quinta-feira, 6 de maio de 2010


DESAPRENDENDO
COM AS MÃES
DA BÍBLIA



INTRODUÇÃO

- Por 289 vezes a palavra "mãe" ou "mães" aparece na Bíblia. Lendo-as, notamos que o princípio segundo o qual as mães devem ser honradas (Êxodo 20.12), junto com os pais, é repetido várias vezes, no Antigo e no Novo Testamento.

- Elas devem ser honradas por serem mães, mesmo que seus conselhos ou práticas não devem ser seguidos.

- Temos na Bíblia histórias de mães magníficas e outras nem tanto. Devemos, logo, afirmar que, embora haja uma imensa influência delas sobre os seus filhos, elas não são responsáveis pelas escolhas que eles fazem.

- Assim, por exemplo, Selomite, filha de Dibri, da tribo de Dã, não é responsável pelo ato de seu filho, que amaldiçoou o nome de Deus, pagando caro por isto, a começar por não ter o seu nome registrado no texto que conta a sua história (cf. Levítico 24.10-11).

- As mães escolhem caminhos para si e para seus filhos, mas os filhos também fazem o mesmo, para alegria e para tristeza das suas mães e deles mesmos.

- Quando examinamos especificamente as listas das 15 mães dos reis de Israel, mencionadas nos dois livros de Reis (seguindo um padrão: "era o nome de sua mãe, fulana, da cidade tal"), vemos que, delas, nove foram mães de reis péssimos, reprovados por Deus, e seis foram mães de reis ótimos, aprovados por Deus.
Reis reprovados e suas mãesRobão Naamá 1Reis 14.21
Absalão Maaca 1Reis 15.22
Acazias Atalia 2Reis 8.26
Manassés Hefzibá 2Reis 21.1
Amom Mesulemete 2Reis 21.19
Jeoacaz Hamutal 2Reis 23.31
Jeoaquim Zebida 2Reis 23.36
Joaquim Neusta 2Reis 24.8
Zedequias Hamutal 2Reis 28.18

Reis aprovados e suas mãesJosafá Azuba 1Reis 22.42
Joás Zibia 2Reis 12.1
Jeoacaz Jeoadã 2Reis 14.2
Jotão Jerusa 2Reis 15.33
Ezequias Ábia 2Reis 18.2
Josias Jedida 2Reis 22.1

- Fica evidente, neste exame, que não há uma relação de causa e efeito, em que boas mães gerarão obrigatoriamente bons filhos e também seu oposto, o que não nos autoriza a concluir que as mães não exerçam uma gigantesca influência (negativa e positiva) sobre seus filhos.

- Sabemos pouco sobre essas mães, embora sejamos informados que algumas davam maus conselhos aos seus filhos, como foi o explicito caso de Atalia, mãe do rei Acazias (2Crônicas 22.3).

- Podemos, portanto, aprender com as mães da Bíblia. Podemos aprender negativamente também, não lhes seguindo os mesmos caminhos.
DESAPRENDENDOComecemos por alguns relatos sobre mães cujos exemplos devem ser recebidos por nós, filhos, como gestos a serem evitados.
1. Não dê nome(s) que marque(m) seu(s) filho(s) negativamente.

- O nome de uma pessoa pode ter uma importância expressiva sobre a história dos seus filhos, tanto que alguns, no caso brasileiro em que a legislação o permite, buscam trocar os seus.

- A mãe de Jabez, com a boa intenção de mostrar o seu valor, deu-lhe este nome que significa: "aquele que traz dor ou sofrimento". Ainda bem que Jabez orou ao Senhor e teve seu nome mudado na prática e se tornou o homem respeito de sua família. ("Jabez foi o homem mais respeitado de sua família. Sua mãe lhe deu o nome de Jabez, dizendo: `Com muitas dores o dei à luz'" -- 1Crônicas 4.9).

- Raquel, a mãe de Benjamim, quando notou que estava prestes a morrer, tentou dar um nome memória ao seu filho (que queria que fosse Benoni, "filho da minha tristeza"), mas Jacó, o pai, pai interveio para que fosse Benjamim, "filho da fortuna" ("Já a ponto de sair-lhe a vida, quando estava morrendo, deu ao filho o nome de Benoni. Mas o pai deu-lhe o nome de Benjamim" (Gênesis 35.18).

- A criatividade humana não tem limites, fora do Brasil e no Brasil. No caso brasileiro, de uma lista.

- Eu me chamo Israel, que embora seja o nome de um país contemporâneo, é o de uma personagem do Antigo Testamento, que tem o seguinte significado: "príncipe de Deus" ou "Aquele que lutou com Deus e venceu". Eu tive uma infância com uma saúde muito difícil, e sempre ouvia o significado do meu nome. Certamente, isto me ajudou. É melhor ser Israel, que tem um significado, do que ser Er ("vigilante"), como queria meu avô, que foi um cara perverso.

- A lição é clara: devemos dar nome(s) com significado. Se bem não fizerem, mal não farão.

- Não é bom o Daniel que seu nome quer dizer "Deus é meu juiz";

- o Samuel, que seu nome significa "escolhido por Deus";

- o João, que seu none quer dizer "Deus tem sido gracioso para comigo";

- o José, que seu nome é um pedido: "Deus ajude";

- o Davi, que seu nome quer dizer "querido"?

- Não é bom que toda Ester saiba que, pelo seu nome, é uma "estrela";

- que a Eunice saiba que seu nome quer dizer "uma boa vitória";

- que a Raquel saiba que, se seguir seu nome, será "mansa como uma ovelha";

- que a Rute saiba que, pelo seu nome, é "amiga, companheira";

- que a Sara sabia que é uma "princesa".

- Não é bom ter nomes que carregam lindas histórias como Lucas ("luminoso"), Paulo ("pequeno"), Pedro ("pedra"), Débora ("abelha"), Maria ("amarga"), Priscila ("antiga")?
2. Não use seu(s) filho(s) como armas de guerra.

- Infelizmente, pais (pai e mãe) por vezes entram em conflito, seja por razão nobre (a educação do filho), seja por razão ilegítima (a disputa pelo amor do filho).

- Temos na Bíblia uma mãe com comportamento reprovável (Gênesis 27). É Rebeca, que com o marido Isaque, tipifica o casal que tem preferência por um dos filhos, levando-a às últimas conseqüências, que, no caso, foram dramáticas, com o surgimento de povos diferentes, descendentes de Esaú, o filhinho do papai, e de Jacó, o filhinho da mamãe.
A disputa, alimentada com desconfianças, mentiras e armações, provocou mágoas profundas.

- As mães devem tomar cuidado para não preferir, mesmo que um demonstre mais carinho e respeito do que o outro, que receberá não como retribuição justa, mas como rejeição.

- Quando há em casa filhos de casamentos diferentes, os cuidados devem ser ainda maiores.

- Quando os pais se separam, não vale usar os filhos como escudo ou como armas, para atingir o outro, para trazer o outro de volta ou para, hipoteticamente, beneficiar esses mesmos filhos. Os filhos não podem ser culpados pelos desacertos paternos.

3. Não dê conselhos ruins ao(s) seu(s) filhos.

- Além das mães de alguns reis, Herodias, cunhada de Herodes, aconselhou sua filha (cujo nome não é mencionado) a pedir a cabeça de João Batista numa bandeja durante um banquete (Mateus 14.1-10; cf. Marcos 6. 21-28).

- As mães devem ponderar seus conselhos. O peso é enorme. Pesquise. Ore antes. Não saia falhando tudo o que lhe vem a cabeça. Se errar, volte atrás. Aconselhe, se for o caso, em outra direção. Não se exima de sua responsabilidade.

- As mães, por outro lado, não devem permitir que seus conselhos eximam seu(s) filho(s) da responsabilidade da decisão que tomaram, considerando seus conselhos. O conselho é da mãe, mas a responsabilidade é do filho.

4. Não faça pedidos inadequados ao Senhor por seu(s) filho(s).

- Há ainda outra mãe com quem desaprendemos. Não lhe sabemos o nome, mas somos informados que era esposa de Zebedeu e mãe de Tiago e João, seguidores de Jesus Cristo. Ela mesma era uma discípula de Jesus (Mateus 27.56). Imaginando que Jesus iria instaurar um novo governo (de natureza política) na Judéia, ela sacou o seu pedido, num encontro com o Mestre:

-- Declara que no teu Reino estes meus dois filhos se assentarão um à tua direita e o outro à tua esquerda. (Mateus 20.21)
Os meninos já tinham feito o mesmo pedido(Marcos 10.35-45) e ela o foi reforçar. Mãe é mãe. Sempre quer o melhor para seus filhos.
A resposta de Jesus deixa evidente que o pedido era inadequado:

-- Vocês não sabem o que estão pedindo. (...) O assentar-se à minha direita ou à minha esquerda não cabe a mim conceder. Esses lugares pertencem àqueles para quem foram preparados por meu Pai (Mateus 20.22-23)

Ore por seu(s) filho(s), mas não peça fama.
Ore por seu(s) filho(s), mas não peça dinheiro.
Ore seu(s) filho(s), mas não peça saúde.

Peça que sejam pessoas de caráter santificado.
Peça que seja(m) dedicado(s).
Peça que ame(m) a Deus.
Peça quem ame(m) o próximo.
Peça que tenha(m) um senso de missão.

- Se a fama, o dinheiro e a saúde vier, saberá(ao) lidar com a fama, o dinheiro e saúde, se tiverem caráter santificado, forem dedicados no que fazem, amarem a Deus, amarem ao próximo e saberem o que é realmente viver.





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