este casal manteve comunhão com Deus e intimidade espiritual entre eles nos piores momentos de sua vida. Nada a reclamar.

- Se quisermos motivos que justifiquem nossa posição individualista sempre acharemos. Podemos falar das dificuldades físicas, familiares, sociais, financeiras, etc. Assim o tempo passa e não somos uma bênção juntos. Áquila e Priscila sabiam lidar juntos com a vida.

- Eles decidiram ser instrumentos nas mãos de Deus mesmo que as circunstâncias os jogassem para outro lado. É na adversidade que a intimidade espiritual do casal mais se revela.

2 - Este casal aproveitou juntos as oportunidades.

- Eles aprenderam com Paulo para ensinar a Apolo – Atos 18:4 ;18:26.

- Há sempre oportunidades nas dificuldades. Deus sempre abrirá as portas para sermos úteis a Ele.

- Quais são as oportunidade que Deus coloca hoje diante de vocês como casal?
- O que vocês podem fazer na igreja, na sua casa, no seu trabalho, na sua vizinhança?

- Se olharmos o mundo com os olhos de Deus sempre veremos portas que se abrem para servirmos ao Senhor, e para o servirmos juntos, como casal.

3 - Este casal lidava juntos com as pessoas.

- Se há uma decisão que necessita da unidade espiritual do casal é quando se trata de receber ou hospedar pessoas em casa.

- Áquila e Priscila, em comum entenderam que deveriam receber Apolo para orienta-lo melhor. Juntos souberam julgar a doutrina de Apolo, não o envergonharam publicamente, mas o levaram para casa para prepará-lo melhor para o seu ministério. Julgaram a mensagem, não o mensageiro(At 18:24,25, 26).

- Chamaram-no à parte (18:26): “tomaram-no consigo”. Foram uma bênção na vida deste pregador. Possivelmente Apolo se tornou mais conhecido e mais eloqüente do que eles. Mas eles não se importaram.
- Eles viram neste jovem pregador o potencial para fazer a obra do Senhor avançar e isto era o que interessava.
- Eles também serviram a Paulo com muito amor (Rm 16.4) e não se importaram em ficar em segundo plano.

- Será que este casal poderiam fazer este investimento espiritual na vida de Paulo, Apolo e da igreja que se reunia na sua casa, se não tivessem intimidade espiritual?

- O primeiro casal Isaque e Rebeca colheu conseqüências, o segundo, Áquilia e Priscila, colheu resultados.

CONCLUSÃO

- Que cada casal neste retiro tome a decisão de desenvolver entre si a intimidade espiritual.

- Que juntos busquem conhecer mais a Deus e o propósito dele para a sua família.

- Que em oração em conjunto se consagrem e aos seus filhos ao Senhor.
Com certeza, se fizermos assim, nossos filhos se sentirão mais seguros, mais confiantes em sua fé; nossa igreja será mais abençoada e nossas orações serão respondidas.

- Deixemos que este texto de Mateus 18.19-20 permeie a nossa comunhão, como casal e como família.

Que Deus abençoe a cada casal.



AUTOR: Pr. Luiz César Nunes de Araújo





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A DOR DA TRAIÇÃO





INTRODUÇÃO

- Todos nós apreciamos a fidelidade.

- A própria Bíblia fala deste tema com apreço: Sacerdotes fiéis (1 Sm 2:35); rei fiel (2 Sm 22:14); testemunha fiel (Jr 42:5); servo fiel (Mt. 24:45); despenseiro fiel (1 Co 4:2); ministro fiel (Ef 6:21); mulheres fiéis (1 Tm 3:11); homens fiéis (2 Tm 3:11).

- Por fim o próprio Deus se apresenta como o modelo de fidelidade (1 Ts 5:24; Sl 93:5; Ap 19:11).

- No entanto, com a exceção do próprio Deus, todos podemos ser vítimas da infidelidade, ou mesmo os propulsores dela. O que é vítima da infidelidade se sente traído e então se estabelece no seu coração a dor e outros sentimentos decorrentes dela.

- No relacionamento conjugal a quebra da fidelidade é tida como “pecado capital”. A Bíblia reforça a gravidade deste erro permitindo até mesmo a morte de quem fosse pego em adultério, quebrando a fidelidade com o cônjuge (Lv 20:10).

- O Senhor Deus diz “odiar” o repúdio e a maneira com que se abandona a mulher da mocidade (Ml 2:10-16).

- Jesus “permitiu”, não “ordenou”, o divórcio tão somente quando este princípio de fidelidade fosse quebrado. No entanto Ele ressalta que não é este o projeto original do Criador (Mt 19:8-9).

Todo este esforço bíblico é no sentido de preservar a saúde do casamento e poupar os seus filhos da dor.

I - O PROBLEMA DA DOR

- Em caso de divórcio, como conseqüência da traição, parece não existir inocentes. Tanto o traidor como o traído podem ter responsabilidade quanto ao desfecho trágico. Às vezes a infidelidade é explicada por falta de comunicação entre o casal; atitudes egoístas; comportamentos inadequados e coisas assim.

- Tais atos não justificam a traição e o divórcio, mas nos ensinam que é preciso nutrir o casamento com as melhores virtudes, sem se esquecer é claro, do investimento espiritual, tão necessário para a união matrimonial.

- No entanto, com maior ou menor responsabilidade o cônjuge traído, vitima da infidelidade, é tomado pela dor.

Porque se sofre tanto quando a fidelidade conjugal é rompida? Vejamos.

1 – Porque afeta nossa AUTO-ESTIMA

Pessoas traídas se sentem rejeitadas, impotentes, diminuídas diante da opção que o cônjuge fez por outra pessoa. O amor próprio, a auto-estima tendem a diminuir em momentos assim.

2 – Porque quebra as promessas mais sublimes

Parece difícil se aceitar que as promessas feitas no altar pudessem ser quebradas pelo cônjuge. Sendo os dois uma só carne (Ef 5:31), a dor é intensa e pessoal.

3 – Porque revela nossa “humanidade caída”

A velha natureza tende a se aviltar em tempos de dor. Em circunstâncias tão contrárias uma pessoa pode passar do ódio à autocomiseração e vice-versa em uma velocidade tremenda.

II - A CURA DA DOR

- A dor é um sinal de que algo não está bem em nós. No caso da infidelidade a dor da traição tem desencadeado em divórcios e até em homicídios e suicídios e tantas outras atitudes inconvenientes. As lesões causadas pela traição não são simples e requerem tratamento profundo.

- No entanto, nosso texto nos ensina a “não nos separarmos” (1 Co 7. 10-13), a trabalharmos não somente os efeitos da dor, mas a causa, e buscarmos através de exercícios emocionais e principalmente espirituais, a cura.

E o que cura a dor da traição?

1 – Confessar a dor ou reconhecer que está doendo.

- É preciso aceitar os “sentimentos” que nos vêm em tempos de dor. O próprio Senhor Jesus reconheceu sua dor em momentos de aflição (Jó 11:35; Mt 26:38).

- Jó não foi apático diante de sua dor (Jó 3:26), pelo contrário, ele reconheceu seu sofrimento. O ferido deve orar colocando diante de Deus o que o entristece (Fl 4:6-8).

2 – Não recusar ajuda dos outros.

- O ferido precisa de médico, de ajuda, de cuidados especiais. Os que se isolam dificilmente saram.

- Não se deve fazer como Jacó, que recusou o consolo de seus filhos quando imaginava que José estivesse morto (Gn 37:35).

- A dor de quem se recusa a pedir ajuda tende a se tornar crônica. Os que sentem a dor da traição devem procurar um ou mais crentes maduros, sábios, discretos e atenciosos.

- Existem fardos que carregamos sozinhos (Gl 6:4), mas outros podem ser compartilhados (Gl 6:2). Possivelmente a ajuda aqui precisa ser “sistemática” e não apenas esporádicos.

- O aconselhamento de uma pessoa assim pode durar meses, o que exigirá um acompanhamento prolongado e persistente.

3 – Fugir da amargura.

- Em tempos de dor a tendência natural é desenvolver o ressentimento contra o cônjuge. No entanto tal sentimento somente prejudicará tanto o que sofre como os que convivam com ele.

- A amargura não é estática, ela brota e contamina a muitos (Hb 12:15). O sofrimento do amargurado é mais intenso e não há final feliz para os que nutrem tal sentimento. Nem mesmo o tempo será capaz de remover as chagas de quem se deixou amargurar. A confissão deve ser rápida e intensa para que a ira ceda lugar ao perdão (Ef 4:27).

4 – Ir em direção ao cônjuge e perdoar

- Deus disse a Oséias que este deveria amar novamente a sua mulher, mesmo esta tendo se tornado adúltera (Os 3:1).

- Paulo orienta que o marido e a mulher não se separem (1 Co 7:10-12). É claro que na maioria das vezes o perdão está baseado no arrependimento e confissão da parte infiel (Mt 18:15-20). Parece que o perdão incondicional não tem o mesmo resultado daquele que é fruto da confrontação e confissão sincera.

- E o que significa perdão no contexto de relacionamento conjugal? Com certeza não é esquecer, mas não permitir que a dor volte nas vezes em que se lembrar.

- Perdoar é permitir que o irmão ofensor viva em nós de novo, que se torne relevante, que faça parte de nossa vida.

- Perdoar é não ser indiferente, mas voltar a dar a atenção ao que nos machucou. É bom lembrar que deste exercício espiritual depende a saúde de nossa alma e o perdão de nossos próprios pecados (Mt 6:14-15).

III – O PROPÓSITO DA DOR

- Com certeza um cristão maduro entenderá que a dor e o sofrimento podem trazer benefícios ao casal.

- Após a noite de choro vem à alegria pela manhã (Sl 30:5). Sempre haverá um propósito de Deus em todas as coisas (Rm 8:28).

- Assim como o sofrimento tem feito os crentes crescerem em sua caminhada cristã, a dor da traição, pode se reverter nos sentimentos mais nobres e no serviço mais consagrado.

- Deus pode ter o propósito de adequar o nosso casamento aos padrões da Bíblia.

- Muitos casais após a cura da dor da traição construíram seus lares com muito mais zelo e dedicação.

- Os princípios espirituais que possivelmente não eram observados antes da crise, agora são como que os alicerces do casamento (Mt 7:24-27).

- Deus pode ter o propósito de nos fazer sensíveis à dor dos outros. Quem sentiu a dor da traição tem a seu favor a experiência para ajudar os que precisam de ajuda nesta área.

- Paulo ensina os consolados a serem consoladores (2 Co 1:1-11). Em meio a esta geração campeã em número de divórcios é preciso que os que resistiram à tentação da separação e venceram, ensinem e instruam os que passam pela mesma luta.

CONCLUSÃO

- A dor da traição pode destruir para sempre uma pessoa, caso esta permita. No entanto Deus providenciou os mecanismos para a cura: a confissão e o perdão. Podemos optar pelo caminho de Deus.

- Alguém disse que a nossa vida é dirigida por dez por cento de como agimos e noventa por cento pela forma como reagimos. Em momentos de dor muitos cresceram emocionalmente e espiritualmente.

Que experimentemos, em tempos de dor e adversidade, ou crescimento que faça diferença para nós e para os que convivem conosco.


AUTOR: Pr. Luiz César de Araújo - 1 Co 7:10-13





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