terça-feira, 3 de novembro de 2009


Uma Igreja relevante
para o século XXI



- Sabe por que tanta gente rejeita o evangelho?
- Não é tanto por considerá-lo falso, mas é porque não faz sentido para as suas vidas.
- A questão não é se o cristianismo é verdadeiro, mas se ele é relevante.
- O que uma religião de 2 mil anos atrás, surgida numa cultura palestina e primitiva poderia oferecer para pessoas do nosso tempo?
- Esta sensação de que o cristianismo é uma coisa distante, obsoleta e irrelevante existe em todo lugar.
- Hoje eu quero falar um pouco sobre uma igreja relevante, que alcança a cultura do século XXI.
- Já ouviu falar em cristão contemporâneo? Ou cristianismo contemporâneo? Parece contraditório. Não se trata de uma fé antiga? Ou será uma nova versão do cristianismo que nós resolvemos inventar? Não estamos inventando nada. É o mesmo cristianismo bíblico, histórico, original, mas sensivelmente relacionado com o mundo moderno.
- O famoso historiador cristão, Jaroslav Pelikan, certa vez declarou: “Tradição é a fé viva daqueles que já morreram. Tradicionalismo é a fé morta daqueles que hoje vivem”.
- A nova vida em Cristo sempre gera criatividade na igreja, sem abandonar a tradição da fé. A relevância da igreja local exige um olho nas Escrituras, para não perder os absolutos bíblicos. Mas tem outro olho também no contexto social.
- Livro de John Stott: Ouça o Espírito Ouça o Mundo.

JESUS: MODELO DE CONTEXTUALIZAÇÃO
- Como Jesus faria se ele nascesse em nossa geração e não há 2 mil anos? Qual a sua linguagem? Como se comportaria? A mensagem seria a mesma, mas a abordagem seria para o homem do século XXI.
- Jesus viveu num contexto agrícola, por isso usava tanto as figuras do campo em seus ensinos: lírios, ovelha, pastor,etc.
- Ele se sentia a vontade no meio cultural em que pregava.
- Ele se identificou com aquele povo. Fez-se amigo dos pobres, curou doentes, alimentou famintos, tocou intocáveis, arriscou sua reputação associando-se com pessoas que a sociedade rejeitava.
- Ele entendeu a cultura da sua época, aprendeu a pensar como eles pensavam, sentir como eles, fazer como eles (sem pecar).
- Jesus se identificou conosco, mas sem perder a sua identidade. Ele não deixou de ser Deus.
- Ele começava pela necessidade real das pessoas. Não usava chavões, mas uma linguagem contemporânea.
- Contextualizar não é conformar-se com o presente século. Mas é alertar a igreja para não ficar alienada do contexto, da sociedade que ela quer alcançar, com suas carências específicas de hoje.
- A Bíblia fala da igreja como um grupo espiritualmente distinto, mas não socialmente segregado(separado). Não é para abandonar o mundo. Pelo contrário, é ter um novo compromisso com ele, testemunhando e servindo (sal e luz).
- Para atender a sociedade nos dias atuais, é preciso ajustar as pesadas estruturas da igreja, procurando formas mais dinâmicas e relacionais, para que o evangelho chegue ao coração das pessoas.

ENTENDENDO A NOSSA HISTÓRIA ECLESIÁSTICA
- Há mais de cem anos, com a chegada dos missionários americanos no Brasil, recebemos junto com o evangelho, uma cópia do modelo eclesiástico: arquitetura, liturgia, vestes clericais, hinos, instrumentos musicais, a forma de tomar decisões: comissões, GTs, departamentos, nomes como: superintendentes, classes de catecúmenos. Tudo importado e introduzido nas igrejas brasileiras.
- O brasileiro se submeteu ao padrão americano e europeu, achando tudo isso bíblico e único padrão possível.
- Eu fui criado numa igreja batista tradicional, e me alegro com aquele tempo. Os hinos antigos (que muito me tocavam, e ainda tocam), os Embaixadores do Rei, os encontros de mocidade, os cultos nas praças, etc.
- Teve o seu valor naquele tempo. Mas hoje não podemos repetir os mesmos métodos do passado, porque a sociedade mudou e já não há o mesmo impacto. Não alcança a nova geração.
- Há 40 anos, quando nossa igreja foi organizada aqui em Jacareí, o Brasil estava deixando de ser um país predominantemente rural para se tornar urbano. Muitas mudanças aconteceram no mundo desde então.

Pesquisas descrevem o perfil de uma igreja tradicional:
- dificuldade em promover mudanças- saudosismo exagerado
- dificuldade em se relacionar com outros que não sejam da mesma ordem e denominação
- louvor e adoração mais rígidos. Pouco espaço para hinos e cânticos espirituais.
- A personalidade mais importante é um pastor ou um grupo de pastores.
- Cargos e títulos são mais importantes do que a função
- A formalidade é intensa.
- Ênfase acentuada sobre os “costumes e tradição”
- Pouco espaço para promover a mutualidade.
- Ativismo cristão definido por presença nos cultos e atividades da igreja
- Calendário denominacional acima do calendário das reais necessidades locais
- Dificuldade em adotar material didático de outra fonte a não ser a sua denominação.
- Muitos pastores e líderes não querem mudar porque se agarraram à tradição, ao comodismo, ficam na sua zona de conforto, e também por desconhecimento bíblico.
- Davi serviu a sua geração - Atos 13.36:“Tendo pois Davi servido ao propósito de Deus em sua geração...” At. 13.36
- Não querer mudar é arriscar-se a parar de crescer. E isto vale pra tudo na vida.
- Uma definição de crescimento: “Deixar certas coisas pra trás, para fazer algo que nunca fizemos antes”.
Temos que renunciar ao padrão tradicional, mudando a metodologia, em favor do modelo bíblico. Qual é o modelo bíblico? É o que está em At. 2.41-47.

- Modelo bíblico: celebra a presença de Deus (adoração); proclama a palavra de Deus (missões); integra a família de Deus (comunhão); educa o povo de Deus (discipulado); demonstra o amor de Deus(serviço). Atos 2.41-47
- No ministério, algumas coisas nunca devem mudar, mas outras precisam mudar constantemente. Sem dúvida, os cinco propósitos de Deus para sua igreja são inegociáveis.
- Se uma igreja falha em equilibrar os cinco propósitos de adoração, comunhão, discipulado, evangelismo e serviço, não será uma igreja saudável e corre o risco de se tornar um clube social.
- Por outro lado, a forma ou o estilo em que cumprimos esses cinco propósitos eternos devem continuamente ser ajustados e modificados porque a cultura humana está em mudanças constantes.
- Nossa mensagem nunca deve mudar, mas a forma como a entregamos, deve estar constantemente se ajustando em cada geração.

Ex: Celebrando a Recuperação, linha da esperança (PIB SJC), Manhã Gospel.
- Procuramos construir pontes de contato com as pessoas através da amizade, cartas, e-mails, encontros de casais, acampamentos, festa da família, etc.
- Ir nas praças ou bater de porta em porta não é uma boa forma de alcançar pessoas urbanas hoje.
- Em outras palavras, nossa mensagem de transformação nunca deve mudar enquanto que a transformação de nossa apresentação deve ser contínua na adaptação da nova linguagem e de nossa cultura.
- Considere isto: a palavra contemporânea literalmente significa com temporalidade Por natureza, nada que é contemporâneo vai durar para sempre! É efetivo por um período e relevante apenas naquele momento particular - que é o que o faz ser contemporâneo.
- O que é considerado contemporâneo e relevante nos próximos dez anos vai, inevitavelmente, parecer ultrapassado e cansado em 20 anos. Tudo aquilo que está na moda agora vai estar fora de moda logo, e os ciclos de mudanças estão ficando cada vez mais curtos, impulsionados pela tecnologia e pela mídia.
- Novos estilos e preferências, como modas, estão sempre emergindo. Um dos segredos do crescimento de nossa igreja é que estamos constantemente fazendo adaptações; novo local de culto, programas e cultos variados, a forma do evangelismo tem mudado, com feiras internas, eventos externos diversos, e continuaremos a fazer isso porque o mundo está em mudanças.
- A única maneira de permanecer relevante é alicerçar o ministério nas verdades imutáveis e nos eternos propósitos, mas estaremos continuamente adaptando as maneiras de como comunicar essas verdades e propósitos.
- Nossos membros estão constantemente focados na missão de trazer seus amigos aos cultos de domingo à noite, onde alcançamos os não crentes. Procuramos cantar músicas que eles entendam, orações que sejam sensíveis às suas necessidades, pregamos mensagens que eles entendam.
- Você deve se perguntar se atraímos os visitantes porque passamos a idéia de um evangelho água com açúcar. Não fazemos isso; simplesmente comunicamos o evangelho de um jeito que os não crentes entendam!
- Investimos em tecnologia por isso: microfones, mesa de som, multimídia, iluminação adequada, filmes.
- Jesus atraiu multidões sem comprometer sua mensagem. Ele foi claro, prático, amoroso e sempre apresentou suas mensagens eternas numa forma extremamente agradável e contemporânea.
- As pessoas perdidas têm anseio por significância, necessidade de propósitos, necessidade de perdão e necessidade de amor.
Eles querem aprender a tomar as decisões certas, a como proteger suas famílias, como lidar com o sofrimento e a como ter esperança neste mundo.
Todas são inquietações para as quais temos respostas e, mesmo assim, milhões continuam ignorando a mensagem de Cristo porque insistimos em comunicar a mensagem de uma forma que não faz quase nenhum sentido.
Se quisermos alcançar as pessoas no séc 21, devemos começar a pensar de modo diferente.
- Paulo disse: "Eu me torno todas as coisas para todos os homens para que, de algum modo, consiga alcançar alguns”. 1 Cor. 9.22 (ver todo o texto 9.19-23).
- Creio que o requisito mais importante de uma igreja é ter membros maduros espiritualmente - membros que, sem egoísmo, limitem suas próprias preferências ao pensar como a igreja deveria ser, para que assim conseguissem alcançar as pessoas perdidas para Cristo.
- Como Jesus disse em Lucas 5:38: “Vinho novo deve ser colocado em recipientes novos!” Lc. 5.38
- Aqui está uma tradição simples para ser quebrada no Séc 21: pare de pensar na igreja como uma instituição.
- A despeito da linguagem que usamos, nós, mais antigos, tendemos a ver a igreja como instituição, mas as novas gerações - e muitos de nós mais antigos - estamos ansiosamente procurando por comunidade, uma família.
- Precisamos apresentar a igreja como um lugar em que pertencemos, uma família, onde cantam em comunhão e todos conhecem seu nome.
- Muitas pessoas sem Jesus, ainda estão vendo a igreja como uma lista de regras e não como uma comunidade amorosa.
- As novas gerações estão concentradas no que é experimental, isto significa que temos de ajustar a forma como ensinamos e pregamos porque as igrejas tradicionais estão focalizadas quase que exclusivamente no intelecto.
- Na igreja do Séc 21, não queremos apenas pessoas que queiram saber sobre Deus, mas desejamos que elas realmente encontrem Deus.
- Nossa mensagem não é significativa apenas por informar, mas por transformar as vidas das pessoas que estão em nossa congregação.
- Há muita gente sedenta para descobrir e desenvolver uma dimensão espiritual para suas vidas. Esta é a razão porque existe tanto interesse no pensamento Oriental, Nova Era, misticismo e o transcendente.
- Hoje em dia as pessoas estão sedentas de símbolos, metáforas, experiências e histórias que revelem a grandeza de Deus.
- Uma sociedade em transformação exige uma igreja dinâmica, capaz de adaptar-se a situações novas sem mudar sua mensagem básica.
- É preciso que haja disposição para mudar de direção, para atender aos novos desafios. Percorrer caminhos novos, desenvolver uma nova estratégia e aprender com a experiência dos outros. Lembrem-se - o mundo muda, mas a Palavra não.
- Para ser efetivo no ministério, precisamos aprender a viver com a tensão entre os dois. O cristão é diferente sim. Mas demonstramos essa diferença em nosso caráter, nos valores cristãos, em nosso compromisso com a Palavra, por um estilo de vida bonito, refletindo o fruto do Espírito.
- Podemos ser diferentes sem ser chatos, ignorantes e ultrapassados em relação à cultura.
- Minha oração é que Deus use você, como usou Davi, para servir os propósitos de Deus em sua geração (At. 13. 36).


AUTOR: Pr. Luiz Sanches