quinta-feira, 22 de dezembro de 2011



QUEM É ESTE?

MATEUS 16.13-16




- Por que Jesus pergunta aos discípulos quem o povo achava que Ele era, se Ele já sabia a resposta por ser onisciente? (16.13).
- Seria receio de estar com crise de popularidade ou alguma síndrome de matemático fissurado por estatísticas? Evidentemente não.

- Sua pergunta era uma etapa do seu processo de ensino construtivista, assim como a maiêutica socrática era um modo de “parir” ideias.

- Vão sendo descartadas opiniões falaciosas (16.14) para um encaminhamento rumo à verdade.

- João Batista era uma possibilidade, por ter morrido recentemente e o terem em conta de profeta;

- Elias fez sinais e prodígios e foi arrebatado e, assim como Jeremias (que, em seu livro, é apresentado como sendo forçado a ir para o Egito e não se declara sobre sua morte), seu final de vida é enigmático. Apesar de Jesus apresentar traço em comum com estes, não é nenhum deles.

- Continuando a construir o conhecimento, Jesus questiona, agora, sobre a perspectiva dos discípulos (16.15): Quem era o Filho do Homem para eles? Pedro, espontaneamente impelido pelo Espírito, declara que Jesus é o Cristo, o Filho do Deus vivo (SÝ e‹ Ð CristÕj Ð uƒÕj toà Qeoà toà zîntoj- 16.16).

- Houve um espanto completo entre os discípulos, talvez não pela própria exclamação, mas pelo fato de alguém ter coragem de falar aquilo que todos no grupo já percebiam.

- Pedro afirma: Tu és o Cristo, ou seja, és o Messias prometido que aguardávamos. Apesar de Pedro entender a messianidade de Jesus, qual era a amplitude da natureza messiânica não era claro ao entendimento de Pedro. Assim como os discípulos, até a Ascensão (At 1.6), ele entendia Seu messianado como algo político. Pedro entendia que Jesus era o Messias, mas ainda não captara plenamente que este Messias era o próprio Deus encarnado.

- Jesus credita a possibilidade da asserção à iniciativa da revelação Divina (Mt 11.27). Se Pedro entende que Jesus é o Messias, é porque Deus resolveu revelá-lo intra-historicamente e também abriu os olhos de Pedro. Ao mesmo tempo em que a fé é consumada no Messias, Ele mesmo é o Autor desta fé (Hb 12.2). A semente da fé é plantada por Deus a partir de Sua Presciência sinérgica.

- Pedro, você disse que eu sou Jesus e, assim como você disse que eu sou, eu digo a você quem você é: você é Pedro (16.18), uma rocha, um indivíduo transformado. Sobre esta rocha, o Cristo da revelação, edificarei minha igreja.

- As portas do Hades (¯dou), do submundo da morte, não prevalecerão sobre a minha igreja. Possuidora da vida eterna em Cristo, o povo eleito está livre da morte eterna, que morrerá no lago de fogo eterno (Ap 20.14). Na morte de Cristo a morte da morte foi pré-anunciada. Já está decretada, mas ainda não consumada, o que o será no final dos tempos.

- Como um dos representantes da igreja, como todo e qualquer sacerdote (fato que o próprio Pedro explica adiante, 1Pe 2.5), as “chaves do reino dos céus” são dadas à igreja, representada por Pedro (16.19). Através da concordância na caminhada de comunhão (Mt 18.18-19) promovida pelo vínculo da paz, oriundo do Espírito (Ef 4.3), a igreja, ligada, pode “ligar e desligar” entre terra e céu. Não é um exercício de abuso de autoridade por seu bel-prazer, mas a construção do particípio perfeito perifrástico grego (kaˆ Ö ™¦n d»shj ™pˆ tÁj gÁj œstai dedemšnon ™n to‹j oÙrano‹j) indica: “e o que tiver sido ligado no céu, terá sido ligado na terra”, ou seja, a lição do texto não é uma manipulação egoística da igreja, mas a igreja, em unidade, permitindo a ação do Espírito, ser reveladora de Sua vontade, efetuando ações na terra como concretização da eterna vontade do Pai no céu (em consonância com a oração ensinada pelo Mestre: “Seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu”, Mt 6.10).

I. Por que Jesus mandou aos Seus discípulos que a ninguém dissessem que Ele era o Cristo (Mt 16.20)?

- Porque era necessário que as Escrituras, primeiro, se cumprissem (Mt 26.54; Lc 18.31, 21.22, 22.16, 22.37, 24.44; Jo 19.28).

- Havia diversas profecias sobre o ministério, em terra, do Messias, e estas precisavam ser cumpridas para autenticar a comprobatoriedade de que Jesus era o Messias.

- Os discípulos deveriam aguardar, pois, segundo o próprio Jesus: “vos digo que importa que em mim se cumpra aquilo que está escrito” (Lc 22.37).

- À luz do texto supracitado, a questão temática “Quem é este?” encontra uma resposta clara na asserção petrina: “É o Cristo, o Filho do Deus Vivo” (afirmação teológica). Assim sendo, por Jesus ser o Cristo, algumas benesses que o cristão pode ter, à luz do texto explicado:

II. Por Jesus ser o Cristo, eu posso ter um referencial de verdade absoluta em um tempo relativista.

- No tempo dos discípulos já havia diversas opiniões vigentes (Mt 16.13-16).
- Segundo Stott, este tempo é um tempo de batalhas de ideias. Em um tempo relativista, ter um referencial absoluto de verdade me faz viver com segurança na alma em meio a um pluralismo religioso exacerbado.

III. Por Jesus ser o Cristo, eu posso ter uma vida equilibrada através da formação da mente de Cristo em mim.

- Os discípulos não agiriam a seu bel-prazer dali por diante. Sintonizados com a vontade de Deus exerceriam sua ação como igreja (Mt 16.19).

- Ter a mente de Cristo é poder chegar à raiz de toda a verdade a partir da formatação de nosso entendimento pelos princípios da Palavra.

- A Escritura orienta ao equilíbrio (Pv 30.7-9; Mt 22.29, 23.23; 1Co 14.15; Ec 7.16). Principalmente na encarnação (Jo 1.14).

IV. Por Jesus ser o Cristo, eu posso obedecer pela fé sabendo que o que Ele diz, sempre é o melhor para mim.

- Ele manda aos discípulos, eles deveriam obedecer (Mt 16.20). Ele diz: “Quem tem sede, venha a mim e beba” (Jo 7.37-38).

- Devemos nos saciar dEle e nEle. Todo homem é tão santo quanto deseja ser (A.W.Tozer).

- Ele declara o Sermão da Montanha. É o melhor para nós (Mt 5-7). Devemos cumpri-lo.

A conclusão é que, à luz do texto lido, Jesus é o Cristo, o Filho do Deus Vivo.

- Muitas benesses podem advir a mim por segui-lo, mas o melhor de Deus não está por vir; já veio: Jesus.

- A partir dEle, posso usufruir destas benesses. Mas há um pressuposto básico: a fé (Hb 4.2). A palavra é de Deus. Crer e praticá-la é com você.


AUTOR: Pr. Henrique Araujo






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