terça-feira, 4 de outubro de 2011



As loucuras
de uma nação
rendida ao pecado




INTRODUÇÃO

- O capítulo 6 de Amós trata da luxúria e da impiedade dos israelitas e do castigo que lhes sobreviria, “passando daqueles que tinham religião sem Deus àqueles que tinham riquezas sem Deus”.

- A religião de Israel tinha se desviado nos dois pontos centrais: teologia e ética. Eles haviam mudado a doutrina e corrompido a ética. Tornaram-se apóstatas, bandeando para o sincretismo e, conseqüentemente, perdendo os valores morais absolutos. Em vez de buscar agradar a Deus, o povo buscava agradar a si mesmo. Em vez de amar a justiça, o povo entregou-se à violência. Agora, Deus anuncia seu justo juízo à nação.

- Em Amós 5.27 o exílio é anunciado. Agora, Amós amplia essa idéia (6.7,14). O Dia do Senhor que eles irrefletidamente esperavam (5.18-20) seria o dia mau para a nação de Israel (6.3).

À guisa de introdução, destacamos três pontos importantes:

1. O pecado é o opróbrio das nações

- Um povo rendido ao pecado nunca é realmente forte. O pecado traz consigo o DNA da morte.

- Uma nação que se corrompe internamente torna-se fraca externamente.

- Uma nação antes de cair diante dos inimigos,
cai primeiro diante de si mesma pela degradação espiritual e corrupção de seus valores morais.

2. O pecado na vida do povo de Deus é ainda mais escandaloso

- Quando o povo que deveria ser luz para as nações mergulha-se em densas trevas e deliberadamente se afasta de Deus e se insurge contra sua santa Palavra, seu pecado torna-se mais grave, mais hipócrita e mais danoso que o pecado dos pagãos.

- Mais grave, porque peca contra um maior conhecimento.

- Mais hipócrita, porque ele exige santidade dos outros, enquanto vive na prática da iniqüidade.

- E mais danoso, porque quando o povo de Deus cai provoca um maior escândalo.

3. O pecado jamais fica sem julgamento

- O juízo começa pela Casa de Deus (1Pe 4.17).

- A salvação é um chamado para a santidade e não para a complacência no pecado. Deus nos salva do pecado e não no pecado.

- Quanto maior o privilégio, maior a responsabilidade.
- Quanto mais luz nós temos, mais se exigirá de nós.

- Crabtree diz que os pecados de Israel, citados por Amós, são característicos da civilização contemporânea: a opressão dos pobres pelos ricos, o suborno da justiça, o engano dos inocentes, a impureza moral e a hipocrisia religiosa.

I. UMA LIDERANÇA ACOMODADA NO PECADO (6.1-3a)

1.Eles estavam confiantes em seus privilégios espirituais (6.1)

- Amós denuncia os que viviam à vontade em Sião, estribados numa falsa segurança, pensando que por serem o povo da aliança nenhum mal lhes alcançaria. Transferiram sua confiança em Deus para o templo; de uma pessoa para um rito. Confiaram na religião e não num relacionamento certo com Deus.

- Charles Feinberg diz que os israelitas estavam descansando numa falsa segurança gerada por um ritual vazio e um culto sem sinceridade que, na sua cegueira, criam satisfazer a Deus.

- Eles viviam de uma maneira imprudente e descuidada.
- Eles usaram seus privilégios espirituais para justificarem seus pecados em vez de resplendecerem como luzeiros no mundo.

- James Wolfendale diz que se nós negligenciarmos ou desprezarmos nossa eminente posição, agravaremos nossa culpa a aumentaremos a grandeza da nossa queda.

2.Eles estavam confiantes em sua inexpugnável posição geográfica (6.1)

- A cidade de Jerusalém e a cidade de Samaria foram edificadas sobre montes.

- Samaria estava fincada no alto de uma montanha, cercada de muros e adornada de muitos castelos.
- Samaria era uma cidade rica, opulenta, e inexpugnável aos olhos humanos.

- Russell Norman Champlin afirma que a cidade era tão exaltada aos olhos dos israelitas que, em seu orgulho estúpido, eles a chamavam de “a maior cidade da terra”.

- A confiança deles estava em sua posição geográfica e em seu poderio econômico e militar. A natureza havia dotado a cidade de Samaria com fortificações de tal caráter que, com efeito, o rei da Assíria não pôde tomá-la antes de três anos de cerco (2Rs 17.5,6). Porém, a segurança do povo de Deus não está no lugar em que vive nem na glória da sua eminente posição. Não devemos colocar nossa confiança nos homens eminentes nem nos altos montes, mas em Deus (Sl 121.1).

3.Eles estavam confiantes em seu status social (6.1)

- Os governantes e a classe aristocrática de Samaria eram compostas de homens notáveis, nobres, ricos, encastelados em seus palácios, vivendo no luxo extremo, banqueteando-se gostosamente ao som de suas liras. Viviam rodeados de riquezas mal adquiridas, refestelando-se em suas festas cheias de bebedeira, desfrutando as benesses de sua elevada posição social. Viviam imperturbavelmente, gostosamente, sem nenhum constrangimento ou temor.

- Warren Wiersbe diz que os homens ilustres do governo de Israel eram da opinião de que a nação estava segura e protegida, e o povo acreditava neles, assim como hoje em dia as pessoas acreditam nos “especialistas” políticos e nas pesquisas de opinião.

- A falsa confiança que se baseia no conselho de especialistas, em estatísticas e em recursos materiais e que ignora a dimensão espiritual da vida certamente conduz a derrota vergonhosa.

4.Eles estavam confiantes de seus pretensos predicados morais (6.2)

- Amós os convida a ir a Calné, cidade edificada à margem oriental do rio Tigre e Hamate, a principal cidade da Síria e observar. Esses povos viviam sem a luz da verdade revelada.

- Eles não tinham profetas nem sacerdotes que pudesse ensiná-los a lei de Deus.
- Eles viviam mergulhados em densas trevas espirituais.

- Por que Amós destaca essas cidades?
- Sabemos que eram cidades de corrupção espiritual que foram subjugadas pelos inimigos.

- Calné perdeu cedo a independência e foi anexada ao império assírio. Hamate foi subjugada por Jeroboão II (2Rs 14.25) e depois pela Assíria (2Rs 18.34).

- Se elas não poderiam rechaçar o inimigo, então como vocês esperam fazê-lo?
- Se elas sofreram o juízo de Deus por seus caminhos pagãos, como podem Judá e Israel, que são culpadas, escapar a semelhante castigo do Senhor? Em tudo o que havia ao seu redor, o povo de Deus podia ver sinais de advertência no destino das demais nações ímpias (Na 3.8).5

- Assim, os líderes de Israel se julgavam melhores que seus vizinhos. Eles tinham um alto conceito de si mesmos. Eles aplaudiam a si mesmos e cantavam: “Quão grande és tu”, diante do espelho.

- Warren Wiersbe diz que a presunção é um pecado traiçoeiro, pois se baseia em mentiras, é motivada pelo orgulho e leva a confiar em alguma outra coisa além de Deus (Sf 1.12).

- Assim como o povo da igreja de Laodicéia, o presunçoso considera-se “rico e abastado” (Ap 3.17) e pensa que não precisa de nada.

5.Eles estavam confiantes de suas conquistas políticas (6.2)

- As nações vizinhas não tinham nenhuma vantagem política em relação a Israel. Eles estavam vivendo o seu tempo áureo. Sob a liderança de Jeroboão II, Israel havia alcançado seu apogeu político e econômico. Os limites de seu território tinham chegado ao mesmo nível das gloriosas conquistas de Davi e Salomão. Os israelitas estavam orgulhosos disto e assaz confiantes. Mas a vanglória dos propagandistas era oca, diz Motyer.

- Crabtree diz que o argumento de Amós é que Israel está desprezando a sua posição de honra entre as nações pelo repúdio da responsabilidade perante o Senhor de quem tinha recebido as suas bênçãos.

6.Eles estavam confiantes em seu auto-engano (6.3)

- Eles estavam tão ocupados em ver suas glórias que não podiam perceber a chegada de uma grande tempestade.

- J. A. Motyer diz que eles estavam deliberadamente cegos para a calamidade vindoura (o dia mau) e permissivos à degeneração do estado num reino de terror.

- Nos dez anos posteriores à morte de Jeroboão II (746 a.C.) houve dez reis, três deles tomando o poder através de golpes políticos. Houve verdadeiras atrocidades políticas naquele tempo (2Rs 15.16).

- Eles, porém, não podiam crer numa mensagem alarmista exatamente no tempo em que desfrutavam de maior prosperidade econômica e expansão política. Todos os ventos pareciam soprar a favor. Não tinham nenhuma evidência de problema surgindo no horizonte. Pensavam que o dia mau jamais poderia alcançá-los.

- “É impossível isso acontecer aqui” era o lema dos líderes presunçosos. “Se há um dia de juízo a caminho, então certamente ainda vai demorar a vir” (9.10). Eles afastavam de si os julgamentos de Deus a fim de exercerem a violência sobre suas criaturas. O povo não queria acreditar que estava pecando contra Deus, nem que o dia da retribuição estava chegando.

- James Wolfendale diz que Israel não apenas tentou afastar o dia da retribuição divina, mas multiplicou as causas que o produziram. A violência interna traria a violência externa. Quando nós empurramos Deus para a lateral da vida estamos convidando a destruição.10

II. UMA SOCIEDADE CORROMPIDA PELA DEGRADAÇÃO MORAL (6.3b-7)

- O pecado é o opróbrio das nações. O que derruba um povo, uma nação e um reino não são as forças externas, mas a corrupção interna.

- Os bárbaros só tomaram o Império Romano porque este já estava podre por dentro. Nos versículos 4 a 6 Amós descreve o namoro deles com os prazeres da vida. Quais eram os pecados de Israel?

1.A violência desumana (6.3b)

- Os nobres israelitas não acreditavam no dia mau, mas apressavam sua chegada pela prática cruel da violência contra os pobres. Eles praticavam a violência comprando juízes corruptos, subornando tribunais injustos, oprimindo economicamente os pobres e sufocando a voz dos fracos. Os tribunais eram instrumentos de violência e não de justiça. Longe de darem provas de arrependimento diante das insistentes advertências divinas, eles se apressavam ainda mais para cometer seus graves pecados aos olhos de Deus.

2.O luxo excessivo (6.4a)

- Os ricos gostavam de ostentar a suntuosidade do seu modo de viver como prova de sua superioridade, confirmada pelas bênçãos e favores recebidos do Senhor.

- Amós descreveu seu modo de vida hedonista, sem espaço para as disciplinas da vida espiritual. Viviam em função do prazer e não para a glória de Deus. Os ricos dormiam em camas de marfim, enquanto o povo dormia em esteiras e passava fome.

- George Robinson diz que prevaleceu em Israel o amor ao luxo como antes da queda de Roma e o princípio da Revolução Francesa. A religião perdeu toda sua vitalidade, e se menosprezava completamente a moral.12

- O problema é que essa riqueza ostensiva não tinha sido adquirida com trabalho honesto, mas pela exploração criminosa dos pobres. Os ricos entesouravam em seus castelos bens mal adquiridos. Eles acumulavam riquezas às custas dos pobres. Viver nababescamente, extraindo o pão da boca do pobre é insulto a Deus.

3.A preguiça extravagante (6.4b)

- Os ricos não precisavam mais trabalhar, eles queriam apenas usufruir o dinheiro que haviam tomado injustamente dos pobres.

- Eles se espreguiçavam em seus leitos em vez de labutar para o desenvolvimento da nação.
- Eles despendiam suas riquezas em mesas fartas, regadas a muito vinho, usando caros perfumes, ao som de muita música, sempre buscando satisfazer seus desejos egoístas.

- Não havia no coração deles nenhum patriotismo nem mesmo qualquer sentimento de filantropia. Eles não estavam dispostos a trabalhar nem a produzir; apenas usufruir. O trabalho dignifica o homem seja qual for sua posição social, porém a preguiça desfibra sua honra.

4.A glutonaria imprevidente (6.4c)

- Eles comiam os cordeiros do rebanho e os bezerros do cevadouro. A dieta deles era riquíssima.

- Eles tinham boa variedade de carnes. Eles comiam vitelo enquanto o povo amargava uma pobreza extrema a ponto de passarem fome.
- Eles faziam do ventre o seu deus (Fp 3.19). A glutonaria, obra da carne (Gl 5.21), era o centro de suas atenções (4.1; 6.4). Banquetear-se às custas da miséria do pobre ou de forma indiferente à necessidade do pobre é colocar os pés na estrada que leva à perdição eterna (Lc 16.19-31).

5.A diversão frívola (6.5)

- Esses nobres, encastelados em suas grandes e belas casas, dormindo em camas de marfim, viviam para o deleite carnal, em diversões frívolas. Eles entoavam músicas e fabricavam instrumentos não para adorar a Deus como Davi, mas para se divertirem. Davi honrava a Deus com a sua música, porém eles desonravam tanto a Deus quanto ao homem.

- C. F. Keil explica o sentido do versículo da seguinte maneira: “Como Davi inventou instrumentos de cordas para honrar o Deus do céu, assim estes príncipes inventaram o método de cantar, com a música instrumental, para o deus deles, a barriga”.

- Música degradante é sinal seguro de incipiente declínio nacional, diz Charles Feinberg.

- Jalmar Bowden diz que a expressão “cantais à toa” literalmente significa gargantear ou cantar inutilmente. Assim, as melhores coisas da vida podem ser deturpadas, servindo para prejudicar em vez de melhorar o indivíduo. Em todos os tempos os maus pervertem o canto.

- Lord Cathan chegou a dizer: “Dê os compositores das músicas e baladas da nação e não me importarei com quem faz as leis”.16

- O profeta Amós denuncia o fútil estilo de vida desses ricos que se esbaldavam em festas elegantes, comendo carneiro e vitela, bebendo vinho em abundância, ouvindo música e usando perfumes caros. Esses luxos não eram coisas inocentes ou inofensivas; ao contrário, eles desviavam a atenção das pessoas dos problemas reais de sua nação.

6.A embriaguez profana (6.6)

- Os israelitas faziam uso livre e imoderado do vinho, diz Champlin. Eles não apenas tomavam vinho em taças, mas o tomavam em bacias usadas nos rituais religiosos.

- A palavra hebraica traduzida aqui por taças é a mesma usada para bacias. Isso significa que eles bebiam em excesso e ainda profanavam o nome de Deus, ridicularizando, assim os rituais religiosos.

- As taças regulares eram insuficientes para seus insaciáveis apetites, por isso bebiam vinho em tigelas, ou bacias usadas para fins sacrificiais, nas quais recolhia-se o sangue para depois aspergi-lo (Nm 7.13).

- Bebida e dinheiro ocupam ainda o topo da lista dos pecados que corrompem a nação. Baco e Mamom têm seus templos em cada cidade e oferendas em cada rua, diz James Wolfendale.

- Esses israelitas gastavam suas riquezas em prazeres e dissoluções, bebendo vinho para silenciar a consciência, banir a reflexão e, endurecer o coração.21

- O culto deles não era para Deus, mas para eles mesmos. Eles faziam seus rituais porque disto gostavam.
- O culto deles era antropocêntrico. Eles misturavam religião com diversão, pois tudo girava em torno deles mesmos.

- Quando as nações dedicam-se exclusivamente a buscar o prazer é um sinal de que o fim está próximo.

- Belsazar e seus líderes estavam no meio de um banquete suntuoso, quando a cidade da Babilônia foi tomada pelos medos e persas.

- Os cidadãos de Roma regalavam-se com o “pão e circo” gratuitos, enquanto o império se deteriorava moral e politicamente até que, por fim, caiu nas mãos dos inimigos.

- Um dos sinais do fim dos tempos é o fato de muitos se tornarem “mais amigos dos prazeres que amigos de Deus” (2Tm 3.4).

- O Senhor Jesus foi categórico em sua advertência: “Acautelai-vos por vós mesmos, para que nunca vos suceda que o vosso coração fique sobrecarregado com as conseqüências da orgia, da embriaguez e das preocupações deste mundo, e para que aquele dia não venha sobre vós repentinamente, como um laço” (Lc 21.34).

7.A indiferença criminosa (6.6b)

- Ao invés de estarem cobertos de pano de saco e de cinzas por causa da aflição do povo, eles se ungiam com os óleos mais finos, símbolo da alegria.

- Eles não se afligiam com a ruína de José, ou seja, com a ruína de seus irmãos que viviam na penúria. Conquanto que seus desejos desenfreados fossem satisfeitos, os outros podiam gemer.

- Eles agiram como os irmãos de José que comiam e bebiam sem nenhum constrangimento, enquanto José clamava a eles com amargura de alma no fundo de uma fossa.

- O rei Davi tinha a capacidade de se indignar pelo fato dos pecadores abandonarem a lei de Deus (Sl 119.53). Ele também tinha a capacidade de chorar ao ver a indisposição dos homens para obedecerem à lei de Deus (Sl 119.136).

- Muitos estão rindo quando deveriam estar chorando (Tg 4.8-10) e outros estão tolerando o pecado quando deveriam estar se opondo a ele (1Co 5.2).

8.O juízo inevitável (6.7)

- O povo de Israel vangloriava-se de sua inquestionável supremacia. Três vezes aparece a palavra “primeiro” ou “principal”: principal das nações (6.1), o mais excelente (primeiro) óleo (6.6), primeiro no cativeiro (6.7). Eles eram orgulhosos o tempo todo, e o orgulho seria sua ruína.23

- O pecado atrai o juízo como o imã ao metal. Embora, nem sempre o juízo é imediato, mas é inevitável. O cálice da ira de Deus encheu-se. Israel havia sido pesado na balança e achado em falta. Deus havia colocado o prumo no seu povo e constatado sua tortuosidade. Era hora do acerto de constas.

- Os líderes do povo, aqueles que mais se entregaram ao pecado, agora, serão os primeiros a sofreram o juízo. Os primeiros em preeminência e pecado serão os primeiros contemplados com castigo e cativeiro. Eles semearam ventos e agora vão colher tempestade. Eles foram os primeiros na prática de excessos morais, agora serão os primeiros a serem castigados.

- A pândega dos espreguiçadores, ou seja, os ruídos e gritos discordantes dos beberrões ou a galhofa dos que banqueteiam, passarão. Toda a alegria cessará. Toda os instrumentos se emudecerão. Todas as taças de vinho secarão. O prazer vai cessar; é hora de curtir a dor do cativeiro!

III. UM POVO SOB O JULGAMENTO DE DEUS (6.8-11)

1.O juramento de Deus (6.8a)

- Não tendo nada nem ninguém maior do que ele mesmo para jurar, Deus jura por si mesmo que repudia o comportamento do seu povo.

- Em Amós 4.2 o Senhor jurou pela sua santidade. O sentido das duas declarações é essencialmente o mesmo. A própria natureza de Deus, em todos os seus característicos e atributos está contra todas as formas de injustiça.

- Adonai-Iavé (O Senhor soberano) expediu seu decreto de condenação, prestando juramento por si mesmo, tornando absolutamente certo e inexorável seu decreto. Ele é capaz de cumprir seu decreto em todos os seus detalhes.

- O que é que tanto irrita e antagoniza o Senhor? O orgulho humano! E quando o orgulho é atacado, os seus castelos e a cidade que constituem a sua personificação, também caem, diz Motyer.

- Deus não tem prazer no mal. Ele não aprova nem faz vistas grossas ao pecado. O sistema corrompido do mundo, com todo o seu glamour entrará em colapso total (Ap 17 e 18).

2.O ódio de Deus (6.8b)

- Deus abomina o que os homens exaltam. Ele rejeita o que os homens amam. Amós destaca duas coisas importantes aqui:

- Em primeiro lugar, Deus abomina a soberba. Deus resiste ao soberbo. Ele faz guerra contra aqueles que se exaltam. Ele derruba os poderosos do seu trono como desbancou o querubim da guarda e o precipitou no inferno.

- Em segundo lugar, Deus odeia os lugares de violência. Deus odeia os castelos, símbolo da prepotência, da riqueza mal adquirida, da injustiça social, da opressão do pobre. Deus odeia toda ostentação criminosa.

3.O abandono de Deus (6.8c)

- O maior e mais perigoso inimigo não é o diabo, nem o mundo, nem mesmo a carne, mas Deus.

- Quando ele está conosco ninguém pode nos resistir (Rm 8.31), porém, se ele nos abandonar estaremos entregues à mais completa devastação.
- Quando Deus abandonou Samaria, ela caiu nas mãos da Assíria e foi devastada.
- Quando Deus entregou Jerusalém, Nabucodonosor tomou os vasos do templo e levou cativo o povo para a Babilônia.

4.A mortandade enviada por Deus (8.9,10)

- Deus fala de um massacre, de uma chacina, de um holocausto. A mortandade será completa e total (8.10). Serão tantos mortos que não haverá tempo nem mesmo para o sepultamento. Os mortos serão cremados. Este é um quadro vívido do povo de Samaria destruído pela fome ou peste durante o sítio de três anos da cidade.

5.A destruição ordenada por Deus (8.11)

- Os palácios e grandes casas, motivo de orgulho e segurança dos israelitas tornar-se-ão montões de escombros e cinzas. Nem mesmo as casas pequenas escaparão. A devastação será geral, atingindo a casa grande e também a pequena. A mão que derribará essas casas é a dos soldados assírios, mas o agente que ordena esse colapso é o Senhor. A Assíria será apenas a vara da ira de Deus para castigar o seu povo.

IV. UMA NAÇÃO SEM DISCERNIMENTO ACERCA DA SUA PERIGOSA CONDIÇÃO (6.12-14)

1.Uma impossibilidade absoluta (6.12a)

- Amós usa duas figuras acerca de coisas absolutamente impossíveis: um cavalo correr na rocha ou uma junta bois lavrar a rocha (no hebraico a melhor tradução seria o mar). Isso é totalmente impossível. Impossível é também o pecado ficar sem julgamento. Impossível é também violar a lei moral de Deus e ficar sem punição.

- Charles Feinberg diz que há tanta possibilidade de que um cavalo corra na rocha ou uma junta de bois lavre o mar quanto a de que seus atos maus resultem em bênçãos.

- Como eles podem esperar o favor do Senhor ao mesmo tempo em que cometem atos desagradáveis a Deus? Isso é tão absurdo como tentar correr os cavalos sobre rochas.28

- A. R. Crabtree diz que os escritores do Velho Testamento não fazem distinção entre as leis físicas e as leis morais do mundo.

- A corrupção da justiça é tão perigosa, e traz desastres tão grandes, como o esforço de fazer cavalos correr no precipício, ou o de fazer lavrar o mar com bois, como se fosse a superfície da terra.

- Jalmar Bowden diz: “Seria tão razoável pensar em cavalos correndo pelo Pão de Açúcar ou em lavrar a Baía da Guanabara com bois, como tornar julgamento em injustiça ou justiça em veneno”.30

2.Uma inversão criminosa (6.12b)

- Israel violou a lei moral de Deus e mesmo assim pensou que podia escapar das conseqüências. Eles fizeram duas criminosas inversões:

- Em primeiro lugar, transformaram o juízo em veneno. O juízo deve ser fruto de vida, mas porque eles corromperam os tribunais e subornaram os juízes, as sentenças eram veneno e não fruto de vida.

- Em segundo lugar, transformaram o fruto da justiça em coisa amarga. Alosna era uma planta muito amarga e também venenosa. Os ricos oprimiam de tal forma os pobres que a vida se tornava para eles um absinto, um fel de amargura, uma coisa insuportável.

3.Uma soberba inconseqüente (6.13)

- Os israelitas estavam orgulhosos de suas conquistas militares. Eles estavam cheios de soberba e pensavam que seus poderes econômicos e militares os tornariam invencíveis. Mas, a soberba é a ante-sala do fracasso.

- A soberba precede a ruína. A. R. Crabtree diz que aparentemente Amós escolheu estas duas aldeias, entre os muitos lugares conquistados, para fazer um trocadilho dos nomes, “coisa de nada”, e “poder imaginário”. Os chefes se ufanavam de nada e se gabavam do seu poder imaginário, mas não eram capazes de oferecer qualquer resistência contra o seu destino, já determinado pelas eternas leis da justiça.31

4.Um desterro inevitável (6.14)

- Samaria não caiu nas mãos da Assíria; foi Deus quem entregou Samaria nas mãos de Assíria. A cidade foi cercada três anos. Dentro dos muros reinou a fome e o pavor. A opressão do inimigo foi dolorosa e total, de norte ao sul do país. Hamate fica na região Norte de Israel e o ribeiro de Arabá na região Sul. Assim, “de Hamate até o ribeiro de Arabá” significa que a Assíria destruiria a terra toda, de Norte a Sul. Quando Amós proferiu essas palavras, a Assíria era nação relativamente fraca. Jeroboão II conseguiu mantê-la afastada, bem como o Egito e a Síria. Porém, a Assíria se fortaleceu e tornou-se um império mundial, um inimigo expansionista, truculento e ameaçador.

CONCLUSÃO

- Podemos sintetizar o capítulo 6 em quatro princípios importantes:
- Em primeiro lugar, privilégios implicam em responsabilidades (6.1-3). O povo vivia em cidades importantes e seguras como Jerusalém e Samaria. Israel tinha grande reputação comparada com outros povos menos afortunados. Mas, esses privilégios engendraram neles convencimento e soberba em vez de humildade e testemunho.

- Em segundo lugar, altruísmo deve sempre ter a primazia sobre a autocomplacência (6.4-7). Em vez de buscarem a glória de Deus e o bem do próximo, buscaram apenas o prazer. A questão se resume no interesse pelo corpo: cama e alimento (6.4), bebida e perfume (6.6) e descobrir novas maneiras de encher o tempo (6.5). Embriagados pelo prazer nem se davam conta que a nação estava marchando celeremente para a ruína (6.6b). Enquanto a nação estava à beira da tragédia, a liderança estava na cama, na mesa bem servida ou compondo algumas canções para sua própria diversão. Enquanto o povo chorava, a liderança se divertia.32

- Em terceiro lugar, a soberba sempre desemboca em tragédia (6.8-10). Amós é contundente ao afirmar que Deus se opõe aos soberbos e ninguém pode lutar contra ele e prevalecer. Deus resiste aos soberbos, enquanto dá graças aos humildes (Tg 4.6). Sempre que alguém, em qualquer tempo ou em qualquer lugar semear a soberba, colherá a tragédia.

- Em quarto lugar, a violação dos princípios morais jamais ficará sem justa retribuição (6.11-14). Assim como não se pode quebrar as leis da natureza sem sofrer as conseqüências, também não se pode violar as leis morais sem sofrer a justa retribuição. A segurança de Israel não estava no seu poder econômico nem mesmo em suas conquistas políticas, mas em andar retamente com Deus. Um povo sem Deus será sempre vulnerável, pois o pecado é o opróbrio das nações, mas a nação cujo Deus é o Senhor, essa é feliz.

- J. A. Motyer com lucidez conclui este capítulo, assim:

Quando o povo viu Samaria em ruínas em 722 a.C., quando as mães foram despojadas de seus filhos, e os maridos das esposas, quando aumentou o número de órfãos, dos mendigos, dos desabrigados, eles perguntaram: Por que? Os assírios o fizeram, diziam alguns, estavam certos (6.14). Deus o fez, diziam outros, e também tinham razão (6.8,11). Nossos líderes o fizeram, era a opinião de outros ainda, e eles também estavam certos (6.1-7). A soberba o fez, disse Amós (6.8), e esta foi a avaliação mais realista do inimigo do povo.

AUTOR: Rev. Hernandes Dias Lopes





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